UFU: após impasse nas negociações, estudantes ocupam Reitoria
Primeira rodada de negociações entre estudantes e Reitoria debate demandas do Campus Pontal, mas divergências sobre a pauta geral levam à ocupação da Reitoria em Uberlândia
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Nesta segunda-feira (1º), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) realizou a primeira reunião da mesa de negociações entre representantes do Movimento Estudantil e a Reitoria. No encontro, foram debatidas as reivindicações encaminhadas pela Assembleia Geral dos Estudantes da UFU, realizada na última sexta-feira (29). Não satisfeitos com as propostas apresentadas, alunos decidiram ocupar a reitoria até o desenrolar das negociações. Alguns estudantes chegaram a levar colchões e roupa de cama para passar a noite desta segunda (1º). Já o Campus Pontal, em Ituiutaba, segue ocupado.

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A reunião foi conduzida pela vice-reitora Catarina Azeredo e contou com a presença da chefe de Gabinete, Christiane Pitanga; da prefeita universitária, Juliana Cardoso; da pró-reitora de Assistência Estudantil, Luciana Saraiva da Silva; e do pró-reitor de Graduação, Waldenor Barros Moraes Filho.
Segundo a Universidade, representando os estudantes, participaram membros da coordenação do Diretório Central dos Estudantes da UFU (DCE), do Comando de Ocupação do Campus Pontal e de diversos coletivos do movimento estudantil, entre eles Kizomba, Paratodos, Enfrente, Levante Popular da Juventude, Afronte, Correnteza, União da Juventude Comunista e Infinitum. Ao todo, 16 estudantes indicados pelo DCE participaram do encontro.
Em nota, o Diretório Central dos Estudantes da UFU afirmou que, durante a reunião de negociação, não foram discutidas as reivindicações encaminhadas à reitoria a partir da Assembleia Geral. Segundo eles, a mesa de hoje tratou exclusivamente as demandas do Pontal.
Por isso, o órgão representativo iniciou a ocupação da Reitoria, onde afirmam estar debatendo o que será feito durante este período. Segundo eles, trabalhos estão sendo realizados em prol da comunicação e a mobilização com o resto da comunidade acadêmica.
Ao término do encontro, ficaram definidas as próximas etapas de negociação entre estudantes e administração universitária. A reunião de acompanhamento das demandas específicas do Campus Pontal foi agendada para esta terça-feira, 2 de junho, às 14h, em formato remoto.
Já a discussão da pauta unificada envolvendo os sete campi da universidade ocorrerá em 3 de junho, às 8h30, de forma presencial.
Em nota, a universidade afirmou que “foi iniciada a análise do plano institucional de ações para o fortalecimento da segurança no Campus Pontal, apresentado pela Reitoria no último domingo (31), com medidas relacionadas à vigilância, iluminação, videomonitoramento e acolhimento”.
“Também foi deliberada a criação de uma mesa específica para acompanhar as demandas emergenciais do Comando de Ocupação do Campus Pontal e de outra mesa para negociação da pauta unificada dos sete campi, apresentada pelo movimento estudantil”, comunicou a UFU.
Ainda de acordo com a UFU, as ações previstas no plano já estão em andamento. A universidade reiterou o pedido de liberação imediata do acesso ao Campus Pontal.
Indicativo de greve na UFU
O indicativo de greve geral dos estudantes foi aprovado na Assembleia Geral, na última sexta-feira (29). A plenária aconteceu com participantes discentes dos 7 campi: Santa Mônica, Pontal, Monte Carmelo, Glória, Umuarama, Educação Física e Patos de Minas. Ao todo, 553 estudantes foram favoráveis à greve, 117 contrários e houve 10 abstenções.
Segundo os grevistas, o ato acontece pois a UFU “atravessa um momento de profunda deterioração das condições de estudo, trabalho e permanência”. “Apesar da retórica institucional, os estudantes constatam, na prática diária, o desinvestimento sistemático, a negligência com a infraestrutura e a fragilidade da assistência estudantil”, escreveram os estudantes.
O documento foi enviado à reitoria no último sábado (30), e demandava “a apresentação de respostas concretas sobre as pautas de segurança” até esta segunda-feira (1º). Caso as negociações não avançassem, seria realizada a deflagração de uma greve geral.
Algumas das reivindicações dos estudantes
Entre as reivindicações gerais apresentadas pelos estudantes para toda a Universidade Federal de Uberlândia estão a ampliação da contratação de vigilantes, a instalação de botões de emergência nos blocos com maior circulação, a integração de aplicativos institucionais a sistemas de botão do pânico e a criação de um monitoramento específico para moradias estudantis femininas.
Também defendem a instalação de câmeras de monitoramento em todos os blocos, a construção e implementação de espaços institucionais destinados ao acolhimento de mulheres vítimas de violência nos campi, com oferta de acompanhamento técnico qualificado, e a criação de novos protocolos para que equipes de vigilância possam atuar imediatamente em situações que envolvam a segurança da comunidade acadêmica.

Na assistência estudantil, reivindicam o reajuste geral das bolsas e auxílios com correção pela inflação e o retorno do chamado “ticket de confiança”.
As demandas de infraestrutura e acessibilidade incluem a manutenção dos elevadores de acessibilidade, o conserto de fechaduras e a instalação de portas em banheiros e cabines sanitárias, além da instalação de bebedouros de 200 litros nos blocos.
Na área da saúde estudantil e saúde mental, os estudantes defendem a criação de pontos de atendimento para primeiros socorros, a contratação de psicólogos e psiquiatras para todos os campi, atendimento gratuito e descentralizado e campanhas permanentes de conscientização sobre ansiedade e depressão.
Entre as pautas de apoio a mães e pais estudantes estão a ampliação do auxílio-creche e a criação de brinquedotecas em todos os campi, com monitores e infraestrutura adequada.
No esporte universitário, as reivindicações incluem a regularização da bolsa-atleta, a oferta de transporte para competições e acesso e ampliação de academias nos campi.
Na área da gestão universitária, os estudantes defendem a realização de consulta paritária para escolha da reitoria, com divisão igualitária de votos entre docentes, técnicos administrativos e estudantes, independentemente do quórum de cada segmento, além da consideração apenas dos votos válidos, em modelo semelhante ao utilizado em eleições conduzidas pela Justiça Eleitoral.
Por fim, no combate ao racismo e à LGBTIA+fobia, pedem o fortalecimento da Comissão de Heteroidentificação, a implantação de banheiros unissex e a garantia de retificação de nome social e gênero nos registros institucionais. Além disso, os estudantes reivindicam a criação das cotas trans na universidade e a aplicação efetiva de políticas institucionais afirmativas.
Resposta da Universidade
Antes mesmo da negociação, na manhã desta segunda-feira (1º), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) apresentou um plano de ações para reforçar a segurança no Campus Pontal, em Ituiutaba, após mobilizações de estudantes cobrando melhorias na proteção da comunidade acadêmica. A proposta reúne medidas de curto, médio e longo prazo voltadas à vigilância, iluminação, videomonitoramento, acolhimento e integração com forças de segurança.
O plano de segurança no Campus Pontal foi elaborado pela Reitoria em conjunto com a Prefeitura Universitária, Pró-Reitoria de Planejamento e Administração e outros setores da universidade. Segundo a instituição, as medidas levam em consideração critérios técnicos, operacionais e orçamentários.
Entre as ações anunciadas pela universidade estão a ampliação das rondas preventivas internas e o uso de motocicletas para agilizar os atendimentos operacionais dentro do campus.
A UFU também informou que iniciou tratativas com a Polícia Militar de Minas Gerais para definir horários estratégicos de reforço das rondas no entorno da unidade.
Outro eixo do plano prevê melhorias na iluminação do Campus Pontal. A universidade pretende realizar inspeções técnicas, mapear áreas consideradas prioritárias e reforçar a iluminação em locais de circulação acadêmica, estacionamentos e trajetos utilizados principalmente no período noturno.
Segundo a Reitoria, também existe diálogo com a Prefeitura de Ituiutaba para discutir melhorias na iluminação pública ao redor da universidade.
O plano apresentado pela universidade inclui ainda a ampliação do sistema de videomonitoramento, com instalação de novas câmeras, reposicionamento de equipamentos já existentes e capacitação das equipes responsáveis pelo acompanhamento das imagens.
A proposta também prevê integração do monitoramento do Campus Pontal à Central de Monitoramento da UFU em Uberlândia, permitindo acompanhamento em tempo integral.
Além disso, a universidade pretende criar Procedimentos Operacionais Padrão voltados à segurança institucional e aperfeiçoar fluxos de acolhimento em situações críticas.
Segundo a UFU, a ideia é garantir respostas mais rápidas em ocorrências de emergência, integrando vigilância, portarias, monitoramento e setores administrativos.
O caso do Campus Pontal
No dia 21 de maio, um homem sem vínculo institucional com a UFU invadiu o Campus Pontal, em Ituiutaba, e atacou uma estudante. De acordo com a nota divulgada pela universidade, a vítima recebeu ajuda imediata de integrantes da comunidade acadêmica e da equipe de vigilância.
A PM foi acionada rapidamente e prendeu o suspeito após a ocorrência.
A Polícia Militar classificou a infração como “constragimento ilegal”. A universidade informou que o homem tentou “violentar uma estudante” e a Polícia Civil segue investigando o caso e ainda concluirá o inquérito.

Como reação ao episódio e ao clima de insegurança no campus, estudantes iniciaram uma ocupação nas dependências da instituição em Ituiutaba. O movimento condicionou a retomada das atividades à criação de uma mesa de negociação direta com a Reitoria.
Na terça-feira (26), o reitor foi até o campus para negociar com os estudantes e afirmou que foi estabelecido “um cronograma de ações de curto, médio e longo prazo, que após submissão na Assembleia Geral [do movimento] e deliberação, o campus será liberado, se assim for decidido pelos estudantes”.
Após a reunião, os grevistas realizaram uma plenária e foi definido a continuação da ocupação.