Cometa 3I/Atlas pode não ser um cometa? Novo estudo levanta dúvidas
Cientistas que estudam o objeto interestelar acreditam que o cometa 3I/Atlas pode ser um asteroide; fenômeno se aproxima da Terra em 19 de dezembro
O mistério sobre o cometa 3I/Atlas permanece desde que o objeto interestelar, que é de outro sistema solar, foi descoberto em julho deste ano. Conforme ele se aproxima da Terra, cientistas analisaram imagens e acreditam que ele pode ser um asteroide. O objeto estará mais próximo do nosso planeta na próxima sexta-feira (19).

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As análises dos cientistas Josep M. Trigo-Rodríguez, Maria Gritsevich e Jürgen Blum indicam que o visitante do nosso sistema solar libera jatos a partir de regiões específicas da superfície. Conforme o estudo, esse comportamento mostra a presença de “vulcões de gelo” – também conhecidos como criovulcanismo.
Segundo o portal R7, o estudo aponta que cometas comuns costumam ser revestidos por um manto de poeira que funciona como isolante, protegendo o gelo abaixo da superfície, limitando a liberação de gases e evitando um aumento descontrolado de brilho. Para os pesquisadores, o objeto interestelar não apresenta essa camada protetora.
“Mesmo quando um cometa passa por uma explosão, o manto de poeira geralmente se recompõe rapidamente ou o sistema entra em equilíbrio térmico, fazendo com que o brilho volte ao padrão anterior. O 3I, por ser primitivo e nunca ter passado por processamento térmico, provavelmente não possui esse manto”, afirma o estudo.
Outro aspecto que chamou a atenção dos cientistas foi a alta velocidade com que o 3I/Atlas ingressou no Sistema Solar, o que indica que ele pode ter sido arremessado ao espaço após um encontro considerado “violento” em seu sistema de origem.
Essas características reforçam a hipótese de que o objeto seja um asteroide rico em carbono e metais, com uma estrutura sólida semelhante à de alguns asteroides já conhecidos no Sistema Solar.
Apesar disso, a Nasa classifica o visitante interestelar como um cometa e garante que ele não representa risco para a Terra. A menor aproximação do objeto com o planeta ocorrerá em 19 de dezembro, quando passará a cerca de 270 milhões de quilômetros de distância.
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O que é o cometa 3I/Atlas
O tamanho e as propriedades físicas do cometa interestelar estão sendo investigados por astrônomos ao redor do mundo. O corpo celeste possui um núcleo gelado e uma “coma” (uma nuvem brilhante de gás e poeira que circunda um cometa à medida que se aproxima do Sol).
Embora os cientistas ainda não saibam o tamanho exato do 3I/Atlas, é provável que o diâmetro de seu núcleo não seja menor que 440 metros e não maior que 5,6 quilômetros. A constatação foi possível a partir de observações do Telescópio Espacial Hubble em 20 de agosto.
A velocidade com que ele se move é impressionante para os especialistas. O cometa 3I/Atlas viaja a 221 mil quilômetros por hora. A previsão é de que sua velocidade aumente à medida que se aproxime do Sol.
Observações de sua trajetória permitiram constatar que ele foi originado em outro sistema solar. Por milhões ou até bilhões de anos, ele vagou até chegar recentemente ao nosso sistema solar.
Além dele, outros três cometas interestelares já foram descobertos passando pela nossa vizinhança celeste. Em 2017, o Oumuamua foi o primeiro objeto interestelar conhecido, seguido pelo 2I/Borisov, em 2019.
