Família de Vitoria Alyce nega acordo com médica investigada em Uberlândia

Proposta negada visava encerramento do caso mediante pagamento de R$20 mil; uma nova audiência está agendada para o dia 13 de julho

, em Uberlândia

Mais de dois anos após a morte de Vitoria Alyce, aos 19 anos, familiares da jovem ainda buscam por justiça. Uma proposta de acordo financeiro e não percução penal apresentada pela defesa da médica, investigada pela morte da estudante, foi negada.

Nesses termos, caso o acordo tivesse sido aceito, o processo criminal contra a médica seria encerrado para que ela não ficasse com antecedentes criminais, mediante o pagamento de uma multa de R$ 20 mil. Além disso, a defesa da profissional ainda sugeriu quitar a multa de forma parcelada.

“Quanto vale uma vida? Uma vida para a gente não tem valor. Então o que a gente pede é que pelo menos seja algo que sirva de exemplo para que outras pessoas não façam isso”, declarou Carlos Henrique, avô de Vitoria, em entrevista à TV Paranaíba.

Vitória Alyce
Vitória Alyce era estudante de História na Universidade Federal de Uberlândia – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

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Uma nova audiência com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) está agendada para o dia 13 de julho para verificar os próximos desdobramentos sobre as condições do acordo.

De acordo com a advogada da família, Rafhaela Cardoso, a assistência de acusação buscará todas as providências cabíveis junto à Justiça Criminal e ao Ministério Público para garantir o andamento do processo.

A avó da jovem, Veralice da Silva Cardoso, também disse não entender o acordo proposta. Para nós, foi uma coisa muito fora do normal e agora vendo essas coisas que essa médica colocou, de 20 mil… Que a vida da minha neta custa 20 mil? Por que será?”, disse.

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As investigações e as imagens das câmeras de segurança do transporte coletivo ajudaram a reconstruir a linha do tempo da noite de 3 de abril de 2024.

Às 22h06, Vitória sofreu um mal súbito e caiu no assoalho do ônibus. Ao perceber a situação, o motorista mudou a rota e seguiu em direção à Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Tibery, estacionando na porta em menos de cinco minutos.

No entanto, testemunhas que presenciaram a cena alegaram à família que a equipe médica de plantão se recusou a ir até o veículo de imediato para iniciar o socorro. Na época, eles exigiram que o Corpo de Bombeiros fosse acionado, mesmo ela estando na frente da unidade.

Em meio ao risco, passageiros chegaram a chutar as portas da UAI e gritaram por ajuda. Os registros apontam que a jovem só foi retirada do ônibus e levada para o interior da unidade às 22h23.

Veja o registro completo:

Vitória tinha uma cardiopatia que até então era desconhecida por todos no local. Ela não resistiu à demora do atendimento. Para a família, que questiona a conduta adotada desde o início, nenhuma reparação financeira apaga as falhas e as consequências da perda.

“Um profissional de saúde, amanhã ou depois, pode muito bem falar ‘não vou atender determinada pessoa e vou só deixar morrer porque depois posso só ir lá e pagar uma multa de 20 mil e ainda vou parcelar em umas 10 vezes'”, disse o avô.

Criada desde os 9 anos pelos avós, a jovem era o pilar da família

Vitória foi criada por Carlos e Veralice desde os 9 anos de idade, após o falecimento de sua mãe. Muito mais do que neta, ela era a grande companheira do lar, responsável por auxiliar nas tarefas diárias e nos cuidados com a saúde dos avós.

O luto desencadeou sérios problemas de saúde para o casal. Um relatório psicológico produzido neste mês (junho de 2026) aponta que ambos apresentam sintomas graves compatíveis com depressão, ansiedade, isolamento social e crises de choro frequentes, o que reduziu drasticamente a qualidade de vida dos idosos, que hoje têm 68 anos e não reúnem condições para trabalhar.

“Passei por tratamento psicológico na época. Fui parar no psiquiatra tomando remédio para dormir. Ainda estou acelerada, não tem como focar nas coisas”, contou a avó. O abalo emocional severo resultou em seu afastamento médico e posterior perda do emprego.

A advogada que representa a família, Rafhaela Cardoso, reforça o tamanho do dano causado aos familiares. “Nada e nenhum valor vai trazer ela de volta, mas os familiares tiveram diversos danos psicológicos, perderam emprego em razão disso e não tiveram o atendimento necessário”, explicou a defensora.