Beto, Déborah e Sérgio: quem são as vítimas da trágédia na BR-365
As mortes de Beto Oliveira, Déborah Cristina e Sérgio Guimarães provocaram comoção em Uberlândia e deixaram uma lacuna na fotografia, na música, no teatro e na produção cultural da cidade
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Beto Oliveira (55), Sérgio Guimarães (38) e Déborah Cristina (39) perderam a vida em um acidente na BR-365, em Patrocínio, na noite desta sexta-feira (24). Segundo pessoas próximas, os três voltavam de uma viagem para realização de um trabalho publicitário, em uma fazenda próxima a Patrocínio, quando o carro em que estavam não conseguiu realizar uma ultrapassagem. Além de vidas, Uberlândia perde pessoas importantes para o legado cultural da cidade, e que são descritas com carinho e admiração por muitos que hoje choram suas ausências.

O acidente ocorreu entre os km 501 e 504 da rodovia, conforme informações da concessionária EPR Triângulo e da PRF. Neste sábado (25), moradoras e figuras importantes da cidade lamentaram a morte dos três. Todos eram envolvidos com o teatro, com produções culturais, além de serem cercados de pessoas que admiravam tanto seus trabalhos quanto às pessoas que eram.
Velório e sepultamento
O velório de Beto Oliveira acontecerá no Cemitério e Crematório Parque dos Buritis, na Avenida Segismundo Pereira, nº 4.505, bairro Novo Mundo, em Uberlândia, a partir das 7h deste domingo. O sepultamento está previsto para às 11h.
Déborah Cristina Almeida será velada a partir das 22h deste sábado na Funerária Ângelo Cunha, unidade 2, em Uberlândia. O sepultamento está marcado para às 14h, no Cemitério Bom Pastor.
A reportagem ainda não recebeu informações sobre o velório e sepultamento de Sérgio Guimarães. As informações serão atualizadas neste espaço.
Quem foi Beto Oliveira?
Quando tinha cerca de 16 anos, José Weberton de Oliveira (conhecido como Beto Oliveira) trabalhava na Chocolândia. Foi após atender uma pessoa com educação, convencimento e personalidade que foi chamado pelo cliente para trabalhar em um estúdio de fotografia. Começou como assistente de fotografia, na época chamado MF estúdio. Aos poucos, ele foi se tornando um bom fotógrafo, profissão que praticou com excelência e sensibilidade até o último de seus dias.

Segundo pessoas que o acompanharam neste começo de carreira, logo em seus primeiros clicks, Beto já apresentava sensibilidade, talento com a luz, um pensamento crítico para refletir sobre todos os aspectos da vida. Algo que o fez, desde o início, alguém com potencial de se tornar um grande fotógrafo.
Neste estúdio publicitário, aprendeu enquanto fotografava até os 22 anos, quando foi trabalhar no Jornal Correio de Uberlândia. Após isso, dominou o fotojornalismo, arte a qual dedicou a vida. Durante a vida, realizou trabalhos documentais na Amazônia, no Xingu e fotografou várias obras de artistas de Uberlândia.
Durante mais de 30 anos, esteve envolvido no registro de eventos culturais importantes na cidade, onde foi responsável por fotografar grandes artistas, peças e apresentações. Neste trabalho, foi responsável por realizar três exposições sobre o projeto “Uberlândia Rota das Culturas”, em um trabalho que resgatou momentos marcantes para a vida cultural da cidade. Além disso, também realizou um trabalho fundamental à memória de Minas Gerais, e assinou o livro Retratos de Minas, após uma viagem de 40 dias por todo o território mineiro.
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Beto Oliveira é descrito como uma pessoa de sensibilidade única, grande empatia e que era preocupado com grandes causas, principalmente as ambientais e culturais. Plantava árvores e era preocupado com o reflorestamento, e suas fotografias de movimentos culturais são descritas como “poesia visual”. Pessoas que trabalhavam com ele afirmam que, através de suas lentes, qualquer imagem se tornava uma obra.
Nos últimos dias, Beto trabalhava em uma multinacional ligada ao agronegócio. Após o acidente, ele deixa quatro filhos e uma série de registros que não o permitirão sumir da memória da cidade e nem permitir que a própria cidade fuja das nossas memórias.
Veja parte do trabalho de Beto Oliveira aqui.
Quem foi Deborah Almeida?
Déborah Cristina Inácio de Almeida, de 39 anos, formada em música pela UFU, atuava com musicoterapia e musicalização infantil, como artista, modelo e professora. Trabalhou no Grupo Emcantar, no Colégio Pomar, e foi fundadora e professora no Sollar Espaço Musical. Em seus últimos dias, estava trabalhando em um projeto para levar crianças da zona rural de Uberlândia para assistir concertos pela primeira vez.

Déborah era descrita como uma pessoa extremamente feliz e de sorriso fácil. Adorava contar histórias e, mesmo nas mais tristes, o fazia com um sorriso no rosto e um senso de humor que alegrava todos à sua volta. Para os próximos, sua risada escandalosa será uma das maiores saudades.
Além de uma profissional preocupada com o desenvolvimento intelectual e cultural das crianças de Uberlândia, era uma mãe dedicada e amorosa. Um exemplo diário de maternidade para as pessoas que a cercavam. Ela era casada com um músico percussionista e deixa um filho de 4 anos.
Neste momento de profunda despedida, amigos de Débora estão arrecadando contribuições para ajudar sua família a custear as despesas do velório e do sepultamento. O contato é:
- Chave Pix CPF: 090.892.616-21
- Nome: Henrique de Oliveira Santos
Quem foi Sérgio Guimarães?

Sérgio Guimarães Costa Filho, de 38 anos, era ator, mas atuava no ramo de tecnologia e de engenharia de software. Quando era adolecente, tinha uma banda de rock chamada Tartaruga Tchê. Mesmo atuando no ramo tecnológico, conciliava seu trabalho com o amor pela cultura e com o audiovisual.
Era responsável pelo desenvolvimento criativo e a filmagem de comerciais, e sempre foi muito interessado pelo teatro, onde atuou como ator e figurante. Pessoas próximas o descrevem como uma pessoa gentil, alegre e proativa. Não media esforços para ajudar o próximo.