Cheerleading: uberlandense ganha destaque mundial e mira o tricampeonato nos EUA

A trajetória de Frederico Maradei, atleta de Uberlândia que integra a elite do cheerleading americano, mostra a força crescente do Brasil na modalidade

, em Uberlândia

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Com carreira construída no cenário internacional, Frederico Maradei vem ganhando ainda mais projeção no cheerleading, esporte que movimenta milhares de atletas pelo planeta. O uberlandense de 28 anos integra a equipe americana de elite The California All Stars Rangers, atual bicampeã mundial de cheerleading nas temporadas 2023/2024 e 2024/2025. Ele vive na Califórnia, onde também atua como técnico auxiliar da equipe da Westcliff University, em Orange.

 

Frederico Maradei, cheerleading
Frederico Maradei faz parte da equipe bicampeã mundial de cheerleading – Crédito: Divulgação

O atleta é um dos poucos brasileiros a alcançar espaço em uma das divisões mais disputadas do The Cheerleading Worlds, o campeonato mais prestigiado da modalidade, reunindo cerca de 20 mil competidores de diversos países. Para Maradei, representar o Brasil no nível máximo do esporte é motivo de orgulho. Ele destaca que competir na categoria IOLC7, o nível mais alto em dificuldade técnica, exige precisão e sincronia absolutas entre os 24 integrantes da equipe.

Segundo o atleta, o desempenho recente reforça que o país tem potencial para revelar talentos no cheerleading de elite. “Essa modalidade tem ganhado força dentro e fora do Brasil. Ainda, é claro, em proporções menores do que em outros países. Ter esse destaque mundial mostra que o Brasil também pode ter mais atletas praticando o ‘cheer’”, afirmou.

Trajetória de Frederico Maradei no cheerleading mundial

A história do atleta com o cheerleading começou durante sua graduação em Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Uberlândia. Em 2015, após conhecer a equipe da faculdade, Maradei passou a competir em torneios universitários e conquistou títulos como os campeonatos mineiro e brasileiro. Em 2018, ele integrou a primeira equipe uberlandense do BRAVO Cheer, com a qual venceu o Nacional de Clubes.

 

Frederico Maradei, campeão mineiro de 2019 pela Equipe Bravo
Frederico Maradei, campeão mineiro de 2019 pela Equipe Bravo – Acrevo pessoal

O grande salto internacional veio em 2021, quando descobriu um programa de bolsa-atleta em uma universidade americana voltado a competidores com habilidades avançadas. A oportunidade o levou aos Estados Unidos, onde cursou MBA e passou a integrar a equipe de cheer da Westcliff University. Ele competiu por duas temporadas e depois assumiu a função de auxiliar técnico. Desde então, participou de conquistas importantes, como o título do NCA College Nationals em 2023 e 2025, além do USA Collegiate Nationals.

Para ele, é uma alegria representar Uberlândia e instituições importantes para sua carreira. “É muito gratificante pensar que a gente começou dentro da UFU, como esporte dentro da UFU, e eu consegui ver a evolução do esporte dentro da própria universidade. Quando a gente começou lá em 2015, existiam pouquíssimos times, não existia nenhuma competição, era algo muito de hobby mesmo”, explicou em entrevista ao Paranaiba Mais.

Maradei destaca que treinar e competir nos Estados Unidos abriu portas e permitiu uma evolução técnica que hoje contribui diretamente para seu desempenho no time americano bicampeão mundial. Mas esta decisão não foi fácil, e ele conta que precisou de um empréstimo no banco para conseguir seguir seus sonhos. 

“O impacto foi gigantesco, algo que mudou minha vida completamente. Primeiramente, eu não tinha intenção de vir para cá. Quem encontrou a oportunidade e entrou em contato foi a Laura; na época, ela era minha namorada. A gente não tinha dinheiro e acabou fazendo um empréstimo pessoal para poder vir, mas deu certo. A gente sabe que não vai ser atleta para sempre, mas felizmente já tem outra rota, que é essa rota de ser treinador, de trabalhar no ginásio”, contou com alegria.

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O desafio do tricampeonato mundial em 2026

A temporada 2025/2026 já está em preparação. Entre janeiro e março, o atleta competirá em três torneios nacionais antes do mundial. A equipe se prepara para voltar à Flórida em abril em busca do tricampeonato consecutivo. O ritmo de treinamento é intenso, incluindo finais de semana, para garantir precisão nos elementos técnicos que serão executados no The Cheerleading Worlds.



Maradei explica que a modalidade exige disciplina, força, consciência corporal e coordenação impecável. Ele afirma que repetir o feito histórico é possível, mas depende de dedicação máxima de todos os integrantes da equipe.

“A gente está indo agora para a temporada de 2026 com bastante expectativa. A gente é uma equipe muito forte. Está todo mundo muito forte, a equipe já está bem coesa. As expectativas estão muito boas para competir nesses três nacionais e no mundial”, contou.

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Cheerleading mundial e impacto no brasil

O cheerleading surgiu nos Estados Unidos no século XIX como forma de animar torcidas em eventos esportivos, mas ganhou complexidade e se transformou em um esporte competitivo de alto rendimento. Hoje, rotinas incluem acrobacias, pirâmides, saltos, dança e sincronização.

No Brasil, o crescimento tem sido constante. Há centenas de equipes registradas, campeonatos nacionais e competidores que já representam o país no cenário internacional. A modalidade é reconhecida pela International Cheer Union, mas ainda não faz parte do programa olímpico dos Jogos de Los Angeles 2028, embora haja expectativa de inclusão futura. Para Maradei, no país, o esporte ainda está se consolidando.

“O esporte no Brasil está crescendo muito rápido. Hoje em dia, a gente tem inúmeras competições acontecendo no país, é possível perceber que existe uma espécie de temporada formada. Quando falo em temporada, me refiro aos meses em que as principais competições acontecem de forma recorrente todos os anos. Quando isso acontece, significa que o esporte está se consolidando. O Brasil está inserido no cenário internacional, com certeza”, afirmou.

O Campeonato Mundial Cheerleading Worlds, realizado anualmente em Orlando, é considerado o ápice da carreira de um atleta all star. Conquistar uma medalha significa alcançar o topo da modalidade. A participação de atletas brasileiros em equipes americanas de elite reforça o avanço da prática no país e abre espaço para novos talentos.

Em 2026, Frederico Maradei dará mais um passo importante nessa trajetória, levando novamente o nome do Brasil para o principal palco do esporte.