Como o Praia Clube superou o “pior momento da história” para buscar o Tri

Após sequência de derrotas, protestos da torcida e pressão por mudanças, equipe de Uberlândia reage nos playoffs e agora busca o tricampeonato em uma das maiores reviravoltas recentes do vôlei brasileiro

, em Uberlândia

Estar em uma final de Superliga é o principal objetivo de qualquer equipe do voleibol brasileiro. Para o Praia Clube, porém, a campanha até a decisão da temporada 2025/26 foi marcada por oscilações.

Entre frustrações, protestos e um abaixo-assinado, o time de Uberlândia transformou um cenário de colapso em uma das trajetórias mais resilientes da história recente do esporte.

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Natinha e Payton Caffrey, jogadoras do Praia Clube
Natinha e Payton aparecem como destaques do Praia Clube na atual temporada – Crédito: Thiago_porthix/Divulgação

Do investimento ao abismo da desconfiança

Com um dos maiores orçamentos da competição, a expectativa era de domínio. No entanto, as expectativas do torcedor foram quebradas depois de algumas atuações.

O “Clássico Pão de Queijo”, uma das maiores rivalidades do vôlei brasileiro, virou um pesadelo pelo lado uberlandense. Na final da Copa Brasília, um 3 a 0 (25/19, 25/22 e 25/19) dolorido. No Campeonato Mineiro, o roteiro se repetiu, com nova superioridade do rival e parciais que escancararam a crise.

Na Copa Brasil, uma leve ilusão após vencer o primeiro set, mas o torcedor viu o Minas reagir e fechar o jogo em 3 sets a 1.

Copa Brasil vôlei, Minas e Praia Clube
Minas venceu todos os confrontos contra o Praia Clube na temporada 2025/26 – Créditos: Hedgard Moraes/MTC

O praiano assistia a um time caro, mas sem resposta em quadra.

O “basta” das arquibancadas

A sequência de resultados ruins aumentou a pressão sobre o elenco e a comissão técnica.

O momento mais crítico ocorreu em março, após a quinta derrota consecutiva para o Minas. Torcedores protestaram e organizaram um abaixo-assinado pedindo a saída do técnico Rui Moreira. Após esse momento, o cenário era de total desconfiança.

“A cada jogo a esperança de chegar na final foi diminuindo. O time não encaixava, as gringas não rendiam… para mim, cairíamos nas quartas contra o Bauru”, relembra o torcedor Rian Martins.

A diretoria, no entanto, optou por manter o treinador. E foi justamente ali que começou a virada.

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O renascimento nos playoffs

Mesmo desacreditado, o Praia avançou ao mata-mata e encontrou uma nova versão de si mesmo. Nas quartas de final, eliminou o Bauru (SP) em três jogos, com atuação convincente nos dois duelos decisivos em Uberlândia, que reacendeu a confiança da torcida. Entretanto, o verdadeiro teste ainda estava por vir.

Praia Clube x Bauru
Praia eliminou o Bauru pelas quartas da Superliga Feminina – Crédito: Bruno Cunha/Praia Clube

O milagre do Maracanãzinho

A semifinal contra o Sesc Flamengo foi uma montanha-russa emocional. Após vencer o primeiro jogo por 3 sets a 0, o Praia foi ao Rio de Janeiro e viveu um trauma: abriu 2 a 0, teve quatro match points no tie-break, mas sofreu uma virada impressionante por 16 a 14.

Em meio a dúvidas sobre o lado mental das atletas, o golpe parecia definitivo.

Semifinal entre Praia e Flamengo foi decidida em três jogos – Crédito: Paula Reis/Flamengo

No terceiro jogo, em uma decisão de mais de duas horas, o Praia mostrou uma frieza inédita na temporada. O segundo set entrou para a história: um impressionante 36 a 34 no placar.

Dentil/Praia Clube após vitória contra o Flamengo no Maracanãzinho
Praia Clube após vitória contra o Flamengo no Maracanãzinho – Crédito: Paula Reis/Flamengo

Após ver o adversário reagir, o time encontrou forças para fechar o tie-break em 15 a 13 e garantir a vaga na final.

“Para mim, cairíamos nas quartas. Depois, tinha certeza que não passaríamos pelo Flamengo. Mas as meninas se agigantaram”, disse Rian.

As faces da redenção do Praia Clube

Se o coletivo cresceu, as individualidades apareceram no momento certo, principalmente das americanas praianas. Morgahn Fingall, contestada durante a fase inicial, elevou o nível nos playoffs e se tornou peça decisiva.

Já Payton Caffrey assumiu protagonismo ofensivo, com intensidade e identificação com o clube, sendo fundamental nos momentos decisivos.

Praia Clube - Fingall e Payton Cafrey
As atacantes americanas do Praia Clube, Payton Caffrey e Morgahn Fingall são os nomes da redenção praiana – Crédito: Bruno Cunha/Praia Clube

O título da vida

O Praia Clube chega à decisão no Ginásio do Ibirapuera não como o favorito, mas como o sobrevivente de uma temporada turbulenta. O que antes era frustração virou expectativa.

“O que antes era tristeza virou expectativa de um tri. Se vier o título, será o maior da história pela forma como foi essa temporada”, projeta Rian.

No domingo (3), a partir das 10h, o Praia Clube pode deixar de ser o “pior da história”, como foi rotulado em parte da temporada, para se tornar o campeão mais improvável da Superliga.

Ginásio do Ibirapuera
Ginásio do Ibirapuera será o palco da decisão da Superliga Crédito: Wander Roberto/Inovafoto/CBV

Pela frente, o Minas, que tenta manter a sequência positiva no confronto direto, enquanto o time de Uberlândia busca reverter o retrospecto recente e transformar a crise em título em solo paulista.