Excesso de nutrientes explica “tapete verde” na prainha de Cachoeira Dourada

Especialista aponta eutrofização como causa da proliferação de algas que afeta turismo, gera mau cheiro e reduz oxigenação do rio

, em Uberlândia

-

O avanço de algas que transformou a prainha de Cachoeira Dourada em um “tapete verde” está diretamente ligado ao excesso de nutrientes na água, segundo a diretora técnica dos projetos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, Angélica Spirandelli. O fenômeno, conhecido como eutrofização, tem provocado mudanças visíveis no cenário às margens do Rio Paranaíba e já impacta o turismo e o meio ambiente.

“Esse processo acontece devido ao excesso de nutrientes e causa proliferação das algas. Gera uma situação desagradável quanto ao odor e à visibilidade da água. Não faz mal para a pele, mas causa desconforto. Diretamente não faz mal”, afirmou ao Paranaíba Mais.

Proliferação de algas cobre a água na prainha e altera condições ambientais do rio – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

De acordo com a especialista, o principal impacto ocorre abaixo da superfície. A presença excessiva de algas reduz a entrada de luz na água, comprometendo a oxigenação e afetando diretamente a fauna aquática.

“Entra menos luz na água, isso causa diminuição do oxigênio e, por isso, a morte dos peixes. Esse sim é um problema relevante”, explicou.

O cenário atual impede atividades como banho e navegação na prainha, que antes era um dos principais pontos de lazer da cidade. Moradores e comerciantes relatam queda no movimento, atribuída ao mau cheiro e ao aspecto da água, praticamente encoberta por vegetação aquática.

Angélica Spirandelli, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, explicou que excesso de nutrientes está por trás da proliferação de algas na prainha de Cachoeira Dourada – Crédito: Paranaíba Mais

Diante da situação, foi criado um grupo de trabalho para investigar as causas e propor soluções. O chamado “GT Algas” reúne representantes de municípios da região, pescadores, população, especialistas e autoridades públicas.

“Foi criado um grupo de trabalho envolvendo todos os entes diretamente ligados para buscar uma solução emergencial e também definitiva. Ainda não temos um cronograma fechado, mas estamos próximos de encontrar uma resposta”, disse Spirandelli.

Segundo ela, apesar de já se conhecer o mecanismo do problema, ainda não há confirmação sobre sua origem. “A gente não tem as respostas ainda. O grupo foi formado justamente para estudar e descobrir onde está a causa, para eliminar o problema na raiz.”

Entre as ações em andamento está a contratação de estudos técnicos para identificar os fatores responsáveis pelo aumento de nutrientes na água. A análise deve considerar desde condições climáticas até possíveis interferências ao longo do curso do rio.

×

Leia Mais

Enquanto isso, a prefeitura mantém medidas paliativas, como mutirões de limpeza, mas reconhece limitações operacionais. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público Federal, que atua na fiscalização e cobrança por medidas de longo prazo.

Embora não represente risco direto à saúde humana, o fenômeno compromete a qualidade ambiental do rio, afeta a pesca e impacta atividades econômicas ligadas ao turismo. Para moradores, a expectativa é que a identificação da causa permita a adoção de soluções definitivas para recuperar a prainha.