Justiça condena Pâmela Volp a mais de 14 anos de prisão após Operação Libertas
Ex-vereadora de Uberlândia foi condenada pelos crimes de rufianismo (tirar proveito da prostituição alheia), lavagem de dinheiro e organização criminosa
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A ex-vereadora de Uberlândia, Pâmela Volp Rodrigues Cardoso, foi condenada a 14 anos, 6 meses e 28 dias de reclusão pelos crimes de rufianismo (tirar proveito da prostituição alheia), lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A sentença é consequência da “Operação Libertas”, deflagrada em 2021. Pâmela Volp também deverá pagar 32 dias-multa e perdeu todos os bens. A sentença foi assinada pelo juiz Márcio José Tricotti nesta quinta-feira (17).
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Além da ex-vereadora, Paula Florentino, conhecida como Paula Coco, também foi condenada a 21 anos, 10 meses e 18 dias de reclusão, além de 88 dias-multa. Ela foi condenada pelos crimes de rufianismo, lavagem de dinheiro, embaraço (que tenta impedir ou atrapalhar uma investigação de infração penal) e organização criminosa.
Gabriela Francisco Rodrigues também foi condenada pela Justiça. Segundo a sentença, os crimes da decisão foram de rufianismo, lavagem de dinheiro, embaraço e organização criminosa. A pena da ré é de 14 anos, 9 meses e 29 dias de reclusão, além de 23 dias-multa. Conforme a Justiça, as condenadas deverão cumprir as penas em regime inicial fechado.
A sentença também condenou as rés ao pagamento das custas e taxas processuais, e ao pagamento de indenização às vítimas no importe de R$ 20.000,00, a título de danos morais, em favor de cada uma delas.
Segundo o MPMG, as condenações ainda comportam recursos e se somam as inúmeras outras condenações já existentes para as denunciadas e decorrentes da Operação Libertas.
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A Justiça também determinou o confisco de imóveis e veículos relacionados ao esquema criminoso, incluindo um apartamento em Praia Grande (SP), dois imóveis em Uberlândia, um Porsche Boxster e um Chevrolet Spin.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Justiça considerou procedentes todos os pedidos que estavam na denúncia feita pelo órgão. Além das três condenadas, também foram sentenciados:
- Michelli Falcheti: 21 anos, 10 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial fechado, além de 88 dias-multa;
- Ana Paula Carvalho: 7 anos, 9 meses e 29 dias de reclusão em regime semiaberto;
- Maria de Lourdes Cândida Pires: 7 anos, 9 meses e 29 dias de reclusão em regime semiaberto;
- Jorlan Rodrigues da Silva: 7 anos, 9 meses e 29 dias de reclusão em regime semiaberto;
- Mariana Tadeu Bettim Pinto: 18 anos, 5 meses e 29 dias de reclusão em regime inicial fechado, além de 46 dias-multa.
A Operação Libertas
Chefiada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a operação acusou a Pâmela Volp de ser a chefe de um esquema interestadual de exploração sexual de travestis e mulheres trans.
A ex-vereadora de Uberlândia também foi acusada de torturar, ameaçar e extorquir a quem chamava de “filhas” e moravam nos alojamentos administrados por ela. A Operação Libertas foi deflagrada no dia 8 de novembro de 2021, em tramitação pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia.
A operação deflagrou seis fases e verificou a existência de um grupo criminoso com atuação em Uberlândia e Criciúma (SC), que praticava os seguintes crimes: associação criminosa, exploração sexual, casa de prostituição, roubo, lesão corporal, homicídio (tentado e consumado), constrangimento ilegal, ameaça e posse e porte de arma de fogo.
Durante as investigações, foram ouvidas diversas testemunhas que estavam inseridas no meio de prostituição de travestis e mulheres trans, segundo a sentença.
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Os criminosos hospedavam as vítimas em imóveis que eram organizados como pensionatos. Os travestis e as mulheres trans eram cobradas diariamente, sob pena de multas em caso de descumprimento de regras.
A organização criminosa também realizava a cobrança de “pontos” de prostituição na cidade, ou seja, só podiam usar aquele espaço quem morava nos pensionatos ou se pagassem para utilizar o “ponto”.
A decisão ainda expõe que as investigações da Operação Libertas apontam para a exploração financeira das vítimas, que eram obrigadas a realizar cirurgias plásticas, como implantação de silicones.
Os procedimentos estéticos eram realizados em locais inapropriados e de forma desumana. Parte do valor recebido pelas vítimas na prostituição era direcionado para o pagamento dessas cirurgias estéticas e para a quitação de dívidas.