Sexta-feira Santa: o que a história diz sobre a morte de Jesus Cristo

Feriado nacional nesta sexta (3) relembra a morte de Cristo e reúne tradição, fé, história e estudos médicos sobre a execução

, em Uberlândia

-

Google News

Feriado nacional, a Sexta-feira Santa, também chamada de Sexta da Paixão, recorda a crucificação e morte de Jesus Cristo, episódio que, segundo as escrituras, ocorreu na “hora nona”, 15h. Celebrada hoje (3), a data antecede o domingo de Páscoa e é marcada por jejum e momentos de reflexão.

Sexta-feira Santa
Crucificação de Jesus é lembrada nesta Sexta-feira Santa – Crédito: Imagem criada por Inteligência Artificial

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Sexta-feira Santa

O dia relembra os últimos momentos de Jesus, o julgamento, o caminho até a cruz, a execução e a morte. A narrativa é interpretada como o sacrifício que simboliza a redenção da humanidade.

Nas igrejas, a celebração segue três etapas principais, liturgia da palavra, foco no sacrifício e arrependimento. Também são comuns encenações que percorrem simbolicamente o trajeto feito por Jesus até o local da crucificação.

Mas, além da fé, a ciência e a história lançam luz sobre como foram as últimas horas do homem que dividiu a era da humanidade.

História da condenação à cruz

Há consenso entre historiadores de que Jesus de Nazaré existiu há cerca de 2 mil anos, na região onde hoje está Israel. Ele teria sido um líder religioso judeu que reuniu seguidores e passou a incomodar autoridades locais e o Império Romano.

Jesus anunciava um Reino que não era deste mundo, sendo uma afronta direta à ideologia imperial, que apresentava o Imperador como salvador e senhor da terra. A “Pax Romana” era mantida por meio de violência, intimidação e exploração militar, enquanto o “Reino dos Céus” promovia uma ordem baseada na justiça divina e na paz.

A prática de Jesus de compartilhar refeições com cobradores de impostos, leprosos e marginalizados era um ato subversivo de oposição. Esse gesto quebrava as barreiras sociais de pureza da época e garantia dignidade e sustento a camponeses empobrecidos pelo sistema de impostos romano.

Por não ser cidadão romano e liderar um movimento visto como rebelde, ele foi condenado à crucificação, uma pena de morte cruel, comum na época para escravos e insurgentes.

O caminho até a execução

Antes de ser levado ao local da morte, Jesus foi submetido a açoites. Segundo estudos arqueológicos e análises como as do pesquisador Rodrigo Silva, o instrumento utilizado era um chicote romano, conhecido como flagrum, possuía tiras com pedaços de metal e ossos, capazes de provocar ferimentos profundos.

O médico legista Frederick Zugibe analisou os efeitos físicos desse tipo de punição e concluiu que a violência praticada contra Jesus Cristo poderia causar hemorragias severas e danos internos ainda antes da crucificação.

Entre os episódios narrados está a oferta de vinagre a Jesus. Acredita-se que o líquido estava em um vaso próximo para umedecer esponjas usadas em banheiros públicos para higiene, um detalhe que aumenta a humilhação do momento.

Outro ponto citado é a coroa de espinhos, colocada como forma de zombaria. Pesquisas botânicas realizadas pelo legista sugerem que os espinhos que foram utilizados eram ramos de uma árvore conhecida como espinheiro-de-cristo-sírio, do Oriente Médio, que poderiam causar dor intensa e sangramento significativo na região da cabeça.

Como funcionava a crucificação

Estudos realizados por Frederick indicam que os condenados eram pregados na cruz por meio de cravos de ferro que tinham 12,5 centímetros de comprimento. Diferente do que muitas representações mostram, há evidências de que os pregos eram fixados nos pulsos, onde a estrutura óssea suportaria melhor o peso do corpo.

Os pés também eram presos, possivelmente lado a lado. Em alguns casos, um pequeno apoio era colocado na cruz para prolongar o sofrimento.

A posição do corpo dificultava a respiração. Para inspirar, a vítima precisava se impulsionar, aumentando a dor causada pelos ferimentos.

×

Leia Mais

O que causou a morte de Jesus

A morte por crucificação geralmente era lenta, podendo durar dias. Segundo o arqueólogo Rodrigo Silva, no caso de Jesus, porém, o tempo foi mais curto, cerca de três horas.

Estudos indicam que a causa mais provável da morte foi um quadro de choque hemorrágico, provocado pela intensa perda de sangue desde os açoites até a permanência na cruz. O esgotamento extremo teria levado a uma parada cardíaca.

A rapidez da morte surpreendeu os próprios romanos, que em outros casos quebravam as pernas dos condenados para acelerar o fim. A prática, segundo os relatos bíblicos, não foi necessária, cumprindo a profecia bíblica de que “nenhum dos seus ossos será quebrado”, descrito no livro de Salmos.

Para confirmar a morte, um soldado teria perfurado o corpo de Jesus. O relato do Evangelho de João descreve a saída de “sangue e água”, interpretada por estudos médicos como possível acúmulo de líquidos na região torácica após trauma severo.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João descrevem que o momento da morte foi acompanhado por sinais considerados extraordinários.

Segundo os textos, o céu permaneceu escuro do meio-dia às 15h. Diante do que presenciou, o centurião romano responsável pela execução teria afirmado que Jesus era, de fato, o Filho de Deus.

Sepultamento ocorre antes do sábado judaico

Como o pôr do sol marcaria o início do Sábado (Shabat), um dia sagrado em que nenhum trabalho poderia ser feito devido a tradição, o corpo precisava ser retirado da cruz rapidamente.

José de Arimateia obteve autorização para recolher o corpo e, junto com Nicodemos, realizou o sepultamento. O corpo foi envolvido em tecidos com especiarias e colocado em um túmulo escavado na rocha, fechado por uma grande pedra.

Interpretações teológicas baseadas em 1 Pedro 3:18-19, sugerem que Jesus desceu até o “lugar dos mortos”. No terceiro dia, domingo, Jesus teria ressucitado, aparecido aos discípulos e, após 40 dias, subido aos céus.