Justiça bloqueia quase R$100 mil de fazendeiro por situação de escravidão
Medida garante o pagamento de direitos a três trabalhadores encontrados em condições degradantes em carvoaria de Serra do Salitre
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Situação de escravidão é motivo para bloqueio de bens de fazendeiro no Alto Paranaíba. Três trabalhadores foram resgatados de uma condição similiar à escravidão em carvoaria localizada no município de Serra do Salitre (MG). Após a denúncia, o Ministério Público do Trabalho (MPT) obteve uma liminar que determinou o bloqueio de R$ 97.748,29 em bens do proprietário rural para garantir o pagamento de verbas trabalhistas e indenizações às vítimas.

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O caso foi descoberto depois que os próprios trabalhadores, em 2024, procuraram a Polícia Militar e relataram as condições em que viviam e trabalhavam. A equipe esteve no local e confirmou diversas irregularidades, incluindo falta de pagamento de salários, ausência de registro em carteira e condições precárias de moradia e alimentação.
Diante da situação constatada, o proprietário do local, um homem de 46 anos, foi preso em flagrante e encaminhado à Polícia Civil, suspeito de manter trabalhadores em situação similar à de escravidão.
Segundo os relatos, os trabalhadores dormiam em alojamento improvisado, com colchões sujos colocados diretamente no chão, sem acesso a água potável, alimentação adequada ou instalações sanitárias dignas. Eles também não recebiam equipamentos de proteção individual, mesmo exercendo uma atividade considerada de alto risco.
No local, a geladeira estava vazia, e os poucos alimentos disponíveis eram mantidos em condições insalubres no quarto do empregador.

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As investigações do Ministério Público do Trabalho confirmaram um cenário de exploração extrema, caracterizando situação de escravidão. De acordo com o procurador do Trabalho, Hermano Martins Domingues, foram identificadas jornadas exaustivas, ausência de descanso semanal remunerado, inexistência de exames médicos e total falta de medidas de saúde e segurança.
Ainda conforme o MPT, os trabalhadores também eram submetidos à chamada servidão por dívida, já que só receberiam qualquer valor caso concluíssem integralmente o serviço, o que os mantinha presos à atividade.
Para evitar que o empregador se desfizesse do patrimônio antes do julgamento final, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de bens. O valor corresponde à soma das verbas salariais e rescisórias devidas aos três trabalhadores, que totalizam R$ 10.204,29, além de R$ 84.720,00 por danos morais individuais.

A decisão foi assinada pelo juiz Sérgio Alexandre Nunes, da Vara do Trabalho de Patrocínio, cuja comarca abrange Serra do Salitre, e impõe uma série de obrigações ao proprietário da fazenda. Entre elas estão a proibição de submeter trabalhadores a situação de escravidão e de recrutar pessoas por meio de fraude, coação ou abuso.
A liminar também determina a regularização dos vínculos de emprego, o pagamento correto de salários, a concessão de descanso semanal remunerado, o custeio de transporte e alimentação, além da garantia de alojamentos adequados, água potável, instalações sanitárias dignas e fornecimento de equipamentos de proteção.
O descumprimento pode resultar em multa de R$ 5 mil por obrigação violada.
Situação de escravidão em Tapira
O portal Paranaíba Mais trouxe nesta semana outra notícia envolvendo situação de escravidão de trabalhadores em fazenda mineira.
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois homens por manterem sete trabalhadores em situação de trabalho escravo numa propriedade rural no sudoeste mineiro.
Segundo a denúncia, as vítimas foram levadas para uma carvoaria na zona rural de Tapira (MG) após promessas de emprego formal, moradia adequada e bons salários, mas acabaram submetidas a jornadas exaustivas, condições degradantes e até à falta de alimentação.