“Aqui está o mundo inteiro”: torcedor leva Uberlândia Esporte pra Copa
Torcedor carrega uma paixão herdada do avô e do pai e transformou o amor pelo clube em destaque nas arquibancadas do Mundial
Na tarde desta segunda-feira (29), o uberlandense Henrique Penna, de 33 anos, colocou o Uberlândia Esporte Clube no centro do mundo ao levar bandeiras do time e da torcida organizada ao jogo entre Brasil e Japão, pela fase dezesseis avos de final da Copa do Mundo 2026, no Estádio de Houston. Ao Paranaíba Mais, o médico contou que a emoção de carregar o nome do clube não se deu apenas pelo contexto, em que os olhos de milhões de pessoas estavam observando, mas sim por uma herança e uma história de amor que começou há três gerações.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A partida foi a primeira de Henrique em Copas do Mundo, e ele irá acompanhar a Seleção durante esta segunda fase do torneio. Segundo ele, estar lá é uma experiência única. “A experiência com pessoas de vários países é algo completamente diferente de outros campeonatos e ver de perto ídolos não tem preço”.
Ao levar a bandeira do Uberlândia Esporte Clube na Copa do Mundo, o médico conta que se surpreendeu positivamente. Torcedores de outros times de todo país passaram a reconhecer o Verdão. “O pessoal pergunta por conhecer a recente campanha. ‘É o time do Uber? Lá na sua cidade vocês usam outros aplicativos? Uberlândia do uberLÂNDIA, né?’”, contou.
Na última semana, a campanha do clube com o patrocinador conquistou o Leão de Ouro no Cannes Lions, um dos principais festivais internacionais de criatividade e marketing.
O amor pelo Uberlândia Esporte Clube
Henrique conta que o amor pelo Uberlândia Esporte Clube começou no berço. Seu pai, Abelardo Penna, foi mascote do time quando criança e atuou como médico ortopedista da equipe por mais de 30 anos. “É meu primeiro time. Meu pai me ensinou a torcer foi pelo Uberlândia, foi o que eu carrego até hoje. O meu avô passou pro meu pai, meu pai teve essa identificação, começou a trabalhar no clube, e passou isso pra mim. Eu espero passar isso de geração pra geração”.
Nos momentos difíceis e na recente ascensão do time do Triângulo, a paixão de infância foi se tornando algo fundamental em sua vida. Ele conta que foi num momento difícil para o clube que ele decidiu fazer uma de suas maiores provas de amor. “Em 2014, quando o Uberlândia não conseguiu subir em Montes Claros, eu tinha 19 anos e a gente juntou um grupo de amigos e resolveu fundar uma torcida. Então eu sou um dos fundadores da torcida Jovem Uberloucos. Graças a Deus, hoje é um grupo muito forte”.
Naquele ano, na reta decisiva do Módulo II do Campeonato Mineiro, o Uberlândia dependia apenas de um empate diante de Tricordiano ou Montes Claros para garantir o acesso. No entanto, a equipe acabou sendo derrotada nos dois compromissos, mesmo enfrentando adversários que já não tinham chances de classificação.
O Tricordiano chegou à partida após mudanças na comissão técnica, enquanto o Montes Claros utilizou uma formação composta majoritariamente por atletas reservas. Ainda assim, o Verdão não conseguiu somar os pontos necessários e viu escapar mais uma oportunidade de retornar à elite do futebol mineiro.
A campanha terminou com 11 vitórias, três empates e seis derrotas em 20 partidas. Ao longo da competição, a equipe sofreu 35 gols, desempenho defensivo que pesou na luta pelo acesso.
Levar a bandeira à Copa do Mundo 2026 não é a primeira prova de que o amor dos Penna pelo Verdão supera qualquer distância. O médico também levou a bandeira do clube para o Mundial de Clubes, no ano passado, e, desde 2015, Henrique mora em São Paulo, mas não perde os jogos decisivos do Uberlândia e faz o impossível para acompanhar o clube que ama.
Ver esta publicação no Instagram
“Sempre quando tem jogo eu compro a passagem, eu vou pra Uberlândia, assisto o jogo. Eu fui em Montes Claros, agora e eu tô sempre acompanhando. Os meninos da torcida são sensacionais. Eu gosto demais, onde eu vou com eles, é uma família. Eu me sinto em casa, eu me sinto bem, eu me sinto feliz”, contou Henrique.
O médico conta que todos os seus colegas ficaram muito felizes por ele ter levado a bandeira do Uberlândia Esporte Clube para a Copa do Mundo. Para eles, o ato significa estar levando “o nome do Uberlândia Esporte, da torcida Jovem Uberloucos e da cidade para o mundo”.
“Aqui tá o mundo inteiro. O mundo inteiro acompanhou esse jogo hoje. Então, isso pra gente é muito importante. A gente fez uma bandeira justamente só pra Copa, que tem o símbolo do Uberlândia, tem o símbolo da torcida, e tem os dois símbolos do Brasil, um de cada lado. Então, a gente veio preparado. A gente veio preparado”, completou.
LEIA MAIS: Veja os recordes da Copa 2026: o Mundial que promete reescrever tudo
Uberlândia Esporte Clube no Brasil x Japão
Na sua primeira vez em uma Copa do Mundo, Henrique contou que não se importava se iria sair vencedor ou derrotado. “Eu sempre tive o sonho e a vontade de vir. Eu fiquei muito feliz de ver a Seleção em campo, de ver o Neymar ali no banco, mesmo que não tenha jogado, de ver os jogadores, os gols. Eu não sei descrever a sensação, mas é a sensação de felicidade. Se o Brasil perdesse aqui, tudo bem, teria um sentimento triste. Mas, pô, eu vim aqui, eu vi uma Copa, eu vi um jogo do Brasil”.

O médico relata que se surpreendeu com a simpatia de todos os japoneses que, segundo ele, são “todos, sem exceção, muito educados”. Mesmo derrotados, os asiáticos limparam todo o setor em que estavam no estádio, que Henrique diz ser uma parte pequena. “Aqui hoje era 85% brasileiro, os outros 15% Japão”.
Ele conta que a interação com a torcida japonesa também foi bem tranquila, mesmo na hora das provocações. “Tirei foto com alguns japoneses, gravei um vídeo também com os caras. Eles estavam tomando um café e nós na cerveja. Falamos: ‘isso não é hora de tomar café não, pô’”.
“Na hora que o Japão fez o gol, o estádio ficou em silêncio. Em nenhum momento ninguém vaiou. Estavam todos apreensivos ali, todo mundo comendo unha, todo mundo gritando ordens. Mas em nenhum momento ninguém vaiou, todo mundo apoiou. Acabou o primeiro tempo e não teve vaias no intervalo, o povo aplaudiu, incentivou, e graças a Deus, nos primeiros 10 minutos do segundo tempo, a gente conseguiu empatar. Aí a torcida ficou tranquila de novo, a galera voltou a conversar entre si, voltou a ter o semblante mais alegre”, relatou.
Henrique conta que, mesmo sem entrar, Neymar foi o jogador mais celebrado. Hora cantavam seu nome, hora pediam sua entrada. “Neymar, na hora que ele apareceu no telão ali, antes do jogo começar, o estádio já parou. Eu acho que nem o Vini Jr. é igual, eu acho que é o Neymar, o mais celebrado”.
Em momentos de tensão, a torcida foi à loucura, como quando um gol de Casemiro foi tirado em cima da linha ou quando Vini Jr. quase fez o que seria ‘o gol da Copa do Mundo’ até agora. “Você sentia que a torcida do Brasil estava toda emocionada. Mas acho que a torcida do Brasil deveria cantar mais”.
Agora, Henrique deve ir para Nova York, onde ficará até o próximo jogo da Seleção Brasileira. Enquanto o Brasil estiver disputando esta Copa do Mundo, a cidade de Uberlândia e o Verdão terão um representante declarado nas arquibancadas. Para acompanhar a Copa do Mundo 2026 e continuar vendo nossa região no centro do mundo, continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais.