Em juri inédito, Mark Zuckerberg é questionado por vício infantil
CEO da Meta depõe em Los Angeles sobre acusações de que o Instagram teria sido projetado para prender crianças e afetar a saúde mental
Mark Zuckerberg voltou ao centro do debate global sobre o impacto das redes sociais ao testemunhar, nesta quarta-feira (18), diante de um júri em Los Angeles. Pela primeira vez, o CEO da Meta respondeu diretamente às acusações de que o Instagram teria sido desenhado para manter crianças presas à plataforma, contribuindo para prejuízos à saúde mental.

Questionado sobre a suposta criação intencional de mecanismos viciantes, Mark Zuckerberg afirmou que conduziu as políticas de segurança juvenil “de maneira razoável”. Do lado de fora do tribunal, porém, o clima foi de indignação. Pais de diferentes estados americanos se reuniram para sustentar que seus filhos sofreram danos graves, alguns fatais, após uso intenso das redes.
O julgamento gira em torno da ação movida por uma jovem identificada como Kaley, hoje com 20 anos. Ela acusa a Meta e o YouTube de incluírem recursos projetados para capturar a atenção de usuários ainda na infância. Segundo a acusação, Kaley começou a usar o Instagram aos 9 anos e chegou a permanecer conectada por mais de 16 horas em um único dia.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Mark Zuckerberg contesta elo entre redes e saúde mental
Durante o depoimento, Mark Zuckerberg foi relembrado, pelo advogado da garota, de sua fala no Congresso em 2024, quando declarou que o conjunto de pesquisas disponíveis não demonstrava ligação direta entre redes sociais e piores desfechos de saúde mental entre jovens. No tribunal, reforçou que considerou diferentes opiniões técnicas antes de definir políticas internas.
A defesa da jovem, conduzida pelo advogado Mark Lanier, apresentou documentos internos de 2015 que estimavam mais de 4 milhões de usuários do Instagram com menos de 13 anos à época. O aplicativo exigia idade mínima de 13 anos, mas só passou a solicitar data de nascimento no cadastro em 2019. Em 2021, ampliou a exigência para contas já existentes.
Kaley afirma que desenvolveu ansiedade, dismorfia corporal e pensamentos suicidas após uso frequente da plataforma. Também relata episódios de bullying e sextorsão. A Meta rebate as acusações e sustenta que fatores externos, como dificuldades familiares, explicam os desafios enfrentados pela jovem. A empresa afirma manter compromisso histórico com a proteção de adolescentes, citando ferramentas de supervisão parental e contas específicas para menores de 18 anos.
Mark Zuckerberg e a meta de aumentar tempo no aplicativo
O depoimento ganhou tensão quando a acusação apresentou um e-mail interno de 2015 que mencionava a meta de elevar em 10% o tempo de uso do Instagram. Mark Zuckerberg reconheceu que metas de engajamento existiam no passado, mas disse que a companhia mudou a estratégia para priorizar “utilidade e valor”.
Segundo ele, quanto mais útil o serviço, maior o tempo de permanência, e não o contrário. O CEO também foi pressionado sobre filtros de beleza que alteram traços faciais. Embora especialistas tenham alertado para possíveis impactos negativos, a empresa optou por permitir filtros criados por usuários, sem promovê-los ativamente.
Mark Zuckerberg sob pressão de pais e jurados
Antes da entrada de Mark Zuckerberg no tribunal superior de Los Angeles, quase uma dúzia de pais deu as mãos em frente ao prédio. Entre eles, Julianna Arnold, que atribui ao Instagram a morte da filha de 17 anos. Ela classificou como “intencional” a exploração de adolescentes em nome do lucro.
Especialistas em litígios civis ouvidos durante o processo avaliam que o desempenho do CEO diante do júri pode influenciar decisivamente o resultado. Caso as empresas sejam responsabilizadas, o impacto pode chegar a bilhões de dólares em indenizações e provocar mudanças profundas nas plataformas digitais que moldam o cotidiano de milhões de pessoas.
O julgamento deve se estender pelas próximas semanas. A expectativa é que Kaley também deponha. O veredito poderá definir não apenas o futuro da ação individual, mas abrir caminho para centenas de processos semelhantes que questionam o papel das redes sociais na formação emocional de crianças e adolescentes.
*Textos com informações do R7