HVU de Uberaba atendeu quase mil animais silvestres em 2025; aves lideram ocorrências
Hospital veterinário atendeu 952 animais em um ano marcado por apreensões, resgates urbanos e predominância de aves vítimas do tráfico
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Entre espécies comuns e ameaçadas de extinção, o HVU de Uberaba encerrou 2025 com um balanço expressivo no atendimento à fauna silvestre. Ao longo do ano, o Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube contabilizou 952 animais atendidos. O levantamento aponta que as aves foram amplamente predominantes, refletindo um cenário recorrente de resgates e apreensões ligadas ao tráfico ilegal.

A maioria dos animais resgatados são provenientes de áreas urbanas e periurbanas, principalmente de Uberaba, que concentrou 755 ocorrências. Além do município-sede, o hospital recebeu animais de cidades da região, como Iturama, com 129 registros, Araxá, com 22, e Frutal, com 11 atendimentos.
Hoje, o HVU de Uberaba mantém sob cuidados clínicos animais resgatados em diferentes contextos. Entre eles estão duas araras-canindé, um papagaio-verdadeiro, uma maritaca, uma maracanã-nobre e uma jiboia-cinzenta. Os casos envolvem tanto resgates realizados pela Polícia Ambiental quanto pelo Corpo de Bombeiros.
Aves concentram a maioria dos atendimentos
As aves lideraram com folga os atendimentos em 2025. A maritaca foi a espécie mais registrada, com 218 indivíduos, seguida pelo papagaio-verdadeiro, com 123, e canário, com 113 atendimentos. Também foram recebidas 48 araras-canindé e 33 periquitos-do-encontro.
Grande parte desses casos teve origem em apreensões realizadas pela Polícia Ambiental. Papagaios, araras e canários-da-terra estão entre as principais vítimas do tráfico de animais silvestres, realidade que se repete no cenário nacional e impacta diretamente o volume de atendimentos do hospital.
Um episódio marcante, já neste ano, envolveu a apreensão de 122 canários-peruanos (espécie exótica) mantidos em condições inadequadas em Uberaba. As aves foram acolhidas pelo HVU, passaram por avaliação clínica e foram destinadas ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS)
Levantamento de outros animais atendidos pelo HVU de Uberaba em 2025:
Répteis:
- Jabuti — 29
Mamíferos:
- Gambá — 44
- Sagui-do-tufo-preto — 8
- Ouriço-cacheiro — 8
- Tamanduá-bandeira — 7
- Veado-catingueiro — 7
De onde vêm os animais resgatados pelo HVU de Uberaba?
Segundo o levantamento realizado pelo HVU de Uberaba, observou-se predominância de casos em que os animais se encontravam em locais inapropriados, como quintais e residências, sendo retirados para evitar ataques ou acidentes com moradores (22,2%). Também foram frequentes os atendimentos a filhotes com necessidade de cuidados neonatais (20,5%). Em seguida, destacaram-se os traumas com fraturas (15,1%) e as ocorrências relacionadas a apreensão, cativeiro irregular ou entrega voluntária (14,8%).
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Histórias que marcaram os atendimentos do HVU de Uberaba

O hospital recebeu duas jaguatiricas filhotes, um macho e uma fêmea, vindas de Frutal. Com idade estimada entre 30 e 45 dias, os animais não apresentavam lesões aparentes, mas estavam desnutridos. Ambos passaram a receber cuidados intensivos e manejo nutricional específico.
Outro caso envolveu um filhote macho de jaguatirica resgatado em Sacramento, com suspeita de atropelamento. O animal apresentou lesão na coluna vertebral e precisou ser submetido a monitoramento clínico contínuo, com suporte analgésico e exames.

Entre os mamíferos, um filhote de tamanduá-bandeira foi encaminhado ao HVU após sofrer ataque de cães na zona rural de Uberaba. Com ferimentos e suspeita de fratura na pelve, o animal recebeu cuidados intensivos.
Orientações ao encontrar animais silvestres
O HVU de Uberaba orienta que a população mantenha distância ao se deparar com animais silvestres, especialmente filhotes. Não é recomendado tentar recolher, alimentar ou manipular o animal, mesmo que pareça abandonado.
A recomendação é evitar aglomerações e acionar imediatamente a Polícia Militar de Meio Ambiente ou o Corpo de Bombeiros Militar. O procedimento correto garante a segurança das pessoas e aumenta as chances de recuperação e retorno do animal ao habitat natural.