Fila do INSS chega a 2,2 milhões e governo prepara força-tarefa de R$ 300 milhões
Estratégia prevê pagamento extra a servidores e peritos para destravar benefícios atrasados; meta do governo Lula é zerar processos fora do prazo até setembro
A fila de pedidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou a superar a marca de 2 milhões de requerimentos, e o governo federal pretende investir cerca de R$ 300 milhões para acelerar as análises. A estratégia prevê o pagamento de bônus por produtividade a servidores e peritos e busca eliminar, até setembro, os processos que ultrapassaram o prazo legal de conclusão.
Dados do painel de monitoramento do INSS mostram que, em maio, havia aproximadamente 2,2 milhões de requerimentos em análise. Desse total, cerca de 765 mil pedidos aguardavam resposta havia mais de 45 dias, prazo legal para a conclusão dos processos administrativos.
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O pagamento adicional será destinado a servidores e peritos que superarem as metas de produtividade. O modelo já foi adotado em anos anteriores e voltou a ser utilizado diante do aumento da demanda por aposentadorias, pensões, auxílios e outros benefícios previdenciários.
Bônus de até R$ 75 por atendimento extra
A iniciativa integra o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), criado para acelerar a análise de processos e reduzir a fila do INSS.
A legislação que regulamenta o programa prevê o pagamento de:
- R$ 68 por processo analisado para servidores da Carreira do Seguro Social;
- R$ 75 por perícia ou atendimento extra realizado por peritos médicos federais.
Os valores são pagos apenas por atividades executadas além das metas regulares e não são incorporados aos salários.
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Programa foi criado após aumento na fila do INSS
O PGB foi instituído pela Medida Provisória nº 1.296, assinada em 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o crescimento da fila do INSS ao longo de 2024, quando o número de pessoas à espera de análise ultrapassou 2 milhões.
Posteriormente, a medida foi convertida na Lei nº 15.201, de 9 de setembro de 2025, que estabeleceu as regras de participação de servidores e peritos no programa.
A legislação determina prioridade para:
- processos com prazo superior a 45 dias;
- casos com prazo judicial vencido;
- avaliações sociais relacionadas ao Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- perícias médicas em regiões com baixa oferta de atendimento.
O programa tem duração prevista de 12 meses e poderá ser prorrogado até o fim de 2026.
Governo aposta em força-tarefa para reduzir atrasos
Segundo o governo federal, a combinação de pagamento por produtividade, reorganização interna e mudanças operacionais tem ampliado a capacidade de atendimento do instituto.
Nos últimos meses, o ritmo de processamento aumentou. Em um único mês, o INSS concedeu cerca de 890 mil benefícios, reduzindo o tempo médio de espera para menos de 40 dias em algumas regiões do país. A expectativa é que a nova rodada de incentivos acelere as análises e reduza o número de processos com prazo vencido, principal foco da força-tarefa.
Como funciona o programa
Podem participar do Programa de Gerenciamento de Benefícios:
- servidores da Carreira do Seguro Social;
- peritos médicos federais;
- supervisores médico-periciais.
O governo também criou um comitê responsável por monitorar os resultados, acompanhar metas e divulgar relatórios periódicos com informações sobre o volume de processos analisados, perícias realizadas, tempo médio de atendimento e impacto das medidas.
As atividades extras não poderão comprometer os atendimentos regulares realizados nas agências da Previdência Social.