Exumação de corpo de idoso em João Pinheiro investiga se pinça esquecida causou morte
Polícia Civil e Ministério Público investigam negligência em hospital municipal; secretária de Saúde e médicos foram exonerados após caso vir à tona
A Polícia Civil de Minas Gerais realiza na manhã desta sexta-feira (16) a exumação do corpo de Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, no cemitério de João Pinheiro. A medida é considerada crucial para o inquérito que apura a responsabilidade criminal de profissionais do Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, após a denúncia de que uma pinça cirúrgica foi deixada no interior do paciente durante um procedimento realizado em dezembro.
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Polícia Civil investiga pinça esquecida
A ação conta com peritos criminais e acompanhamento do Ministério Público. De acordo com o advogado da família, Yuri Furtado, a retirada do corpo do túmulo é essencial para cruzar dados. “Queremos identificar se houve realmente duas cirurgias e verificar a contribuição direta desta pinça com a morte”, afirmou.
Em nota, enviada à reportagem nesta manhã, a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de João Pinheiro informou que instaurou um Procedimento Administrativo com o objetivo de “acompanhar e fiscalizar a conformidade regulatória e a observância dos protocolos de segurança do paciente perante o Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, em face da notícia de evento adverso grave com óbito, bem como verificar a necessidade de outras medidas de tutela dos direitos individuais indisponíveis, difusos e coletivos.”
O órgão também destacou que já requisitou informações e documentos ao hospital e a outros órgãos competentes e que, na esfera criminal, aguarda a conclusão das diligências determinadas pela Polícia Civil.
Relembre o caso Manoel Brito
Manoel Cardoso de Brito morreu no dia 24 de dezembro. Conforme o boletim de ocorrência, ele foi internado no dia 5 de dezembro, com diagnóstico de úlcera gástrica, e passou por uma cirurgia considerada de urgência. Inicialmente, o procedimento teria transcorrido sem intercorrências.
Após dois dias na UTI, o paciente foi transferido para um quarto. Durante a internação, familiares relataram dificuldades na alimentação, percebidas durante visitas. Posteriormente, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou a retirada de um corpo estranho, o que levou à realização de uma segunda cirurgia.
Depois do novo procedimento, Manoel voltou à UTI, onde permaneceu internado por 13 dias, mas não resistiu. Na certidão de óbito, a causa da morte foi registrada como choque séptico e úlcera gástrica perfurada, com indicação de morte natural.
Processos admnistrativos e exonerações
Desde a denúncia feita pela família, um médico, um instrumentador cirúrgico e a então secretária municipal de Saúde foram exonerados. Paralelamente, foram instaurados processos administrativos no âmbito da Prefeitura e procedimentos no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A então secretária de Saúde, Cássia Maria Alves Trajano, teve a exoneração formalizada e aceita pela Prefeitura. A decisão foi oficializada por portaria, em meio à abertura da CPI. Quem assume o comando da pasta é Patrícia Helena da Silva, diretora de divisão das enfermeiras no município.
A Prefeitura informou que as exonerações têm caráter administrativo, adotadas para preservar o interesse público e permitir a apuração dos fatos, sem antecipar responsabilidades.
A Polícia Civil segue investigando o caso, enquanto o Legislativo municipal também abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis falhas no atendimento hospitalar.
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Outro óbito também é investigado
Além do caso de Manoel Brito, outro óbito ocorrido no mesmo hospital está sob apuração. Trata-se da morte de Milton Pereira Gomes, de 69 anos, internado inicialmente por problemas respiratórios, com suspeita de pneumonia.
Segundo a família, o paciente foi submetido a exames invasivos e apresentou rápida piora no estado de saúde, evoluindo para um quadro grave. Os familiares registraram boletim de ocorrência, alegando que não foram informados sobre a gravidade do quadro nem autorizaram os procedimentos.