Como Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história
Elon Musk se torna o primeiro trilionário da história após estreia da SpaceX na bolsa
Nesta sexta-feira (12), a SpaceX estreou na bolsa de valores estadunidense e tornou seu fundador, Elon Musk, o primeiro trilionário da história. As ações da empresa aeroespacial e de inteligência artificial entraram no mercado com a maior IPO (Oferta Pública Inicial) já realizada. A participação do empresário na empresa é de 38%, o que vale cerca de R$ 800 bilhões.

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De acordo com o The Guardian, a participação Elon Musk na SpaceX passou a ser avaliada neste valor após as ações da empresa registrarem valorização de aproximadamente 20% nas primeiras negociações. Com o desempenho, o valor de mercado da companhia ultrapassou a marca de US$ 2 trilhões.
Além da SpaceX, Musk mantém uma participação superior a 10% na Tesla, fatia estimada em cerca de US$ 165 bilhões. O empresário também possui opções para adquirir quase mais 8% das ações da montadora, avaliadas em aproximadamente US$ 114 bilhões, de acordo com estimativas da Forbes.
Antes da estreia das ações da SpaceX no mercado, a revista especializada calculava a fortuna de Musk em torno de US$ 980 bilhões. Dessa forma, uma valorização relativamente modesta já seria suficiente para levá-lo ao patamar simbólico de US$ 1 trilhão em patrimônio.
O bilionário ainda possui investimentos em outras empresas de tecnologia, incluindo a Neuralink, voltada ao desenvolvimento de interfaces entre cérebro e computador, e a Boring Company, especializada em projetos de túneis subterrâneos. Parte de sua riqueza também foi construída por meio da venda de ações da Tesla ao longo dos últimos anos.
A abertura de capital da SpaceX, avaliada em US$ 75 bilhões, tornou-se a maior oferta pública inicial (IPO) já realizada no mercado financeiro. Analistas, ouvidos pelo The Guardian, apontam que a operação pode inaugurar uma nova onda de grandes estreias na bolsa envolvendo empresas de inteligência artificial e tecnologia avançada.
Entre as companhias que já deram passos para uma futura abertura de capital estão a Anthropic e a OpenAI, que, segundo projeções do mercado, podem alcançar avaliações próximas de US$ 1 trilhão em seus respectivos IPOs.
Especialistas, ouvidos pelo The Guardian, destacam que o impacto dessas ofertas não ficará restrito aos investidores interessados diretamente nas empresas. Na prática, milhões de investidores acabam expostos a essas empresas mesmo sem comprar seus papéis de forma individual.
Isso porque fundos de índice e planos de aposentadoria costumam ser obrigados a adquirir ações de grandes companhias listadas, seguindo a composição de indicadores como Nasdaq (segundo maior mercado de ações em capitalização de mercado do mundo, depois da Bolsa de Nova York) e S&P 500 (índice composto por quinhentos ativos cotados nas bolsas de NY ou Nasdaq).
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US$ 1 milhão por minuto
Dados divulgados pela Oxfam indicam que a fortuna de Elon Musk aumentou mais de US$ 550 bilhões ao longo do último ano. Segundo os cálculos da organização, isso representa um crescimento médio superior a US$ 1 milhão por minuto durante o período.
Com o patrimônio estimado na casa de US$ 1 trilhão, o empresário passou a concentrar uma riqueza superior à soma dos bens detidos pelos 46% mais pobres da população mundial. Para ilustrar a dimensão desse valor, a Oxfam calcula que, mesmo gastando US$ 1 milhão por dia, seriam necessários cerca de 2.740 anos para consumir integralmente uma fortuna desse tamanho.
Outras projeções apontam que esse montante seria suficiente para distribuir US$ 100 a cada habitante do planeta e, ainda assim, manter Musk entre as pessoas mais ricas do mundo. Estudos também sugerem que uma taxação equivalente a 10% desse patrimônio poderia financiar ações capazes de eliminar a pobreza extrema global por um período de um ano.
Na avaliação da Oxfam, o avanço da fortuna dos bilionários reflete um cenário de crescente concentração de riqueza no mundo. A entidade atribui esse movimento a décadas de políticas econômicas que, segundo a organização, favoreceram os mais ricos e ampliaram sua influência sobre as regras que regem a economia global.
Relembre trajetória de Elon Musk
A trajetória de Elon Musk começou em Pretória, na África do Sul, onde nasceu há 54 anos. Filho de uma canadense e de um sul-africano, ele se mudou para a América do Norte ainda jovem e concluiu sua formação na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, em 1997.
Ao longo das décadas seguintes, Musk se consolidou como um dos empresários mais influentes do setor de tecnologia. Em 2002, fundou a SpaceX com o objetivo de reduzir os custos das viagens espaciais e ampliar o acesso à exploração do espaço.
Seis anos depois, assumiu o comando da Tesla como CEO, apostando que os carros elétricos poderiam unir alto desempenho, inovação tecnológica e recursos avançados de software. Sob sua liderança, a empresa se transformou em uma das principais referências da indústria automotiva mundial.

O reconhecimento veio também no meio empresarial. Em 2013, Musk foi escolhido Empreendedor do Ano pela revista Fortune. Quatro anos depois, a Tesla passou a integrar a lista Fortune 500, que reúne as maiores empresas dos Estados Unidos em faturamento. Na ocasião, a montadora ocupou a 383ª posição após registrar receita de US$ 7 bilhões em 2016.
Especialistas do setor apontam que o crescimento da Tesla e sua valorização bilionária aceleraram a transição das montadoras tradicionais para os veículos elétricos, segmento que antes era visto com desconfiança por parte da indústria.
Atualmente, muitos investidores acreditam que Musk pode repetir no setor espacial e na inteligência artificial o impacto que provocou no mercado automotivo. Apesar das expectativas, a SpaceX ainda enfrenta desafios financeiros, e parte de sua avaliação está ligada a tecnologias que podem levar anos para alcançar viabilidade comercial em larga escala.
Além da Tesla e da SpaceX, o empresário participou da criação de outras empresas inovadoras, entre elas a The Boring Company, voltada para infraestrutura e túneis subterrâneos, e a Neuralink, que desenvolve tecnologias de interface entre cérebro e computador.
Ao longo da carreira, Musk acumulou tanto admiradores quanto críticos. Enquanto seus apoiadores destacam sua capacidade de impulsionar inovações disruptivas, seus detratores apontam controvérsias relacionadas à gestão das empresas e às declarações públicas do bilionário.
O impacto de sua atuação foi reconhecido pela revista Time, que o escolheu como Personalidade do Ano em 2021. A publicação destacou seu papel no desenvolvimento de soluções tecnológicas e sua influência sobre transformações econômicas e sociais em escala global.
Em 2022, Musk ampliou sua presença no setor de tecnologia ao concluir a compra do Twitter por US$ 44 bilhões. Posteriormente, a plataforma passou por uma reformulação de marca e foi rebatizada como X, nome que permanece até hoje.