Trevão 70 anos: relembre o anúncio do fim das atividades e bastidores da apuração

O espaço marcou gerações de viajantes e ficou conhecido principalmente pelas paradas de ônibus que cruzavam a região diariamente

, em Uberlândia

Era 22 de maio de 2026 e um gigante das estradas anunciava o fim das atividades. O famoso ‘Trevão de Monte Alegre’, no antigo entroncamento das BRs-365 e 153, era ponto de encontro de milhares de viajantes pelo Brasil. Foram quase 70 anos de tradição.

O posto foi construído na década de 1960 e se desenvolveu junto com as rodovias. Com restaurante, lanchonete, borracharia, parada de ônibus e estrutura para motoristas, o Trevão virou praticamente uma pequena cidade à beira da estrada. Contudo, após a construção de um novo anel viário, o local encerrou as atividades comerciais. 

O espaço marcou gerações de viajantes e ficou conhecido principalmente pelas paradas de ônibus que cruzavam a região diariamente. O movimento diário, que chegou a passar de mil pessoas, agora é lugar de um vazio que impossibiltou o comércio na região de continuar com as atividades.

Da multidão ao vazio. Do barulho ao silêncio. De um ponto de referência tradicional, o lugar se tornou apenas uma mémoria nos viajantes que ali passaram. O anuncio do fim das atividades do Trevão marcou o trabalho jornalístico do portal Paranaíba Mais nesses 2 anos.

Milhares de viajantes já passaram pelo 'Trevão de Monte Alegre' - Crédito: Reprodução/TV Paranaíba
Milhares de viajantes já passaram pelo ‘Trevão de Monte Alegre’ – Crédito: Reprodução/TV Paranaíba

A cobertura de um posto que marcou história 

Na redação do Portal Paranaíba Mais, o anúncio do fim das atividades gerou uma reação única: “Nossa, eu já passei por lá!”. Foi atráves dessa reação que a apuração partiu para buscar personagens que pudessem contar sobre histórias e detalhes sobre o local. 

Com isso, a apuração começou com o trabalho envolvendo a equipe de produção da TV Paranaíba. No início, a repórter responsável pela pauta não conseguiu falar com nenhuma das fontes por telefone. Dessa forma, a equipe se deslocou ao local para tentar algum personagem que comentasse sobre o fim das atividades do Trevão.

Chegando lá, os relatos da gerência, de funcionários e de viajantes comandaram o ritmo da notícia. A matéria trouxe diversos olhares de um mesmo assunto, mostrando a pluralidade de perspectivas sobre o ocorrido. Foi através desses relatos que a matéria ganhou forma, mexeu com memórias e sentimentos e que foi possível ser noticiada.

A falta de movimento foi o principal motivo do fim das atividades do Trevão - Crédito: Reprodução/TV Paranaíba
A falta de movimento foi o principal motivo do fim das atividades do Trevão – Crédito: Reprodução/TV Paranaíba

A matéria e o poder nostálgico do Trevão

Para os jornalistas, relembrar lugares históricos é também se conectar com o público que consome a notícia. A audiência, além de se informar sobre o fim das atividades, mergulhou nas histórias que permearam o local. 

O Trevão foi a segunda casa de milhares de viajantes que tranformaram o estabelecimento em um ponto turístico. Uma casa que abrigou um público fiel teve ínumeros personagens e histórias que puderam ser ouvidas na reportagem.

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A missão do jornalista é comunicar os fatos com credibilidade e responsabilidade, e no caso da reportagem sobre o Trevão, envolveu ainda um olhar nostálgico. Depoimentos de pessoas que trabalharam e frequentaram o Trevão foram essenciais para dar a dimensão que o complexo (que envolveu restaurante, posto de combustível, borracharia e parada de ônibus) representou na vida de milhares de pessoas, especialmente aquelas que ali dedicaram muitos anos de trabalho.

O relato de Maria de Fátima, aposentada que frequentou o local por 40 anos, trouxe à matéria jornalística esse tom nostálgico.

“Sempre passei aqui, de carro ou de ônibus. Parava para comer o famoso pastel do Trevão e tomava um cafezinho” – disse Maria de Fátima. 

Além de Maria de Fátima, outros personagens também puderam mostrar suas relações próximas com o local. Maicon Silva, gerente do posto, falou sobre a administração que buscou maneiras para tentar alavancar novamente as vendas.

“Houve o pedido de construção de um retorno antes do pedágio. O caso foi parar na Justica, mas a solicitação teve uma devolução negativa” – disse Maicon Silva. 

Os relatos de Maria de Fátima e Maicon guiaram e retomaram o objetivo da reportagem, que foi trazer conexão entre a matéria e o leitor/viajante.

Regionalização da notícia

Um dos papéis do jornalista é entender os critérios de noticiabilidade que orientam a seleção de conteúdos e acontecimentos que mereçam ser publicados.

Dentre um dos critérios está o da proximidade (Geográfica e Cultural): fatos que ocorrem perto do leitor geram mais interesse. Quanto mais próximo fisicamente o acontecimento (bairro, cidade ou estado), maior a chance de se tornar notícia e despertar o interesse. No caso do Trevão, a proximidade incluiu afinidades culturais e geográficas. Além de um espaço físico, o Trevão se transformou em uma espécie de espaço cultural.

O Triângulo Mineiro é cheio de pontos históricos. O Trevão, por sua vez, conta com esse aspecto que preserva a memória, a cultura e a identidade não somente dos mineiros, mas de todos que passaram por ali.

LEIA MAIS: Trevão 70 anos: posto anuncia fim das atividades após marcar história

História do posto que marcou história

O posto foi construído na década de 1960 e se desenvolveu junto com as rodovias. Com restaurante, lanchonete, borracharia, parada de ônibus e estrutura para motoristas, o Trevão virou praticamente uma pequena cidade à beira da estrada. 

A movimentação diária do Trevão foi minada após a construção de um novo complexo viário em Monte Alegre de Minas, com a duplicação das rodovias, construção de viadutos e novas alças de acesso.

Novo complexo viário custou cerca de 50 milhões de reais - Crédito: Reprodução/ECOVIAS
Novo complexo viário custou cerca de 50 milhões de reais – Crédito: Reprodução/ECOVIAS

O novo complexo viário foi concluído e entregue em abril de 2024. A obra está localizada no km 706 da BR-365, no entroncamento com a BR-153 e custou cerca de R$ 50 milhões.

O papel do jornalismo como mediador

Neste caso, a matéria sobre o Trevão cumpriu o seu papel: acompanhar os fatos e contar a história com responsabilidade. 

Além disso, ela também evidenciou a relevância do jornalismo em contar histórias de momentos, locais e fatos que marcaram a vida de milhares de pessoas. Porque além de informar, o jornalismo também atua como mediador entre o passado e o presente, combatendo o ‘esquecimento’ que o tempo pode proporcionar.

Esta é mais uma reportagem da série especial Bastidores da Informação, produzida em comemoração aos dois anos do Portal Paranaíba Mais. Ao longo dessa trajetória, acompanhamos histórias que emocionaram, mobilizaram e marcaram a vida de milhares de pessoas. E seguiremos aqui, com o mesmo compromisso de sempre: informar você sobre o que acontece no Triângulo Mineiro, em Minas Gerais, no Brasil e no mundo.