Diesel em Uberlândia passa de R$ 7,79 e Cade investiga distribuidoras

Postos relatam restrições na venda de combustíveis e alta repassada por distribuidoras em meio à crise no Oriente Médio

, em Uberlândia

O preço do diesel ultrapassou R$ 7,79 em postos de Uberlândia nos últimos dias, em meio a um cenário de restrição no abastecimento e aumento no custo de compra para os revendedores. Situação semelhante tem ocorrido em outras cidades mineiras. Diante de denúncias do setor, o Governo Federal acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar práticas comerciais de distribuidoras durante a crise no Oriente Médio.

A investigação foi solicitada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) após alerta do Minaspetro, sindicato que representa os postos de combustíveis em Minas Gerais. A entidade informou que distribuidoras estariam restringindo vendas ou oferecendo combustível a preços elevados, principalmente para postos chamados de marca própria, aqueles que não têm contrato com grandes bandeiras.

Queda do valor da gasolina ainda não chegou em Uberlândia
Preço do diesel ultrapassa R$ 7,79 em postos de Uberlândia em meio a restrições de abastecimento – Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil/Reprodução

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Falta de diesel em Uberlândia

De acordo com Davi Bittar, representante do Minaspetro em Uberlândia e proprietário de posto na cidade, alguns estabelecimentos já enfrentaram falta de combustível, especialmente entre os postos de bandeira branca.

Segundo ele, o cenário vai além de reajustes e envolve restrições operacionais impostas pelas distribuidoras.

“Há restrição de pedidos, limitação de horários para comprar e dificuldade de reposição. Alguns postos chegaram a ficar sem combustível. Estamos trabalhando com um controle rigoroso de estoque porque não sabemos quando será possível repor”, disse.

Ele explicou que uma classe de consumidores, produtores rurais por exemplo, que antes compravam diretamente dos transportadores-revendedores passaram a procurar o produto nos postos, aumentando a demanda em um momento de oferta limitada.

“Isso foge da demanda normal de um posto. O consumidor que comprava direto migra para o varejo, enquanto a oferta diminui”, afirmou.

Diesel é o combustível mais afetado

Entre os combustíveis, o diesel tem sido o mais impactado. A guerra afeta o diesel porque conflitos em regiões estratégicas do petróleo e das rotas marítimas internacionais reduzem a oferta ou dificultam o transporte do combustível, o que eleva o custo de importação e pressiona os preços no mercado.

O produto é essencial para o transporte rodoviário e para toda a logística de distribuição de combustíveis.

Segundo revendedores, quando há dificuldade no abastecimento de diesel, a cadeia de abastecimento inteira pode ser afetada. “Se falta diesel, o caminhão que transporta gasolina e etanol também não roda. Isso impacta toda a cadeia”, explicou Bittar.

Outro fator apontado pelo setor é a dependência brasileira de importação. Embora o país produza petróleo, parte do diesel e da gasolina consumidos no Brasil precisa ser importada porque a capacidade de refino não atende toda a demanda.

Postos apontam repasse das distribuidoras

Revendedores afirmam que os aumentos registrados nas bombas não partiram da Petrobras, mas sim de distribuidoras que elevaram os preços no mercado.

No Triângulo Mineiro, revendedores confirmam que o preço de compra do diesel subiu rapidamente. Segundo Alexander Gervásio, do Posto Tigre, em Ituiutaba, o combustível passou por aumentos sucessivos em poucos dias.

“Na segunda-feira (9) o diesel estava a R$ 6,31. Na terça, já foi para R$ 7,10 e agora chegou a R$ 7,26 no preço de compra. Para o consumidor, estamos vendendo a cerca de R$ 7,79 com uma margem menor para não repassar tudo e os motoristas não sentirem tanto”, afirmou.

Ele também destacou que postos menores enfrentam mais dificuldades para buscar combustível em outras regiões.

“Os pequenos sofrem mais porque não conseguem buscar produto em outras bases, como em Paulínia-SP ou na Bahia. Quanto mais distante da base de distribuição em Uberlândia, mais difícil fica repor”, disse.

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Investigação federal

Após os alertas do Minaspetro, a Senacon encaminhou o caso ao Cade, que deverá investigar possíveis irregularidades na prática comercial das distribuidoras.

O sindicato informou que continuará monitorando o abastecimento e a situação nas bases de distribuição em Minas Gerais. Mesmo que o cenário internacional se estabilize, representantes do setor avaliam que os efeitos no abastecimento podem continuar por algum tempo. “Mesmo que o conflito pare agora, ainda haverá um intervalo até que os navios voltem a chegar e o mercado se reequilibre”, disse Davi Bittar.

Enquanto isso, postos e consumidores enfrentam um cenário de incerteza sobre oferta e preços, principalmente no caso do diesel.