Excesso de nutrientes explica “tapete verde” na prainha de Cachoeira Dourada
Especialista aponta eutrofização como causa da proliferação de algas que afeta turismo, gera mau cheiro e reduz oxigenação do rio
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O avanço de algas que transformou a prainha de Cachoeira Dourada em um “tapete verde” está diretamente ligado ao excesso de nutrientes na água, segundo a diretora técnica dos projetos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, Angélica Spirandelli. O fenômeno, conhecido como eutrofização, tem provocado mudanças visíveis no cenário às margens do Rio Paranaíba e já impacta o turismo e o meio ambiente.
“Esse processo acontece devido ao excesso de nutrientes e causa proliferação das algas. Gera uma situação desagradável quanto ao odor e à visibilidade da água. Não faz mal para a pele, mas causa desconforto. Diretamente não faz mal”, afirmou ao Paranaíba Mais.

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De acordo com a especialista, o principal impacto ocorre abaixo da superfície. A presença excessiva de algas reduz a entrada de luz na água, comprometendo a oxigenação e afetando diretamente a fauna aquática.
“Entra menos luz na água, isso causa diminuição do oxigênio e, por isso, a morte dos peixes. Esse sim é um problema relevante”, explicou.
O cenário atual impede atividades como banho e navegação na prainha, que antes era um dos principais pontos de lazer da cidade. Moradores e comerciantes relatam queda no movimento, atribuída ao mau cheiro e ao aspecto da água, praticamente encoberta por vegetação aquática.

Diante da situação, foi criado um grupo de trabalho para investigar as causas e propor soluções. O chamado “GT Algas” reúne representantes de municípios da região, pescadores, população, especialistas e autoridades públicas.
“Foi criado um grupo de trabalho envolvendo todos os entes diretamente ligados para buscar uma solução emergencial e também definitiva. Ainda não temos um cronograma fechado, mas estamos próximos de encontrar uma resposta”, disse Spirandelli.
Segundo ela, apesar de já se conhecer o mecanismo do problema, ainda não há confirmação sobre sua origem. “A gente não tem as respostas ainda. O grupo foi formado justamente para estudar e descobrir onde está a causa, para eliminar o problema na raiz.”
Entre as ações em andamento está a contratação de estudos técnicos para identificar os fatores responsáveis pelo aumento de nutrientes na água. A análise deve considerar desde condições climáticas até possíveis interferências ao longo do curso do rio.
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Enquanto isso, a prefeitura mantém medidas paliativas, como mutirões de limpeza, mas reconhece limitações operacionais. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público Federal, que atua na fiscalização e cobrança por medidas de longo prazo.
Embora não represente risco direto à saúde humana, o fenômeno compromete a qualidade ambiental do rio, afeta a pesca e impacta atividades econômicas ligadas ao turismo. Para moradores, a expectativa é que a identificação da causa permita a adoção de soluções definitivas para recuperar a prainha.