Brasileiro de 1987 volta ao STF com parecer pró-Flamengo
PGR envia manifestação ao Supremo e defende validade da decisão da CBF que reconheceu Flamengo e Sport como campeões do Brasileiro de 1987
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A disputa pelo Brasileiro de 1987 ganhou um novo capítulo em Brasília. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável à resolução da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que, em 2011, reconheceu Flamengo e Sport como campeões do torneio. A manifestação foi protocolada nesta quarta-feira (18) e reforça a tese defendida pelo clube carioca.

O documento foi anexado a um recurso apresentado pelo Flamengo em ação rescisória que busca reverter a decisão anterior do STF. Em 2018, a Corte reconheceu o Sport como único campeão brasileiro daquele ano e invalidou a resolução da CBF que previa o compartilhamento do título.
No parecer, Gonet sustenta que o reconhecimento concedido pela CBF ocorreu no âmbito esportivo e, por isso, deve ser preservado. Para o procurador, é possível manter o que já foi decidido judicialmente em favor do Sport sem impedir que a entidade máxima do futebol brasileiro reconheça a titulação dividida. Na prática, o entendimento abre espaço para restabelecer a decisão administrativa que beneficia também o Flamengo.
O caso voltará ao STF, que ainda não definiu data para julgar a ação. A nova análise poderá redefinir oficialmente os contornos de um dos episódios mais controversos da história do futebol nacional.
Brasileiro de 1987 e a polêmica que atravessa gerações
Para entender o impasse, é preciso voltar a 1986. O Campeonato Brasileiro daquele ano reuniu 80 clubes e terminou sob críticas ao formato e à organização. A CBF prometeu reformular a competição e criar uma primeira divisão mais enxuta, com 24 equipes.
Antes do início de 1987, a entidade alegou não ter condições financeiras para organizar o torneio. Diante do impasse, surgiu o Clube dos 13, grupo formado por grandes equipes do país como Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético MG, Cruzeiro e Bahia. O bloco decidiu organizar sua própria competição, que ficou conhecida como Copa União.
Enquanto isso, a CBF propôs um campeonato com 40 clubes e criou um regulamento que previa cruzamento entre os dois primeiros colocados da Copa União, chamada de Módulo Verde, e os dois melhores do Módulo Amarelo. O acordo gerou divergências internas, embora tenha havido assinatura formal concordando com o modelo.
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Dentro de campo, o Flamengo venceu o Internacional por 1 a 0 na final da Copa União e celebrou o título. No Módulo Amarelo, Sport e Guarani terminaram empatados na decisão, inclusive nos pênaltis, e foram declarados vencedores daquela fase.
Em 1988, a CBF manteve a exigência do cruzamento final. Flamengo e Internacional não disputaram as partidas. Sport e Guarani avançaram por W.O., e o clube pernambucano venceu a decisão seguinte, sendo proclamado campeão brasileiro pela entidade.
Desde então, a batalha seguiu nos tribunais. Em 2018, o STF reconheceu o Sport como único vencedor do Brasileiro de 1987, enquanto o Flamengo permaneceu oficialmente com o título da Copa União. Agora, com o parecer da PGR, o debate retorna à Suprema Corte, reacendendo uma rivalidade que ultrapassa as quatro linhas e mobiliza torcidas há quase quatro décadas.