Uberlândia 137 anos: histórias que constroem a cidade da tradição à inovação
Mais do que números, obras e crescimento urbano, Uberlândia se revela em histórias de pessoas que refletem as contradições, potências e transformações da cidade ao longo de gerações
Ao completar 137 anos, Uberlândia se destaca como um dos maiores polos econômicos e urbanos do interior do Brasil. Mas a cidade é muito mais que cifras e infraestrutura, é feita de pessoas que, com trabalho, criatividade e paixão, transformam seus desafios em oportunidades. O Paranaíba Mais entrevistou vozes especiais que mostram Uberlândia através de histórias humanas, revelando suas potências e tradições.
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História e memória: a cidade contada por quem registrou seu passado
Para o jornalista Neivaldo Silva, conhecido como Magoo, conhecer Uberlândia é entender a audácia de seus personagens e marcos históricos. “A ousadia sempre marcou a história de Uberlândia, interferindo diretamente na sua consolidação econômica, urbana e cultural”, destacou Magoo.
Marcos importantes:
- Fundação da cidade: 1888
- Implantação do Coreto Municipal: 1910
- Criação da Rádio Difusora: anos 1930
- Cine Teatro Uberlândia e expansão urbana: 1937
- Fortalecimento do comércio e duplicação da BR-050
- Consolidação do agronegócio com produção de grãos
Entre os nomes que moldaram a cidade, ele cita o Coronel José Teófilo Carneiro, Felisberto Carrejo, Augusto César, Dr. Duarte Pimentel de Ulhoa, Nicomedes Alves dos Santos, João Naves de Ávila e diversos empresários que investiram em comércio, indústria e cultura.
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Inovação e tecnologia: o futuro no Vale do Pão de Queijo
Gabriel Chayb, 20 anos, jovem pesquisador em Machine Learning e líder local do Nasa Space Apps 2025 Uberlândia, representa a nova geração de talentos que colocam a cidade no mapa da inovação.
“Desde quando eu comecei a programar com os meus 12 anos de idade eu já vejo que Uberlândia se tornou realmente uma capital nessa área. Eu sinto muito orgulho da minha cidade e, por representar Uberlândia no maior torneio de tecnologia do mundo, agora sinto muito prazer e muita responsabilidade em avançar ainda mais nos horizontes e posicionar a cidade como a capital de IA no Brasil”, contou.
Para Gabriel, o próximo desafio é democratizar o acesso à tecnologia: “O que eu acho que dá para a gente melhorar é, literalmente, conseguir chegar em mais gente. […] Uberlândia é a minha cidade, pela qual tenho muito carinho e muito amor. Enquanto eu estiver aqui, espero poder fazer diferença e, enquanto tiver palco, tenho certeza de que vamos mudar o mundo através desse lugar que chamo de Vale do Pão de Queijo”, declarou.
Reciclagem e inclusão social: uma voz de transformação
João Batista Ferreira, 61 anos, começou catando materiais com bicicleta e hoje lidera uma associação de catadores. “Em 2012, a gente formou a primeira cooperativa de Uberlândia. […] A reciclagem é muito importante, são 70 toneladas todo mês que não vão para o aterro. Uberlândia vem crescendo muito, existem muitos catadores, mas sempre há espaço para todo mundo”, disse.
O vínculo com a cidade é profundo para João Batista, “Vim pra cá em 1979, eu amo Uberlândia. Me acolheu, tenho 61 anos, cheguei com 12 de idade. Aqui eu casei, tenho uma família e muitos amigos que sempre me recebem com um cafezinho por cuidar bem das ruas. Essa cidade merece tudo de bom. Ela tem capacidade para acolher muita gente de baixa renda e espero que consiga muito mais!”, contou.
Agronegócio e tradição rural: oportunidades na cidade
Luana Silva Tavares de 27 anos, produtora rural, carrega uma tradição familiar que passou de geração em geração.
“O meu pai sempre teve ligado, passou de geração para geração. Meu avô fazia plantios maiores e, hoje, meu pai tem 75 anos e segue trabalhando. Eu decidi me interessar e trabalhamos juntos. Vejo que para meu pai e avô, foi muito mais difícil. Hoje nossa geração tem acesso à informação, tecnologia ao nosso favor”, afirmou.
Ela destaca as oportunidades que Uberlândia oferece mesmo diante dos desafios: “Uberlândia é uma cidade de oportunidade, independente do que você vai fazer. Você consegue ter um diferencial. De certa forma, as pessoas pegam uma mercadoria pronta no mercado e não sabem de onde vem, nem quão trabalhoso, custoso e difícil é produzi-la. Tudo isso vem dos pequenos produtores rurais, que ajudam no crescimento da cidade e fazem do setor uma atividade promissora”, destacou.
Arte urbana: Uberlândia 137 anos em cores e expressão
O grafiteiro Dequete transformou os muros de Uberlândia em galerias a céu aberto e leva seu trabalho para escolas e ONGs. “Quando um jovem, em sua grande maioria, oriundo de periferia, pega o spray e sai pela cidade escrevendo seu nome, ele está dizendo para a cidade que o invisibiliza, que o mantém à margem, que ele existe. O graffiti muitas das vezes é um grito estético, mas é um grito silencioso”, contou.
Em homenagem aos 137 anos da cidade, ele deixa sua mensagem: “Uberlândia, este belo horizontino aqui é apaixonado por você. Gratidão por me acolher, acolher minha arte, acolher minha família, e a melhor forma de agradecer você é colorindo seus muros, transformando suas ruas juntamente com meus irmãos e minhas irmãs de tinta em verdadeiras galerias de arte a céu aberto, acessíveis a todos. Viva Uberlândia! Salve, salve! Vida longa!”, compartilhou.