Uberlândia registra 250 incêndios no 1º semestre; estiagem aumenta risco de queimadas

Levantamento do Corpo de Bombeiros aponta crescimento das queimadas com o avanço da seca; especialistas reforçam medidas de prevenção no Dia de Proteção às Florestas

, em Uberlândia

O avanço da estiagem já reflete no número de incêndios registrados em Uberlândia. Conforme levantamento do 5º Batalhão de Bombeiros Militar (5º BBM), entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizadas 250 ocorrências, com forte aumento a partir de abril e pico em maio, período marcado pela redução das chuvas, baixa umidade do ar e temperaturas elevadas. O cenário ganha ainda mais atenção nesta sexta-feira (17), quando é celebrado o Dia de Proteção às Florestas, data dedicada à conscientização sobre a preservação ambiental e o combate às queimadas.

Queimadas em Uberlândia
Dia de Proteção às Florestas reforça a importância da prevenção em meio ao aumento dos incêndios e à baixa umidade do ar no Triângulo Mineiro – Crédito: Freepik/Reprodução

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Incêndios em Uberlândia

O pico ocorreu em maio deste ano, com 104 registros, seguido por junho, com 74 casos, período em que a redução das chuvas e a baixa umidade deixam a vegetação mais suscetível ao fogo.

Os dados também mostram que os incêndios se concentram principalmente em áreas urbanas. Somente nos seis primeiros meses de 2026, 126 ocorrências foram registradas em lotes vagos, o equivalente a mais da metade de todos os atendimentos relacionados ao fogo.

Na sequência aparecem os incêndios em áreas urbanas não protegidas (80 casos) e às margens de rodovias (21).

Segundo o meteorologista Denis Garcia, o cenário é consequência da atuação de um bloqueio atmosférico que impede o avanço de frentes frias e da umidade para o Sudeste.

“Esse sistema atua como uma barreira, impedindo que as frentes frias e a umidade vindas do Sul do país avancem em direção ao Sudeste, mantendo o ar seco na região.”

Ele explica que esse bloqueio também reduz significativamente a formação de nuvens, favorecendo dias ensolarados, baixa umidade e ausência de precipitação.

Histórico mostra que agosto e setembro concentram mais focos

Embora os números de 2026 já indiquem um aumento das ocorrências, o histórico revela que o período de maior preocupação ainda está por vir.

Em 2025, Uberlândia registrou 782 incêndios ao longo do ano. Desse total, 374 ocorreram apenas em agosto e setembro, meses que tradicionalmente concentram a estiagem mais intensa.

Somente em agosto foram registrados 200 incêndios, enquanto setembro contabilizou 174 ocorrências.

Os dados do ano passado também reforçam que os lotes vagos continuam sendo os locais mais atingidos, com 324 incêndios, seguidos pelas áreas urbanas não protegidas (210) e pelas margens de rodovias (86).

Para os meteorologistas, esse histórico demonstra que, com a permanência do tempo seco nas próximas semanas, a tendência é de aumento do número de focos de incêndio até a chegada das chuvas.

Qualidade do ar piora durante a estiagem

Além dos incêndios, o período seco também impacta diretamente a qualidade do ar. Segundo Denis Garcia, sem chuva e com pouca circulação de ventos, partículas de poeira, fumaça de queimadas e gases emitidos permanecem concentrados nas camadas mais baixas da atmosfera.

O resultado é a formação da conhecida “névoa cinzenta”, além do aumento da poluição atmosférica e do agravamento de problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

A estiagem também reduz rapidamente a umidade do solo, intensificando o estresse hídrico da vegetação, prejudicando lavouras e contribuindo para a diminuição do nível dos reservatórios.

Umidade pode atingir níveis semelhantes aos de regiões desérticas

O meteorologista Ruibran dos Reis também alerta que, durante o outono e o inverno, a umidade relativa do ar no Triângulo Mineiro pode atingir índices extremamente baixos.

Segundo ele, os valores podem variar entre 9% e 12%, patamar considerado semelhante ao encontrado em áreas desérticas.

Para o especialista, a sequência prolongada de dias sem chuva faz com que a vegetação fique altamente inflamável, aumentando significativamente o potencial para o surgimento e a rápida propagação de focos de incêndio.

Outro fator que pode contribuir para esse cenário neste ano é a influência do El Niño, que favorece a ocorrência de ondas de calor e prolonga períodos de tempo seco em diversas áreas do país.

Leia Mais: Onda de calor se aproxima do Triângulo; veja onde as temperaturas serão maiores

Além da escassez de umidade, os ventos são determinantes para o agravamento dos incêndios, especialmente quando rajadas ultrapassam 30 km/h. Somam-se a esse cenário de risco a estiagem prolongada, as altas temperaturas e o elevado índice de ressecamento da vegetação.

Conforme explica o meteorologista Ruibran dos Reis, o relevo plano do Triângulo Mineiro favorece ventos constantes ao longo do dia, o que atua como um agente facilitador tanto para manter o foco do incêndio quanto para espalhar as chamas rapidamente por extensas áreas.

Dia de Proteção às Florestas reforça prevenção às queimadas

Celebrado em 17 de julho, o Dia de Proteção às Florestas foi instituído no Brasil em 1965, por meio do Decreto Federal nº 55.795, com o objetivo de conscientizar a população sobre a preservação das florestas e dos demais ecossistemas naturais.

A data ganha ainda mais relevância no Triângulo Mineiro, onde a vegetação predominante é o Cerrado, considerado o segundo maior bioma do país e um dos mais ricos em biodiversidade do mundo.

No Triângulo Mineiro, a preservação dessas áreas naturais também é estratégica para a manutenção da atividade agropecuária, principal base econômica da região, já que o equilíbrio hídrico e climático depende diretamente da conservação da vegetação nativa.

Em Uberlândia, um dos principais exemplos desse patrimônio ambiental é o Parque Municipal do Sabiá, uma das maiores áreas verdes urbanas de Minas Gerais.

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) também desenvolve projetos de pesquisa e extensão voltados à conservação do Cerrado e à recuperação de áreas degradadas, enquanto ações de reflorestamento promovidas pelo poder público e por organizações ambientais buscam ampliar a cobertura vegetal do município.

O Corpo de Bombeiros reforça que a maioria dos incêndios pode ser evitada com atitudes preventivas. Nesta época do ano, marcada pela baixa umidade do ar e pela vegetação ressecada, pequenos cuidados fazem a diferença para reduzir o risco de queimadas:

  • Não colocar fogo em lixo, folhas secas ou restos de poda;
  • Não descartar bitucas de cigarro em rodovias ou áreas com vegetação;
  • Evitar queimadas para limpeza de terrenos;
  • Não soltar balões;
  • Acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ao identificar um foco de incêndio.

Continue acompanhando o Paranaíba Mais para conferir informações atualizadas sobre o clima, serviços, segurança e tudo o que acontece no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.