Quem roe mais rápido? Campeonato de pequi chama atenção em Minas Gerais
Competição começou como brincadeira entre amigos, cresceu e já desperta interesse regional; campeão roeu 15 frutos em 4 minutos
O tempo é curto, o desafio é inusitado e o cenário, tipicamente mineiro. Em pouco mais de quatro minutos, um almoço entre amigos virou competição, e a tradição do pequi ganhou capítulos de campeonato em João Pinheiro, no Noroeste de Minas Gerais.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Quando o pequi vira desafio
No último sábado (17), Walberson Alves Sousa precisou de apenas 4 minutos e 24 segundos para roer 15 pequis e se tornar o campeão do Segundo Campeonato de Roedores de Pequi, evento que nasceu de forma despretensiosa dentro da maçonaria e hoje já mobiliza a curiosidade da cidade inteira.

Segundo Olavo Simão, um dos idealizadores da competição, a ideia surgiu durante o período de férias das lojas maçônicas, quando os encontros informais se tornaram rotina.
“Em janeiro de 2024, durante as férias, a gente sempre se reunia para comer frango com pequi e arroz. João Pinheiro é uma região onde o pequi é muito presente, o pessoal gosta muito. Aí eu vi um campeonato parecido em Montes Claros e resolvi fazer aqui, entre os irmãos da maçonaria”, explicou.
História do campeonato de pequi
A primeira edição, realizada em 2024, não tinha limite de frutos. Vencia quem roesse mais pequis em menos tempo. O resultado foi surpreendente e, talvez, exagerado. “O ganhador chegou a roer 39 pequis. Muita gente passou mal, porque não é comum comer tanto pequi de uma vez”, relembrou Olavo.
Para evitar excessos, a organização mudou o regulamento em 2025. Desta vez, cada um dos oito participantes recebeu 15 pequis, e o vencedor seria aquele que os roesse completamente no menor tempo possível. Quatro fiscais acompanharam a prova, avaliando se os frutos estavam corretamente limpos.

Foi nesse novo formato que Walberson entrou quase por acaso e saiu campeão. “Eu nem imaginava que sairia campeão. Fui só para participar do almoço, conversar com a galera, tomar uma cervejinha. O pessoal insistiu para eu entrar e acabou dando certo”, contou.
Campeão venceu sem estratégia
Sem treino específico, o campeão diz que não há segredo para vencer o desafio. “A principal coisa é gostar de pequi. Sempre fez parte da minha rotina desde criança”, afirmou.
O evento, que começou restrito às duas lojas maçônicas de João Pinheiro, Amor, Verdade e Justiça e Vale das Acácias, ganhou grande repercussão nas redes sociais e nas ruas da cidade, além de chamar a atenção de cidades vizinhas como Lagoa Grande e Brasilândia.
Diante da repercussão, os organizadores já planejam ampliar a competição. “Para o ano que vem, a ideia é abrir o campeonato para a cidade. O tanto de gente interessada foi grande demais”, adiantou Olavo.
Empolgado com o título, Walberson garante que volta para defender a marca. “Dá para melhorar o tempo, sim. Agora já sei o que dá para corrigir. Provavelmente estarei no próximo”, disse.
O que começou como uma confraternização simples promete se tornar uma tradição curiosa do interior mineiro, onde o pequi, mais uma vez, é símbolo de identidade, cultura e até competição.