Trevão 70 anos: posto anuncia fim das atividades após marcar história
O espaço marcou gerações de viajantes e ficou conhecido principalmente pelas paradas de ônibus que cruzavam a região diariamente
Mais do que um posto. O Trevão, no antigo entroncamento das BRs-365 e 153, era ponto de encontro de milhares de viajantes pelo Brasil. São quase 70 anos de tradição. Caminhoneiros, viajantes e comerciantes foram personagens de um lugar histórico. Agora, o famoso ‘Trevão de Monte Alegre’ vive um momento de despedida. As obras que trouxeram mais segurança ao antigo cruzamento de rodovias, por outro lado dificultaram o acesso ao pátio do posto para boa parte dos veículos que trafegam pelo complexo viário. E sem o movimento de antes, os negócios não se sustentam mais.

O espaço marcou gerações de viajantes e ficou conhecido principalmente pelas paradas de ônibus que cruzavam a região diariamente. O movimento diário, que chegou a passar de mil pessoas, agora é lugar de um vazio que impossibiltou o comércio na região de continuar com as atividades.
O famoso pastel do Trevão
Os viajantes sempre levavam um pouco do local para suas viagens. Ponto de alimentação e lugar de descanso, era considerado um segundo lar para os viajantes que saiam de casa todos os dias.
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Maria de Fátima, aposentada que frequenta o local há 40 anos, se diz triste pelo fim das atividades. “Sempre passei aqui, de carro ou de ônibus. Parava para comer o famoso pastel do Trevão e tomava um cafezinho”, relata.
Cafés, sucos, salgados, refrigerantes e pastéis. O ponto de alimentação que antes era sinônimo de agitação, hoje tem o silêncio como o principal companheiro das cadeiras vazias.

Mudanças após construção de nova estrutura rodoviária
A movimentação diária do Trevão foi minada após a construção de um novo complexo viário em Monte Alegre de Minas, com a duplicação das rodovias, construção de viadutos e novas alças de acesso.

História do posto que marcou história
O posto foi construído na década de 1960 e se desenvolveu junto com as rodovias. Com restaurante, lanchonete, borracharia, parada de ônibus e estrutura para motoristas, o Trevão virou praticamente uma pequena cidade à beira da estrada. No auge da movimentação, cerca de 100 funcionários trabalhavam nos estabelecimentos. Atualmente, restam apenas 25 e todos já receberam o aviso prévio.
Administração do posto buscou alternativas
A administração do posto buscou maneiras para tentar alavancar novamente as vendas. Conforme Maicon Silva, gerente do posto, houve o pedido de construção de um retorno antes do pedágio. O caso foi parar na justica, mas a solicitação teve uma devolução negativa.
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Maicon ainda conta que o faturamento caiu cerca de 70%, tornando insustentável a continuiedade das atividades. “Trabalho aqui há 15 anos, foi meu primeiro trabalho com carteira assinada. Esse lugar é minha segunda casa”, disse o diretor.
Um adeus amargo
O Trevão era a segunda casa de tantos outros viajantes que tranformaram o estabelecimento em um ponto turístico. Uma casa que abrigou um público fiel e que agora dá adeus. Já as histórias estarão sempre eternizadas na mente de cada um que ali frequentou.