“Olimpíadas dos anabolizantes” frustram organizadores
Evento apelidado de “Olimpíadas dos dopados” terminou com apenas uma marca mundial superada e vitórias de atletas sem substâncias proibidas
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As “Olimpíadas dos anabolizantes”, nome pelo qual ficaram conhecidos os Enhanced Games, terminaram no último domingo (24), em Las Vegas, nos Estados Unidos, com um resultado muito abaixo da expectativa criada pelos organizadores. Mesmo com promessas de recordes históricos e premiações milionárias, apenas uma marca mundial foi superada durante o evento que virou alvo de críticas no esporte internacional.

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A única quebra de recorde aconteceu na natação. O grego Kristian Gkolomeev, nascido na Bulgária, completou os 50 metros livre em 20,81 segundos e levou para casa um prêmio de US$ 1 milhão, equivalente a cerca de R$ 5 milhões. Para alcançar a marca, ele utilizou um traje tecnológico de flutuação proibido em competições tradicionais. O tempo ficou sete centésimos abaixo do recorde anterior, pertencente ao australiano Cameron McEvoy.
O desempenho representou o maior momento da carreira de Gkolomeev, que bateu na trave do pódio olímpico nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos. Apesar disso, as “Olimpíadas dos anabolizantes” terminou distante da expectativa criada pelos organizadores, que apostavam em uma sequência de recordes mundiais.
Greek swimmer sets new world record at the “Olympics on steroids” in Las Vegas, but it won’t count
At the inaugural Enhanced Games (widely called the “Olympics on steroids”), Greek swimmer Kristian Gkolomeev broke the world record in the 50m freestyle with a time of 20.81… pic.twitter.com/A7sXcA55KJ
— Visegrád 24 (@visegrad24) May 25, 2026
Olimpíadas dos anabolizantes frustram expectativa
Diversos atletas conhecidos participaram do evento em busca das premiações milionárias oferecidas aos competidores. Um dos nomes mais aguardados era o britânico Ben Proud, medalhista olímpico em Paris 2024 nos 50 metros livre. Mesmo atraído pelo potencial financeiro da disputa, ele não conseguiu superar nenhuma marca histórica.
Outro resultado que chamou atenção foi o desempenho de atletas que optaram por não aderir aos protocolos de doping liberados pela organização. O americano Hunter Armstrong recusou o uso de substâncias proibidas para preservar a possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Ainda assim, venceu os 50 metros costas com o tempo de 24,21 segundos.
No atletismo, Fred Kerley também surpreendeu. Medalhista olímpico em Tóquio 2020 e Paris 2024, o velocista americano preferiu competir sem utilizar substâncias proibidas e venceu os 100 metros rasos ao marcar 9,97 segundos.
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Uso de substâncias foi liberado e supervisionado
Durante a preparação para o evento, 37 dos 50 atletas ficaram concentrados por três meses em um resort em Abu Dhabi. Segundo os organizadores, os competidores passaram por acompanhamento médico e receberam programas individualizados de treinamento e doping.
Entre as substâncias utilizadas estavam testosterona, esteroides anabolizantes, hormônios de crescimento, EPO, estimulantes e moduladores metabólicos. A proposta dos Enhanced Games era permitir o uso supervisionado desses recursos para ampliar o desempenho esportivo e transformar a competição em um espetáculo de alta performance.
As “Olimpíadas dos anabolizantes” foi criada pelo empresário australiano Aron D’Souza, que defende uma mudança no modelo antidoping tradicional. A ideia recebeu apoio de integrantes do movimento Make America Great Again, incluindo Donald Trump Jr., além do bilionário Peter Thiel, cofundador do PayPal e investidor da área de tecnologia.
Olimpíadas dos dopados receberam críticas internacionais
Desde que foram anunciados, em 2023, os Enhanced Games acumulam críticas de entidades esportivas e organizações ligadas ao combate ao doping. A Agência Mundial Antidoping, a World Aquatics e a World Athletics se posicionaram contra a iniciativa.
As entidades afirmam que o modelo coloca em risco a saúde dos atletas e ameaça um dos principais pilares das competições esportivas modernas: a disputa sem o uso de substâncias proibidas. Mesmo cercado de polêmicas, o evento conseguiu atrair atenção mundial ao unir esporte, dinheiro e debates sobre os limites da performance humana