Só compra quem trabalha: novo formato de mercado em São Paulo viraliza nas redes
Inspirado em modelos de sucesso dos EUA e da Europa, supermercado cooperativo de São Paulo propõe consumo sustentável e coletivo
Um supermercado onde só compra quem trabalha não é um formato novo no mundo. Mas a proposta vem chamando atenção nas redes sociais após uma cooperativa em São Paulo iniciar um projeto inspirado em modelos estrangeiros.
Reacendendo debates sobre novas formas de consumo, trabalho e economia solidária a Gomo Coop é considerado o primeiro supermercado cooperativo e participativo do Brasil, que inaugura oficialmente na primeira semana de janeiro de 2026.

De onde surgiu a ideia
A principal inspiração vem da Park Slope Food Coop, criada em 1973 no Brooklyn, em Nova York, e que há mais de 50 anos opera com uma lógica simples: quem consome também é dono e trabalhador.
Nesse modelo, cada cooperante precisa cumprir turnos mensais de trabalho para ter direito a fazer compras no local. Essa participação ativa reduz custos operacionais, fortalece laços comunitários e permite preços mais acessíveis. Hoje, o modelo reúne mais de 17 mil membros e se tornou referência mundial e inspirou outras experiências.
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Em 2016, após anos de estudo do sistema da Park Slope, um grupo de franceses inaugurou a La Louve, em Paris. A iniciativa impulsionou a criação de cooperativas semelhantes em vários países da Europa, como a Bees Coop, em Bruxelas.
A versão brasileira
A Gomo Coop surge em São Paulo, inspiradas nesses outros modelos já existentes. O projeto nasceu da união de pessoas que já tinham experiência com comércio de orgânicos e economia solidária, mas que sentiram a necessidade de avançar para um modelo mais estruturado, com autogestão, governança coletiva e sustentabilidade financeira.
Os responsáveis pela ideia se dedicaram a entender o modelo proposto fora do país e adaptaram à realidade brasileira. Hoje, a Gomo reúne mais de 30 cooperantes fundadoras e se prepara para abrir as portas após quatro anos de planejamento e uma arrecadação de mais de R$ 100 mil.
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De forma geral, o modelo funciona de forma simples, só compra quem trabalha. Para ter acesso às compras, é necessário contribuir com três horas mensais de trabalho, atuando em tarefas como organização, atendimento, reposição de produtos ou decisões coletivas.
O supermercado vai oferecer:
- Hortifruti 100% agroecológico e sem agrotóxicos;
- Produtos de mercearia, limpeza e higiene;
- Prioridade para produtores locais e agricultura familiar;
- Opções orgânicas e alternativas mais acessíveis em cada categoria.
Diferente do varejo tradicional, o lucro não é distribuído individualmente. Todo resultado positivo é reinvestido na própria cooperativa, seja para melhorar a infraestrutura, ampliar a cooperativa ou reduzir preços.
Possibilidade de testar o projeto
Mesmo com o funcionamento restrito a cooperantes, a Gomo adotará uma estratégia de abertura temporária ao público não cooperado nos primeiros seis meses. A ideia é permitir que mais pessoas conheçam o modelo antes de decidir pela adesão.