Uberlandense ganha apoio milionário nos EUA para estudar doença de Chagas

A pesquisa do uberlandense busca entender como a infecção modifica o metabolismo não apenas das células diretamente atingidas pelo parasita

, em Uberlândia

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O pesquisador de Uberlândia Guilherme Carrara Moreira Paiva, de 33 anos, está entre sete pesquisadores de pós-doutorado da San Diego State University (SDSU) escolhidos pela Gordon and Betty Moore Foundation, uma importante instituição americana de apoio à ciência.

Com isso, o uberlandense foi selecionado para receber um financiamento de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 7 milhões) destinado a pesquisas científicas nos Estados Unidos (EUA). O valor será dividido entre os sete escolhidos.

O pesquisador foi selecionado pelo trabalho que desenvolve nos EUA na área da doença de Chagas, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi.

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O valor será destinado exclusivamente para a pesquisa do uberlandense – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal

Estudo da doença de Chagas

A pesquisa busca entender como a infecção modifica o metabolismo não apenas das células diretamente atingidas pelo parasita, mas também das células que estão próximas e não foram infectadas.

Segundo o pesquisador, a seleção foi resultado de um processo bastante competitivo.

“Foi um processo bastante competitivo, porque estamos falando de um investimento de aproximadamente 1,5 milhão de dólares distribuído entre apenas sete pesquisadores e projetos”, disse o uberlandense em entrevista ao Paranaíba Mais.

Para Guilherme, um dos diferenciais da proposta está na combinação de diferentes tecnologias para investigar a doença de Chagas.

“Um dos pontos fortes foi justamente a combinação de diferentes tecnologias para estudar a doença de Chagas de uma maneira que ainda é pouco explorada”, explicou.

Pesquisa vai além das células infectadas

Tradicionalmente, estudos sobre infecções podem concentrar a atenção nas células diretamente atingidas pelo parasita. O projeto desenvolvido por Guilherme amplia essa análise para as chamadas “células bystander”, que estão próximas às células infectadas, mas não possuem o parasita.

“O nosso projeto vai além e busca entender também o que acontece com as células que estão próximas da infecção, mas que não estão infectadas, as chamadas ‘células bystander’”, afirmou.

Para realizar o estudo, o pesquisador utiliza ferramentas como espectrometria de massas, metabolômica, rastreamento com isótopos estáveis e análises computacionais.

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O uberlandense atua como pesquisador de pós-doutorado na San Diego State University – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal

O objetivo é descobrir como o metabolismo das células é alterado durante a infecção e de que maneira essas mudanças podem contribuir para a permanência do parasita no organismo e para o desenvolvimento da doença.

“É justamente essa comunicação entre a célula infectada e as células ao redor que nós queremos entender: o que está sendo transmitido entre elas, como as células vizinhas respondem e qual é o impacto disso na progressão da doença de Chagas.”

A expectativa é que a pesquisa possa contribuir futuramente para a identificação de novos caminhos para o tratamento da doença.

“No futuro, compreender melhor esses mecanismos pode ajudar a identificar novos alvos para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas.”

Da escola pública de Uberlândia à pesquisa internacional

A conquista tem um significado especial para Guilherme por causa da trajetória construída desde a infância em Uberlândia. Ele conta que vem de uma família humilde: o pai é servidor público municipal e a mãe, costureira.

“Sou natural de Uberlândia e venho de uma família humilde. Tenho muito orgulho das minhas origens e faço questão de destacar que toda a minha formação foi construída a partir da educação pública.”

Guilherme estudou praticamente todo o ensino fundamental na Escola Municipal Professor Leôncio do Carmo Chaves, no bairro Planalto. Depois, cursou o ensino médio no Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), no Campus Uberlândia.

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Na sequência, ingressou na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde fez graduação em Ciências Biológicas e mestrado no Programa de Pós-Graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas do Instituto de Ciências Biomédicas.

Trajetória científica

Foi na UFU que, segundo ele, a trajetória científica começou a ganhar forma.

“Foi na UFU que minha trajetória científica realmente começou e onde tive algumas das primeiras oportunidades de trabalhar com pesquisa.”

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Durante a graduação, Guilherme também teve a oportunidade de estudar nos Estados Unidos pelo programa Ciência sem Fronteiras.

Mais tarde, fez doutorado no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), trabalhando com leishmaniose, e realizou parte da pesquisa na Universidade da Flórida.

De Uberlândia para os EUA

Atualmente, ele mora em San Diego, na Califórnia, onde atua como pesquisador de pós-doutorado na San Diego State University.

Além do novo financiamento, Guilherme já teve a oportunidade de participar de pesquisas apoiadas por instituições como o National Institutes of Health (NIH) e a Chan Zuckerberg Initiative (CZI).

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Guilherme em seus estudos nos EUA – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal

Para o pesquisador, a própria trajetória demonstra o impacto que a educação pública e o investimento em ciência podem proporcionar.

“As oportunidades que tive por meio dessas instituições transformaram a minha vida e me permitiram sair de uma escola pública de um bairro de Uberlândia para hoje desenvolver pesquisa científica internacionalmente.”

Ligação com Uberlândia

Mesmo vivendo atualmente nos Estados Unidos, Guilherme afirma que mantém uma ligação forte com sua terra natal. “Apesar de morar atualmente nos Estados Unidos, continuo tendo uma ligação muito forte com Uberlândia e com o Brasil. Por isso, receber esse reconhecimento e poder compartilhar essa conquista com a minha cidade tem um significado muito especial para mim.”

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