Líder de culto queniano é acusado por mais 53 mortes orquestradas de dentro da prisão
Paul Mackenzie teria atraído mais vítimas à morte, mesmo detido pela morte de outras 429 pessoas, incluindo crianças
O líder de culto queniano Paul Mackenzie foi acusado pela morte de mais 53 pessoas, orquestradas de dentro da prisão. Em 2023, o autoproclamado pastor foi preso após 429 corpos, inclusive de crianças, serem encontrados em uma vala comum no país, envolvidas em um ritual de jejum até a morte. A seita pregava que crianças deveriam morrer mais rápido pela fome, além de proclamar uma batalha espiritual que culminaria no apocalípse e no encontro dos fiéis com Jesus.

O Gabinete do Diretor de Acusações Públicas (Office of The Director Of Public Prosecutions) do Quênia, acusou formalmente o líder de culto queniano de se envolver ainda preso, na morte de mais 53 pessoas no país. O indiciamento será por participação em atividades criminosas organizadas, radicalização, facilitação de atos terroristas e homicídio.
“O caso está sendo conduzido por Racheal Amala, em nome do Ministério Público. Essas novas acusações surgem duas semanas depois de o Ministério Público ter obtido um sucesso significativo em um caso relacionado, quando o co-réu de Mackenzie, Enos Amanya, também conhecido como Halleluhya, se declarou culpado de cometer 191 assassinatos em um caso separado no Tribunal Superior de Mombasa”, afirmou o órgão.
De acordo com os promotores, há “suspeitas razoáveis de que Mackenzie tenha arquitetado” os episódios e de que teria recorrido a “ensinamentos radicais e estruturas coordenadas para atrair vítimas” para a localidade isolada. Segundo a acusação, investigadores também apreenderam anotações manuscritas nas celas da prisão ocupadas pelo líder de culto queniano, que supostamente detalham transações realizadas por meio de telefones celulares.
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Os crimes do líder de culto queniano
O pastor autoproclamado Paul Mackenzie foi detido em 2023 depois que 429 corpos, entre eles os de crianças, foram encontrados enterrados em valas comuns na remota floresta de Shakahola, próxima à cidade costeira de Malindi. As autópsias oficiais realizadas em parte dos corpos localizados na floresta apontaram indícios de inanição, sufocamento e agressões físicas.
Ex-integrantes da igreja relataram que eram obrigados a jejuar como parte da adesão aos ensinamentos do grupo. Em entrevista concedida ao jornal Kenyan Nation, Mackenzie negou ter imposto o jejum a seus seguidores.
“Existe alguma casa, curral ou algum tipo de muro que tenha sido encontrado [na fazenda] onde pessoas possam ter sido mantidas presas?”, respondeu ele ao ser questionado pelo repórter sobre as acusações.
“Crianças devem morrer primeiro”
As crianças foram as primeiras a morrer de fome durante os rituais do líder de culto queniano. Um ex-pregador adjunto do grupo afirmou ao New York Times que os menores eram os primeiros a morrer, seguindo a orientação de “jejuar ao sol para morrerem mais rápido”.
Segundo relatos, ele também orientava as mães a não buscarem atendimento médico durante o parto e a não vacinarem seus filhos. Em uma das pregações da igreja, uma mulher conta que auxiliou no nascimento de um bebê apenas por meio de orações, sem a realização de cesariana, e relata ainda que, posteriormente, teria recebido um “impulso” do Espírito Santo para alertar uma vizinha contra a vacinação da criança.
Autoridades locais afirmam que Mackenzie, líder da Igreja Good News International, ordenou que seus seguidores no sudeste do Quênia se submetessem à fome, inclusive com seus filhos, para que pudessem chegar ao céu antes do fim do mundo. Pessoas próximas às atividades da seita relataram que Mackenzie teria planejado a fome coletiva em três etapas: primeiro as crianças, depois as mulheres e os homens jovens e, por fim, os homens restantes.