Ex-vereadora de Uberlândia é condenada a 7 anos por extorsão
TJMG confirma pena de sete anos de prisão em regime semiaberto; caso faz parte da Operação Libertas, que investigou exploração sexual de travestis e mulheres trans no Triângulo Mineiro
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A ex-vereadora de Uberlândia Pâmela Volp, conhecida por sua atuação como ativista dos direitos LGBT+, teve a condenação por extorsão confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A pena é de sete anos de reclusão em regime semiaberto, enquanto sua comparsa, que também participou do crime, terá de cumprir seis anos. O caso, ocorrido em novembro de 2021, chamou atenção pela gravidade das ameaças e pelo contexto de exploração sexual de travestis e mulheres trans, investigado na Operação Libertas.
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A ex-vereadora de Uberlândia e o crime de extorsão
Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Pâmela Volp e outras pessoas abordaram uma travesti no bairro Dona Zulmira, em Uberlândia, exigindo pagamento diário de R$ 50 para permitir o trabalho no local.
Durante a abordagem, a ex-vereadora teria empunhado um revólver e proferido ameaças graves:
“Sai daqui que eu vou te matar, já chega, sou a dona da cidade, aqui não vai ficar ninguém mais sem pagar”.
Além do revólver, facas e barras de ferro também teriam sido usadas para intimidar a vítima, que conseguiu fugir ao perceber o risco de agressão física. O crime foi enquadrado pela Justiça como extorsão mediante grave ameaça.
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Julgamento em segunda instância
O recurso foi analisado pela 1ª Câmara Criminal do TJMG, que decidiu manter as penas aplicadas em primeira instância, mas retirou a indenização de R$ 20 mil por danos morais e a perda de um veículo que havia sido apreendido durante as investigações.
Segundo o tribunal, a medida não compromete a condenação principal, mantendo a prisão das duas rés em regime semiaberto.
Operação Libertas e esquema de exploração sexual
A condenação da ex-vereadora de Uberlândia faz parte da Operação Libertas, deflagrada em 2021 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para desarticular um esquema interestadual de exploração sexual de travestis e mulheres trans.

Segundo investigações, Pâmela Volp liderava o núcleo da organização em Uberlândia, que envolvia cobrança de diárias, ameaças, roubo e manutenção de casas de prostituição. Outros núcleos foram identificados em cidades como Criciúma (SC), com condenações que variam de 7 a mais de 20 anos de prisão, incluindo confisco de bens e multas.
Lado da ex-vereadora de Uberlândia
A defesa da ex-vereadora informou que já apresentou embargos de declaração contra a decisão colegiada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Segundo a advogada Fabiane Martins, o objetivo é “prequestionar matérias” para viabilizar a interposição de recurso ordinário no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
De acordo com a defesa, o recurso aponta supostas “nulidades absolutas e contradições” no julgamento.
“A defesa se vê irresignada com a decisão e confiante na Justiça tem a certeza de que será reformada”, afirmou a advogada.
Em outra operação ano passado, denominada “Má impressão”, Volp foi absolvida no processo por falta de provas, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais.