Mel de Minas em perigo? Programa tenta frear perdas de abelhas e combater fraudes
Iniciativa reúne governo, pesquisadores e produtores e mira rastreabilidade, qualidade e valorização do mel mineiro
O Governo de Minas Gerais, instituições de pesquisa e entidades do setor produtivo lançaram em Belo Horizonte o programa Colmeia de Minas, uma estratégia para reorganizar a cadeia do mel no estado. A iniciativa surge em meio a problemas como mortalidade de abelhas, suspeitas de adulteração de produtos apícolas, falta de rastreabilidade e ausência de dados consolidados da produção.
O plano envolve a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a Instituto Mineiro de Agropecuária, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e instituições de ensino.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Apicultura mineira entra em alerta com perdas e falta de controle
Minas Gerais, um dos principais polos de produção de mel do país, enfrenta um conjunto de desafios que impactam diretamente produtores e consumidores.
Entre os principais pontos estão a redução de colmeias em algumas regiões, fragilidade no controle de qualidade e dificuldade de rastrear a origem do produto que chega ao mercado.
Esse cenário levou governo e setor produtivo a estruturar uma ação conjunta para reorganizar a atividade.
Programa tenta “arrumar a casa” do mel de Minas
O Colmeia de Minas foi apresentado na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) como uma tentativa de integrar ações hoje dispersas entre diferentes órgãos.
A proposta é centralizar políticas, pesquisas e programas de apoio que já existem, mas atuam de forma isolada, reduzindo impacto e alcance.
A coordenação envolve a Federação Mineira de Apicultura (Femap) e apoio direto de órgãos estaduais e instituições acadêmicas.
Rastreabilidade e selo de origem estão no centro da estratégia
Um dos focos do programa é a criação de mecanismos que permitam identificar com precisão a origem do mel produzido em Minas.
A ideia é avançar em sistemas de rastreabilidade e avaliar a criação de um selo de qualidade e procedência, ampliando a confiança do consumidor e agregando valor ao produto.
O modelo é inspirado em experiências já consolidadas no estado, como o do Queijo Minas Artesanal.
Leia Mais: Melhor queijo artesanal: produtores de 19 países disputam prêmio em Araxá
A estrutura do Colmeia de Minas será dividida em seis eixos principais:
- governança do setor
- inovação tecnológica
- qualificação da produção
- rastreabilidade
- defesa sanitária
- bioeconomia e valorização territorial
A proposta é que essas frentes funcionem de forma integrada e contínua, com planejamento de longo prazo.
“Setor estava disperso”, dizem representantes
Segundo o vice-presidente da Femap, Elizeu Araújo, a cadeia produtiva do mel em Minas operava com iniciativas fragmentadas entre diferentes instituições.
“Precisávamos de um programa que centralizasse as ações. Existiam projetos do Senar, da Seapa e do Sebrae, mas cada um atuava de forma isolada”, afirmou.
A avaliação é de que a integração pode aumentar a eficiência das políticas e melhorar a competitividade do setor.
A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais ficará responsável pela articulação institucional e captação de recursos para o programa.
Também fazem parte da execução em campo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e o Instituto Mineiro de Agropecuária.
Entre as ações já em andamento, o governo distribui kits apícolas a agricultores familiares, com equipamentos básicos para manejo das colmeias.
Minas lidera produção em várias regiões
O estado mantém produção distribuída entre diferentes municípios, com destaque para:
- Itapecerica – 460 toneladas
- Bocaiúva – 325 toneladas
- Sabinópolis – 228 toneladas
- Itamarandiba – 185 toneladas
- Formiga – 168 toneladas