Quando Dona Beja mudou a história de uma cidade do Triângulo
Muito além da fama de cortesã, personagem histórica mudou o curso de um rio e deixou marcas permanentes na geografia de uma cidade do Triângulo Mineiro
-
Dona Beja, figura lendária de Minas Gerais, tem ganhado repercussão nacional depois que produções audiovisuais passaram a recontar a sua história. Contudo, a tragetória desta personagem é bastante rica e cheia de curiosidades que nem sempre são mostradas nas produções audiovisuais, mas que tiveram impacto na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Em Estrela do Sul, a cortesã foi responsável por mudar completamente a geografia da cidade, ao desviar um rio e construir uma ponte, que levava o seu nome.

Na última segunda-feira (2), a HBO Max concluiu a primeira parte do remake da novela que conta a história de Dona Beja. Um fato ainda não contado pela série, no entanto, marca a história de Estrela do Sul, cidade de 6.840 habitantes, até os dias de hoje. Segundo Pedro Popó, autor de uma biografia da cortesã, Dona Beja se mudou para Estrela do Sul em 1853, movida pela esperança de encontrar diamantes.
Segundo o jornalista e pesquisador, ao chegar na cidade, Dona Beja se tornou bastante influente no local. Pouco tempo depois, tornou-se sócia de “um dos maiores empreendimentos da época”, responsável por construir uma virada que mudou por completo a geografia da cidade. O termo “virada” consiste na mudança do percurso de um rio para garimpo. No caso, a Virada Califórnia, promovida por Beja e seus sócios, mudou o curso do Rio Bagagem, que corta a cidade de Estrela do Sul.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A ponte de Dona Beja
A relação entre Dona Beja e o Rio Bagagem se estendeu por muitos anos, e foi às suas margens que ela construiu sua casa. Foi no mesmo rio que ela mandou construir uma ponte, que levou o seu nome, ao lado da sua residência. Segundo Popó, a ordem foi para que a procissão de Nossa Senhora Mãe dos Homens, a quem ela era devota e que era a padroeira da cidade, passasse na porta de sua casa.

A ponte, de aroeira, foi construída em 1871 ao custo de 495.680 réis da época. O mais interessante é que, segundo Popó, ela pediu ressarcimento ao Município, que devolveu a quantia investida. Contudo, Dona Beja não conseguiu acompanhar muitas procissões, já que morreu em 1873.

Na década de 1930, uma enchente destruiu a estrutura original. Durante décadas, a travessia recebeu diversas intervenções até que, em 1983, uma nova enchente que devastou parte da cidade às margens do rio acabou levando de vez a estrutura correnteza abaixo. Posteriormente, uma ponte de concreto foi construída no lugar e ainda leva o nome da antiga moradora, assim como a rua e a margem do Rio Bagagem onde ficava sua casa, cujo complexo é chamado “Balneário Dona Beija”.