COI veta atletas trans na categoria feminina olímpica

Nova regra baseada no gene SRY redefine elegibilidade feminina e exige teste único na carreira para garantir justiça e segurança nas competições

, em Uberlandia

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O debate sobre atletas trans ganhou um novo capítulo após o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciar, nesta quinta-feira (26),  uma mudança significativa nas regras de elegibilidade para a categoria feminina. A entidade determinou que apenas atletas consideradas biologicamente femininas poderão disputar provas femininas em eventos sob sua organização.

COI bane atletas trans ao criar teste para determinar gênero biológico
Kirsty Coventry, presidente do COI, fez o anuncio da medida que bane atletas trans – Crédito: Reprodução/youtube

A nova política estabelece que a participação na categoria feminina será definida por meio de um teste que identifica a presença ou ausência do gene SRY, responsável por desencadear o desenvolvimento sexual masculino. Segundo o comunicado oficial, a análise poderá ser feita por saliva, sangue ou swab bucal e será realizada apenas uma vez ao longo da vida do atleta.

Atletas trans e a nova regra do COI

A decisão impacta diretamente atletas trans, já que a presença do gene SRY será considerada um critério definitivo para impedir a participação na categoria feminina. De acordo com o COI, esse marcador genético é fixo ao longo da vida e representa uma evidência precisa de desenvolvimento biológico masculino.

Atletas que apresentarem resultado negativo para o gene estarão automaticamente aptas a competir entre mulheres, sem necessidade de novos testes. Por outro lado, quem tiver resultado positivo não poderá disputar essa categoria em competições organizadas pelo COI.

Apesar da restrição, esses atletas continuarão elegíveis para outras categorias, como a masculina, mista ou aberta, além de modalidades que não fazem distinção por sexo.

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Exceções previstas na política

A nova diretriz prevê exceções raras. Casos de atletas com Síndrome de Insensibilidade Completa aos Andrógenos (CAIS) ou outras variações no desenvolvimento sexual poderão ser analisados, desde que não haja vantagem competitiva relacionada à testosterona.

O COI ressaltou que a política foi construída com base em evidências científicas atualizadas e em um amplo processo de consulta com especialistas de diversas áreas, incluindo medicina esportiva, endocrinologia e direito.

O argumento de justiça esportiva

Ao justificar a medida a presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão busca garantir equilíbrio competitivo. Segundo ela, diferenças mínimas podem definir resultados no esporte de alto rendimento, o que exige critérios claros e objetivos.

A entidade também destacou preocupações com a segurança, especialmente em esportes de contato, e reforçou que a separação por sexo biológico é considerada essencial para assegurar igualdade de condições entre competidores.

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Impacto no movimento olímpico

A política foi desenvolvida ao longo de um processo de revisão iniciado em 2024 e concluído em 2026. Durante esse período, o COI ouviu federações internacionais, comitês nacionais e atletas de diferentes países.

A consulta revelou consenso sobre a necessidade de regras mais claras para proteger a categoria feminina. Ao mesmo tempo, o documento enfatiza que todos os atletas devem ser tratados com dignidade e respeito, com garantia de privacidade e apoio psicológico durante o processo.

A recomendação do COI é que federações e entidades esportivas adotem as novas diretrizes em competições ligadas ao movimento olímpico. A norma, no entanto, não se aplica ao esporte recreativo ou de base.

Com a mudança, o cenário esportivo internacional passa por uma transformação relevante, reacendendo discussões sobre inclusão, ciência e justiça no alto rendimento.

Estados Unidos já havia proibído

Palco dos próximos Jogos Olimpicos, em 2028, os Estados Unidos já havia proibido atletas trnas de participarem de competições escolares, universitárias e profissionais no país.

Durante a implementação da medida, adotada em fevereiro do ano passado, Trump chegou a assinar uma lei chamada “Mantendo os homens fora dos esportes femininos”, e afirmou que não permitira que atletas trans participassem das próximas Olimpíadas.