Uberlândia é potência empreendedora; conheça os desafios e impactos da profissão
Mais de 60% das empresas não sobrevivem aos primeiros 5 anos e especialistas apontam que o crescimento acelerado, sem processos e liderança estruturada, é a principal causa de mortalidade empresarial; conheça o panorama local
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Em um cenário de alto volume de abertura de CNPJs, empreender no Brasil se torou algo comum. Contudo, manter um negócio funcionando de maneira saudável continua sendo um dos maiores desafios. Enquanto o país registrou mais de 5 milhões de novas empresas abertas em 2025, 62,7% dos empreendimentos encerram as atividades antes de completar cinco anos, segundo dados do IBGE. O cenário ganha ainda mais relevância em cidades como Uberlândia, que soma 141.605 empresas ativas, das quais mais de 93% são pequenos negócios, conforme levantamento do Sebrae.

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O contraste entre o crescimento do empreendedorismo e a dificuldade de consolidar empresas também aparece nos indicadores nacionais. Em 2025, o Brasil alcançou o maior número de empresas em recuperação judicial da história, com 2.466 CNPJs em processos de reestruturação, alta de 13% em relação ao ano anterior, de acordo com a Serasa Experian.
Uberlândia ultrapassa 141 mil empresas
Os dados do Mapa Sebrae de Empresas mostram a força do empreendedorismo local.
Uberlândia contabiliza 141.605 empresas ativas, sendo 132.093 pequenos negócios, que representam 93,28% do total. O município possui ainda:
- 72.450 Microempreendedores Individuais (MEIs), equivalentes a 51,16% das empresas;
- 59.643 Microempresas (MPEs), participação de 42,12%;
- 9.512 empresas de outros portes;
- 7.748 Empresas de Pequeno Porte (EPPs).
Os números mostram que a economia local depende, principalmente, dos pequenos empreendedores.
Entre os setores com maior concentração de estabelecimentos, o destaque é para Serviços, com 40.985 empresas, seguido por Comércio (14.460), Indústria (9.787), Construção Civil (6.522) e Agropecuária (696).
Por que tantas empresas fecham?
Apesar do crescimento do número de CNPJs, manter uma empresa financeiramente saudável exige muito mais do que conquistar clientes.
Segundo especialistas, o problema raramente está apenas nas vendas. Falhas de gestão, ausência de planejamento, liderança centralizada e falta de processos estruturados costumam aparecer entre os principais fatores que levam empresas ao fechamento.
Para Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, muitos empresários concentram seus esforços apenas na expansão das vendas e deixam de estruturar o negócio para suportar esse crescimento.
“Grande parte das empresas concentra seus esforços em vender mais, conquistar clientes e expandir a operação. Tudo isso é importante, mas não garante sustentabilidade. Em muitos casos, o crescimento acontece em velocidade maior do que a capacidade de gestão do próprio negócio.”
O diagnóstico encontra respaldo em pesquisas do Sebrae, que mostram que 17% dos empreendedores brasileiros abriram seus negócios sem qualquer planejamento prévio. Entre as empresas que encerram as atividades, também é maior a proporção de empresários que não investiram em capacitação e gestão.
Segundo Oliveira, antes de pensar em expansão é necessário identificar gargalos como:
- fluxo de caixa fragilizado;
- ausência de processos internos;
- metas pouco definidas;
- equipes sem alinhamento;
- indicadores inexistentes.
De acordo com o especialista, esses problemas tendem a crescer na mesma velocidade em que a empresa aumenta de tamanho.
Outro desafio recorrente é a centralização das decisões no próprio fundador. Sem líderes preparados para dividir responsabilidades e sem processos organizados, o crescimento costuma perder eficiência.
Leia Mais: Mulheres da periferia de Uberlândia usam o digital para liderar negócios
Protagonismo feminino e a capacitação local
Hoje, os serviços, o comércio e a indústria dominam o mapa empresarial de Uberlândia, com destaque para áreas como promoção de vendas e serviços de estética, que figuram entre os segmentos mais robustos.
O projeto “Uberlândia Empreendedora nos Bairros”, por exemplo, leva consultorias de formalização e finanças diretamente para escolas públicas em regiões periféricas. As mulheres representaram cerca de 58% de todos os atendimentos realizados pela iniciativa.
Já no bairro Morumbi, oficinas de inclusão digital desenvolvidas nos Centros Educacionais de Assistência Integrada (Ceais) preparam a comunidade para a nova realidade do mercado, focando em produção de conteúdo digital. Segundo dados da Prefeitura de Uberlândia, as mulheres são maioria absoluta nestes espaços, somando 70% dos concluintes das formações oferecidas nos centros profissionalizantes.
Segundo Fabiana Queiroz, especialista do Sebrae Minas, os negócios que apresentam maior potencial de crescimento costumam surgir a partir de uma oportunidade bem identificada. “Todo mundo busca melhorar a renda e ter mais segurança financeira. Mas, na nossa região, percebemos que os empreendimentos com maior potencial de crescimento e sustentabilidade geralmente surgem quando existe uma oportunidade identificada ou o desejo de transformar um sonho em realidade”, analisa.
É o caso de Ana Júlia, 22 anos, que encontrou no comércio digital de camisas de futebol, no bairro Santa Rosa, uma forma de transformar a realidade de sua família. “Vim de uma família que sempre passou dificuldades. Minha mãe me criou sozinha e batalhou muito para que eu tivesse essa oportunidade hoje”, compartilha a empreendedora.
Apesar do avanço do empreendedorismo feminino, o ecossistema uberlandense ainda enfrenta desafios. Pesquisas do Sebrae Minas indicam que 35% das microempreendedoras apontam a escassez de crédito como a maior barreira inicial.
Além disso, 91% operam sem acesso a mentorias ou redes de apoio institucional, o que torna o caminho do empreendedor solitário e mais suscetível a erros.
Crescimento exige gestão profissional
Dema Oliveira defende que o aumento do número de empresas precisa ser acompanhado de maior preparo na administração dos negócios.
Além do planejamento financeiro, algumas ações se tornam fundamentais:
- desenvolvimento de lideranças;
- organização de processos internos;
- acompanhamento de indicadores;
- capacitação contínua;
- participação em redes de relacionamento e grupos empresariais.
Segundo Dema, empresas que apostam nessas áreas conseguem enfrentar períodos de instabilidade com maior capacidade de adaptação.
“Empresas que investem em diagnóstico, liderança, processos e desenvolvimento empresarial constroem bases mais sólidas para enfrentar períodos de instabilidade e sustentar o crescimento no longo prazo.”
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