Chuva de quatro anos cai em quatro dias e causa prejuízo bilionário; veja locais
Tempestade classificada como evento extremo despeja em poucos dias volume equivalente a quatro anos de precipitação no Deserto do Atacama
Uma chuva fora do padrão histórico surpreendeu especialistas nos últimos dias e já é tratada como um marco climático raro. O acumulado de precipitação registrado em apenas quatro dias equivale, segundo estimativas, a praticamente quatro anos de chuva na média da região, um volume que normalmente levaria muito mais tempo para se formar em uma área conhecida por seu clima extremamente seco. Os estragos são grandes, e o prejuízo ao país já ultrapassa 400 milhões de dólares.

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O meteorologista Jaime Leyton explicou ao Diario de Atacama que antes mesmo da tempestade acabar, alguns pontos já haviam ultrapassado os 250 milímetros de água acumulada em quatro dias. Segundo o especialista, uma estimativa aponta que 240 milímetros de chuva representam, em termos de média regional, praticamente o total esperado para quatro anos de precipitação.
Leyton destacou ainda que a situação é mais intensa em áreas do interior, como encostas e vales, que costumam receber entre o dobro e o quádruplo da média anual de chuva registrada no litoral. Para o meteorologista, o fenômeno foi classificado como evento extremo justamente por se mostrar completamente fora do padrão das estatísticas disponíveis para a região.
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Chuva deixa mortos, feridos e prejuízo bilionário
Os efeitos da chuva forte já são contabilizados em números expressivos. Segundo dados do jornal Emol, o último relatório da Senapred apontou 13 mortes em todo o país, cerca de 29 mil casas com algum grau de dano e aproximadamente 65 mil pessoas diretamente afetadas, entre feridos, desabrigados, abrigados e isolados.
Ainda de acordo com o Emol, um levantamento da consultoria Colliers estima que os prejuízos causados pela frente fria já ultrapassam 700 milhões de dólares. O vice-presidente da Colliers, Reinaldo Gleisner, afirmou que os custos com infraestrutura pública, conectividade, redes elétricas e serviços básicos superam 400 milhões de dólares, enquanto os danos habitacionais somam cerca de 200 milhões de dólares.
O levantamento citado pelo Emol também aponta perdas próximas de 75 milhões de dólares no setor agrícola, com alagamento de áreas plantadas, danos à infraestrutura de irrigação e perda de vinhedos em regiões produtoras. Comércio, turismo e mineração somam ao menos mais 50 milhões de dólares em prejuízos, segundo o mesmo executivo.
ESTADO DE CATÁSTROFE EN LA REGION DE COQUIMBO Y PROVINCIA DEL HUASCO
En Desarrollo:bGobierno Decretó Estado de Excepción Constitucional de Catástrofe en toda la Región de Coquimbo y Provincia del Huasco, Región de Atacama.
Para enfrentar graves daños causados por el histórico… pic.twitter.com/htn994ei3Y— jorge budrovich (@rgcqcl) July 20, 2026
Chuva forte agrava falta de água e energia elétrica
Ainda segundo o Emol , a crise sanitária segue sem solução completa em diversas cidades. Segundo o mais recente boletim da Senapred, mais de 176 mil clientes estavam sem abastecimento de água em uma das regiões atingidas, enquanto outros milhares enfrentavam a mesma situação em áreas vizinhas.
O gerente regional da companhia responsável pelo fornecimento, Andrés Naze, explicou ao Emol que o transbordamento de um reservatório obrigou a suspender novamente o serviço que havia sido parcialmente restabelecido, com previsão de normalização apenas no fim de semana, caso as condições dos rios permitam. Para amenizar o problema, a empresa distribuiu tanques fixos e caminhões pipa pelas rotas de acesso às comunidades mais afetadas.
Os cortes de energia elétrica também seguem entre os efeitos mais sentidos da chuva forte. De acordo com o Emol, dados da Superintendência de Eletricidade e Combustíveis mostravam milhares de clientes ainda sem luz dias após a passagem do temporal, resultado de mais de três mil pontos de falha na rede que exigiram reconstrução de postes, linhas de transmissão e equipamentos essenciais.
O Emol também informou que o órgão regulador abriu um procedimento administrativo contra uma distribuidora de energia após identificar clientes que ficaram mais de três dias consecutivos sem eletricidade, prazo superior ao permitido pelas normas técnicas de qualidade do serviço. A superintendente do órgão afirmou que, caso confirmadas, as falhas serão sancionadas conforme a legislação vigente.
Después de ésto, imagino que ya saben dónde no autorizar construcciones.#GobiernoDeInútiles #Temporal
Coquimbo La Serena Atacama Estado de Catástrofe Poduje pic.twitter.com/upmKn3DzXy— José Manuel 🇨🇱 ✊ 🍊 🌳 🇨🇱 78% 🇵🇸 (@Ahanubis) July 21, 2026
Chuva forte supera recordes de 2015 e 2017
Ainda segundo a ADN Radio, especialistas comparam a atual sequência de chuva forte com os episódios registrados em 2015 e 2017, quando deslizamentos de terra atingiram a região após acumulados entre 200 e 250 milímetros. Nas contas mais recentes, o volume já teria superado os patamares observados naqueles dois anos, o que reforça o caráter excepcional do fenômeno atual.
Calor extremo sucede a chuva no norte do país
O mesmo sistema frontal que provocou a chuva histórica deve dar lugar a uma mudança brusca de temperatura. Conforme informou a ADN Radio, a Direção Meteorológica do Chile emitiu alerta de altas temperaturas para partes de Tarapacá, Antofagasta e Atacama, válido da manhã até a tarde de sexta-feira (24) com termômetros podendo chegar a 31 graus em algumas áreas.
No litoral, a previsão indica temperaturas entre 25 e 28 graus, enquanto a Cordilheira da Costa e os vales podem registrar entre 28 e 30 graus. Já a região dos Pampas deve concentrar as marcas mais altas, entre 29 e 31 graus. Mais ao norte, Tarapacá pode chegar a 35 graus e Antofagasta a 34 graus na sexta-feira. Diante do contraste entre os dias de chuva forte e o calor que se aproxima, autoridades recomendam evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes, manter-se hidratado e redobrar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Saúde reforça monitoramento após temporal
Segundo o Emol, o Ministério da Saúde enviou a própria ministra da pasta às áreas mais atingidas para coordenar as medidas sanitárias em resposta à emergência provocada pela chuva forte. Entre as ações estão o reforço da vigilância da qualidade da água, o monitoramento do manuseio seguro de alimentos, a gestão de resíduos e a detecção precoce de doenças respiratórias e gastrointestinais. A pasta também informou que revisará a situação vacinal de vítimas, voluntários e socorristas expostos a esgoto, lama e outros riscos durante os trabalhos de resgate.
Com a tempestade ainda deixando sequelas e o calor chegando logo em seguida, moradores das áreas atingidas seguem em alerta, enquanto equipes de emergência trabalham para restabelecer serviços básicos e avaliar toda a extensão dos danos causados por uma das chuvas mais intensas já registradas na região.
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