Campus Pontal da UFU será desocupado após negociações

Após negociações com a Reitoria, estudantes do Campus Pontal decidiram encerrar ocupação; demais campi debatem possível greve

, em Uberlandia

Em informe à comunidade acadêmica, os estudantes do Campus Pontal da UFU, em Ituiutaba, comunicaram que irão desocupar o espaço da Universidade até o fim deste sábado (6).  A decisão, deliberada em Plenária Geral realizada na quarta-feira (4), ocorreu após negociações com a Administração Superior da UFU. Nos demais Campi, o Diretório Geral dos Estudantes organiza assembleias em todos os cursos da instituição para colocar em votação um posicionamento sobre uma possível greve.

Campus Pontal
Campus Pontal foi ocupado pelos estudantes no dia 21 de maio, com suspensão das aulas – Crédito: Milton Santos/ UFU

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Após uma segunda reunião com a Reitoria, realizada na terça-feira (2), o Comando de Greve do Pontal da UFU informou ao Paranaíba Mais que as negociações ocorreram “de forma positiva, resultando em avanços importantes em diversas pautas apresentadas pela comunidade acadêmica”.

Segundo os estudantes, durante a reunião, “foram discutidas medidas relacionadas à segurança institucional, infraestrutura do campus, atendimento à comunidade universitária e mecanismos permanentes de acompanhamento das demandas apresentadas pelos estudantes”. 

“Entre os principais avanços e encaminhamentos definidos estão o compromisso de fortalecimento dos protocolos institucionais de prevenção e enfrentamento de situações de risco, a ampliação das medidas de monitoramento e vigilância no campus, a avaliação de mecanismos de acionamento emergencial, a construção de protocolos para situações de emergência e a realização de debates ampliados sobre novas ações voltadas à segurança universitária”, informaram os estudantes, em nota.

Ainda segundo os estudantes, foram apresentados compromissos voltados à avaliação de mecanismos de acionamento emergencial, à construção de protocolos para situação de emergência e ao fortalecimento de ações de capacitação e atendimento à comunidade acadêmica. Além disso, os estudantes afirmam que seguem em discussão demandas relacionadas ao Restaurante Universitário e a necessidades específicas apresentadas pelos estudantes.

De acordo com o Comando de Greve do Campus Pontal da UFU, após o encerramento da mesa de negociação, os encaminhamentos definidos e os compromissos assumidos pela administração universitária foram apresentados aos estudantes. 

Nesta quarta-feira (3), os estudantes realizaram uma Plenária Geral em que deliberaram a desocupação do Campus Pontal, entendendo que a mobilização cumpriu seu papel “em torno de problemas históricos vivenciados pela comunidade acadêmica e ao estabelecer compromissos formais por parte da universidade para enfrentamento de parte significativa das reivindicações apresentadas”.

A desocupação foi aprovada por 104 votos favoráveis, 5 votos contrários e 13 abstenções. 

No comunicado à comunidade acadêmica, o Comando de Greve, junto a representações dos 11 cursos de graduação do Campus, afirmou que “essa decisão decorre exclusivamente de um amplo processo de deliberação estudantil, construído por meio de assembleias de curso, plenárias abertas e espaços coletivos de debate realizados ao longo de todo o movimento”.

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Assembleias no restante dos Campi da UFU 

Na segunda-feira (1º), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) realizou a primeira reunião da mesa de negociações entre representantes do Movimento Estudantil e a Reitoria. No encontro, foram debatidas as reivindicações encaminhadas pela Assembleia Geral dos Estudantes da UFU, realizada na última sexta-feira (29). 

Não satisfeitos com as propostas apresentadas, parte dos alunos decidiu ocupar a reitoria até o desenrolar das negociações. Alguns estudantes chegaram a levar colchões e roupa de cama para passar a noite de segunda (1º). Na mesma noite, o Diretório Central dos Estudantes se posicionou contrário à ocupação da Reitoria, que seguiu por parte de movimentos estudantis e alunos independentes, alegando que as negociações estavam em andamento.

Nesta quarta-feira (2), foi realizada, de maneira on-line, uma reunião extraordinária do Conselho de Centros e Diretórios Acadêmicos (CONDAS) da UFU. A plenária definiu os representantes estudantis que irão participar de outra Mesa de Negociação com a Reitoria. 

Além disso, estabeleceram que até o dia 12 de junho todos os cursos da UFU irão realizar assembleias ou consultas on-line, acerca do posicionamento dos estudantes sobre uma possível greve. Alguns cursos já teriam realizado tal consulta.

Resultado das consultas até o momento da reunião

  • Diretório Acadêmico do Curso de Zootecnia: realizou consulta online, registrando 115 votos contrários à greve, 13 favoráveis e nenhuma abstenção;
  • Diretório Acadêmico Livre de Arquitetura e Urbanismo: realizou assembleia online com resultado de 148 votos contrários à greve, nenhum favorável e 9 abstenções;
  • Diretório Acadêmico do curso de Direito: realizou consulta por formulário eletrônico e registrou sobre a greve 66 votos contrários, 8 favoráveis e 1 abstenção, e sobre a ocupação 52 votos contrários, 18 favoráveis e 4 abstenções;
  • Diretório Acadêmico da Matemática: realizou consulta online, registrando 30 votos contrários à greve, 16 favoráveis e 7 abstenções;
  •  Diretório Acadêmico do curso de Economia: realizou formulário com 27 respostas, registrando 22 votos contrários à greve, 5 favoráveis e nenhuma abstenção;
  • Centro Acadêmico do curso de Engenharia de Produção: realizou levantamento com 65 votos contrários à greve, 25 favoráveis e nenhuma abstenção;
  • Centro Acadêmico de Ciências Sociais: realizou assembleia em 27 de maio, registrando na votação sobre a adesão do curso à paralisação, com 42 discentes presentes no momento, o resultado foi: 41 votos a favor; 1 abstenção e 0 votos contra;
  • DACPTM: a assembleia já foi realizada com um total de votos presenciais de 33 contra a greve e 0 favoráveis;
  • Diretório Acadêmico de Administração e de Administração Pública: realizou consulta online com 231 respostas, sendo 211 contrários à greve, 16 favoráveis e 4 abstençõe.

Algumas das reivindicações dos estudantes 

Entre as reivindicações gerais apresentadas pelos estudantes para toda a Universidade Federal de Uberlândia estão a ampliação da contratação de vigilantes, a instalação de botões de emergência nos blocos com maior circulação, a integração de aplicativos institucionais a sistemas de botão do pânico e a criação de um monitoramento específico para moradias estudantis femininas.

Também defendem a instalação de câmeras de monitoramento em todos os blocos, a construção e implementação de espaços institucionais destinados ao acolhimento de mulheres vítimas de violência nos campi, com oferta de acompanhamento técnico qualificado, e a criação de novos protocolos para que equipes de vigilância possam atuar imediatamente em situações que envolvam a segurança da comunidade acadêmica.

Primeira reunião da mesa de negociações ocorreu na sala de reuniões do Gabinete do Reitor (Foto: Milton Santos)
Primeira reunião da mesa de negociações ocorreu na sala de reuniões do Gabinete do Reitor – Crédito: Milton Santos/UFU

Na assistência estudantil, reivindicam o reajuste geral das bolsas e auxílios com correção pela inflação e o retorno do chamado “ticket de confiança”.

As demandas de infraestrutura e acessibilidade incluem a manutenção dos elevadores de acessibilidade, o conserto de fechaduras e a instalação de portas em banheiros e cabines sanitárias, além da instalação de bebedouros de 200 litros nos blocos.

Na área da saúde estudantil e saúde mental, os estudantes defendem a criação de pontos de atendimento para primeiros socorros, a contratação de psicólogos e psiquiatras para todos os campi, atendimento gratuito e descentralizado e campanhas permanentes de conscientização sobre ansiedade e depressão.

Entre as pautas de apoio a mães e pais estudantes estão a ampliação do auxílio-creche e a criação de brinquedotecas em todos os campi, com monitores e infraestrutura adequada.

No esporte universitário, as reivindicações incluem a regularização da bolsa-atleta, a oferta de transporte para competições e acesso e ampliação de academias nos campi.

Na área da gestão universitária, os estudantes defendem a realização de consulta paritária para escolha da reitoria, com divisão igualitária de votos entre docentes, técnicos administrativos e estudantes, independentemente do quórum de cada segmento, além da consideração apenas dos votos válidos, em modelo semelhante ao utilizado em eleições conduzidas pela Justiça Eleitoral.

Por fim, no combate ao racismo e à LGBTIA+fobia, pedem o fortalecimento da Comissão de Heteroidentificação, a implantação de banheiros unissex e a garantia de retificação de nome social e gênero nos registros institucionais. Além disso, os estudantes reivindicam a criação das cotas trans na universidade e a aplicação efetiva de políticas institucionais afirmativas.

O caso do Campus Pontal

No dia 21 de maio, um homem sem vínculo institucional com a UFU invadiu o Campus Pontal, em Ituiutaba, e atacou uma estudante. De acordo com a nota divulgada pela universidade, a vítima recebeu ajuda imediata de integrantes da comunidade acadêmica e da equipe de vigilância.

A PM foi acionada rapidamente e prendeu o suspeito após a ocorrência.
A Polícia Militar classificou a infração como “constragimento ilegal”. A universidade informou que o homem tentou “violentar uma estudante” e a Polícia Civil segue investigando o caso e ainda concluirá o inquérito. 

Como reação ao episódio e ao clima de insegurança no campus, estudantes iniciaram uma ocupação nas dependências da instituição em Ituiutaba. O movimento condicionou a retomada das atividades à criação de uma mesa de negociação direta com a Reitoria.