De símbolo urbano ao desligamento: orelhões entram em contagem regressiva no Brasil

Telefonia pública entra em fase final no país, com desligamento gradual dos orelhões até 2028

, em Uberlândia

Google News

Lançados em 1972, os orelhões serão extintos do Brasil até o fim de 2028. Atualmente, cerca de 30 mil telefones públicos ainda operam no país, sendo 29 em Uberlândia. Os contratos de concessão que incluíam a manutenção dos aparelhos chegaram ao fim em dezembro de 2025, e prevêem a extinção gradual dos serviços dentro do plano de universalização do acesso de telefonia do país.

orelhoes
Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A rede já contou com mais de 1,5 milhão de terminais, seguindo o design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país. Nos últimos anos, era mantida por concessionárias de telefonia fixa, como uma contrapartida obrigatória do serviço.

Mudanças na concessão e o fim dos orelhões

De acordo com a Anatel, com a proximidade do término dos contratos que envolviam a manutenção dos orelhões, “tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga”.

As concessionárias buscaram firmar acordos com a administração pública para garantir uma adaptação de concessão do sistema de telefonia fixa para uma modalidade de autorização, regida pelo regime privado.

Ainda existem, no país, orelhões cuja manutenção não é exigida das operadoras. O desligamento desses equipamentos pode ser solicitado diretamente às empresas e, caso não haja atendimento, a reclamação pode ser feita à Anatel, pela central de atendimento 1331 ou pelo site oficial da agência.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Orelhões remanescentes

Cerca de 9 mil orelhões ainda ficarão ativos em cidades onde não haja ao menos o sinal de 4G, para a rede móvel. “As empresas assumiram compromissos de manutenção da oferta de serviço de telecomunicações com funcionalidade de voz (incluindo os orelhões), em regime privado, por meio de quaisquer tecnologias, em localidades nas quais as empresas forem as únicas prestadoras presentes, até o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028”, esclareceu a Anatel.

A agência reguladora informou ainda que as empresas também assumiram o compromisso de investir na infraestrutura de telecomunicações do país. Entre as medidas previstas estão a implantação de fibra óptica em localidades que ainda não contam com esse tipo de estrutura, a instalação de antenas de telefonia móvel com tecnologia mínima 4G em áreas sem cobertura, a ampliação da rede celular em municípios, a implementação de cabos submarinos e fluviais, a oferta de conectividade em escolas públicas e a construção de data centers.

A estrutura mais bem adaptada é a da Oi, que conta com 6.707 unidades. Já Vivo, Algar e Claro/Telefônica devem desligar suas redes ainda neste ano, permanecendo cerca de 2 mil orelhões sob responsabilidade dessas operadoras.

Em Uberlândia, 29 orelhões ainda existem. Nesta terça-feira (20), 28 estão funcionando e 1 precisa de manutenção, segundo site da Anatel. Em Uberaba, existem 30 aparelhos, 18 em funcionamento e 12 em manutenção. Em ambas as cidades, os orelhões estão sob responsabilidade da Algar.