Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: acessibilidade e inclusão em Uberlândia
Apesar dos avanços, os obstáculos enfrentados pela pessoa com deficiência são constantes
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Nesta quarta-feira (3) celebra-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Embora a data tenha sido instituída há mais de 30 anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), a luta por inclusão, acessibilidade e respeito continua atual e urgente. No Brasil, 18,6 milhões de pessoas com dois anos ou mais vivem com algum tipo de deficiência, segundo dados do Censo 2022 do IBGE.
Apesar de alguns avanços, pessoas com deficiência (PcD) em Uberlândia ainda enfrentam obstáculos básicos para se deslocar pela cidade. Calçadas irregulares e inadequadas, ônibus com elevadores quebrados e motoristas de aplicativo que se recusam a transportar usuários de cadeira de rodas são apenas alguns dos problemas que seguem comprometendo a rotina de quem depende de acessibilidade — e da consciência da população — para estudar, trabalhar e acessar serviços essenciais.

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A inclusão ainda é um desafio
Segundo o atleta paraolímpico aposentado, Cláudio Roberto, que faz parte da bateria da Associação dos Paraplégicos de Uberlândia (Aparu), pessoas com deficiência física enfrentam diversos desafios ao sair de casa de cadeira de rodas. “Você vai de carro, ônibus ou corrida por aplicativo, mas as três opções nem sempre estão disponíveis. O elevador do ônibus está com defeito, seu carro na oficina e, pelo aplicativo, o motorista não quer te levar porque você é PcD”, comentou em entrevista ao Paranaíba Mais.
Em 2002, Cláudio Roberto foi atingido por um disparo de arma de fogo durante uma confusão generalizada com tiroteio em uma lanchonete de Uberlândia. Ele ficou paraplégico e precisou se reinventar e se adaptar, física e psicologicamente. “Tive meu momento offline sem nem sair na garagem de casa. Depois, algo dentro de mim disse: vou enfrentar o mundo com preconceito e aceitação ou viver isolado. Optei pela 1ª opção”, contou.
A história do ex-paratleta é uma de várias que existem em Uberlândia. Cidadãos que lutam pela inclusão na sociedade e a acessibilidade em todos os lugares. Hoje, Cláudio Roberto segue com sua rotina de treinos e é ritmista em algumas escolas de samba da cidade.
“Ser PcD no Brasil é ser super-herói, o Gasparzinho. Você existe, mas às vezes some diante das pessoas, que não olham para mim pensando nas limitações”, afirmou o paratleta, citando a famosa história do fantasma gentil que quer fazer amigos.

O que diz a Prefeitura Municipal sobre o transporte público
Diante as reclamações que a reportagem ouviu sobre os elevadores do transporte público de Uberlândia, o Paranaíba Mais entrou em contato com a Prefeitura Municipal para ouvir o seu posicionamento. Em nota, o Município, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, informou que toda a frota do transporte coletivo urbano da cidade possui elevador para acessibilidade.
“Apesar do rigor adotado, eventualmente, podem ocorrer falhas operacionais que impeçam o funcionamento do equipamento durante a circulação. Nesses casos, o veículo é imediatamente retirado de operação e encaminhado para manutenção corretiva, garantindo a segurança e a acessibilidade dos usuários”, afirmou no comunicado.
A Prefeitura também reforçou que toda a frota é vistoriada na garagem, antes do início da operação diária, para garantir o pleno funcionamento dos sistemas.
“Há avanços, mas sempre há o que melhorar”
Para a diretora-geral da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Mirelle Vilela, foram pautadas nos últimos anos diversas políticas públicas para pessoas com deficiências físicas, intelectual e visual, mas a luta é diária. “Nós somos surpreendidos diariamente por deliberações e por leis que, às vezes, prejudicam a pessoa com deficiência. No caso da pessoa com deficiência intelectual, o autismo, temos que brigar e correr atrás. É uma luta constante”, disse.
A Apae Uberlândia é uma instituição filantrópica que exerce trabalho na área de assistência social e saúde à pessoa com deficiência intelectual, múltipla e autismo. A associação depende de recursos financeiros para se sustentar e têm enfrentado falta de verbas para a demanda exigida. Segundo Mirelle Vilela, a Apae atende cerca de 350 pessoas.
“Nesse dia 3, um dia para reflexão e de conscientização sobre a importância da inclusão, a importância de proporcionar o bem-estar às pessoas com deficiência. Proporcionar qualidade dessas pessoas em todas as esferas da sociedade, não só dentro de uma instituição, mas em toda a comunidade, em todo espaço”, disse Mirelle Vilela.
