Qual é o melhor pão de queijo de Uberlândia?
Nesta segunda-feira (17) é comemorado o Dia Nacional do Pão de Queijo
“Qual é o melhor pão de queijo de Uberlândia?” Foi com esta pergunta em suas redes sociais que o Paranaíba Mais buscou opiniões dos leitores do portal sobre essa iguaria tradicional mineira. Dentre centenas de comentários, fica praticamente impossível – e até injusto – responder a pergunta acima.
Por isso, fomos em busca de moradores de Uberlândia que se destacam justamente pela produção desse patrimônio cultural de Minas Gerais. Afinal de contas, nesta segunda-feira (17) é comemorado o Dia Nacional do Pão de Queijo.

Receitas passadas de geração em geração, empreendimentos que começaram de forma despretensiosa ou um amor pela culinária mineira. Uberlândia carrega personagens com um elo em comum: o pão de queijo.
Qual é o melhor pão de queijo de Uberlândia?
“Café com pão. Café com pão. Café com pão. Virge Maria que foi isto maquinista? Agora sim. Café com pão. Agora sim. Voa, fumaça. Corre, cerca. Ai seu foguista. Bota fogo. Na fornalha. Que eu preciso. Muita força. Muita força. Muita força”
Maria Conceição Noronha, hoje professora aposentada com 65 anos, declamava o poema acima de Manoel Bandeira aos seus alunos. “Quando eu tiver meu empreendimento ele vai se chamar Café com Pão”, pensava a professora.
O desejo se tornou realidade. Aberta em 2012, no bairro Santa Mônica, em Uberlândia, a Quitandaria Café com Pão mantém como principal característica a valorização das receitas tradicionais da culinária mineira, especialmente o pão de queijo.

De geração a geração
A paixão de Maria Conceição pela culinária mineira tem explicação. Desde criança, ela ajudava sua mãe a preparar alimentos em uma fazenda na região de Quintinos, distrito de Carmo do Paranaíba.
A família sempre trabalhou no ramo alimentício. Seu pai também produzia cachaça na fazenda Serra do Barreiro.

Apesar de sair da fazenda e construir sua vida como professora em Uberlândia, Conceição nunca deixou de lado suas raízes rurais.
Por isso, o estabelecimento dela aposta em ingredientes selecionados, fornecidos diretamente de fazendas, e em um processo de produção totalmente artesanal.
“A nossa Quitandaria respeita a tradição e as receitas que são passadas de geração em geração, com ingredientes selecionados, ingredientes que vêm direto da fazenda.”
O queijo utilizado por Maria Conceição é de Guarda-Mor, cidade do noroeste de Minas Gerais. Duas vezes na semana, ‘Seu Joaquim’ entrega os queijos produzidos por sua família para a Quitandaria Café com Pão.
Outro ingrediente selecionado a dedo é o polvilho doce. Conceição tem o mesmo fornecedor de uma fazenda de Lagoa Formosa (MG) há mais de 40 anos.
Segundo ela, a escolha pelo polvilho doce traz mais maciez, elasticidade e deixa o pão de queijo mais denso e “puxa-puxa”, enquanto o polvilho azedo passa por fermentação, o que ajuda a crescer, mas não traz um gosto característico.
“A gente usa ingredientes selecionados com rigor e critério. Temos fornecedores que trazem os ingredientes para nós. Não são ingredientes industrializados, em hipótese alguma.”
Produção é feita manualmente
Outro diferencial apontado pela quitandaria é o processo de fabricação. Cada unidade do pão de queijo é enrolada manualmente, já que a consistência da massa, segundo o estabelecimento, não permite que o trabalho seja realizado por máquinas.
“O processo de produção é praticamente todo manual. O nosso pão de queijo não existe nenhuma máquina que consiga enrolar, por exemplo, porque a massa é mais mole, não é uma massa densa. Por isso, ele é enrolado um a um, de forma manual.”
São nove funcionários que trabalham no empreendimento. Tudo acontece ali, desde a chegada do queijo até o produto final entregue ao cliente.

Sobre o segredo que faz o pão de queijo mineiro ser considerado o melhor do Brasil, ela se lembra do processo de produção do queijo.
“O mineiro sabe esperar. Sabe ‘curar’ o queijo até que ele fique bem consistente. Todo esse processo é demorado. Nosso pão de queijo traz esse elemento do queijo mineiro mais maturado e ‘curado’. Deixamos uns 7 ou 8 dias esperando o queijo ficar pronto para ser ralado”, finalizou Conceição.
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Da receita de família ao empreendedorismo
O que começou de maneira despretensiosa, atendendo aos elogios de familiares e amigos, tornou-se um empreendimento de produção e venda de pães de queijo artesanais para Joana Darque Antunes, de 60 anos. A empreendedora vende por delivery por meio das redes sociais.

Em uma época em que as condições financeiras da família eram limitadas, preparar a iguaria foi uma das formas de aproveitar os momentos em família.
Com o passar dos anos, a receita continuou presente em sua vida e também passou a chamar a atenção de quem provava os pães de queijo.
“Todo mundo elogiava. O pessoal sempre falava: ‘Você não vende? Faz para vender’. Eu não dava muita atenção para aquilo”, conta Joana.
Quando tudo começou
A ideia começou a ganhar força durante um encontro da família em uma chácara. Depois de ouvir novamente os comentários e incentivos dos familiares, Joana decidiu experimentar.
“Eu pensei: ‘Uai, por que não? Vou fazer’. E comecei a fazer. Deu certo, graças a Deus. Tomou uma proporção que eu nem esperava”, relembra.
Desde então, o trabalho cresceu de forma gradual, mantendo uma característica que Joana considera essencial: o cuidado artesanal. A produção é feita manualmente e envolve apenas ela e mais uma pessoa.
“É tudo artesanal. Não tenho funcionários; sou eu e mais uma pessoa na produção. É tudo comigo, tudo manual. A gente trabalha com material de primeira”, explica.
Outro diferencial apontado por Joana está na escolha dos ingredientes. O queijo utilizado na receita é selecionado e vem de Abadia dos Dourados, em Minas Gerais, cidade conhecida pela tradição na produção de queijos.
Para a empreendedora, utilizar queijo artesanal é fundamental para preservar o sabor e a identidade do produto.
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Muito com muito carinho
Aos 76 anos, Carmen Torido, ou mais conhecida como Carminha, encontrou no pão de queijo uma forma de transformar uma receita feita para a família em um pequeno negócio artesanal.
Sem grandes equipamentos ou produção em escala, ela prepara tudo manualmente, com uma rotina marcada pelo cuidado, pelo queijo e, principalmente, pelo carinho.

A história começou de maneira simples, dentro de casa. Carmen fazia pão de queijo para a família, que aprovou a receita e incentivou a ideia de preparar as unidades para congelar e vender.
“Não faço isso como profissão, mas com muito amor”, conta Carmen.
Carmen prepara os pães de queijo todas as quartas-feiras e, depois, congela as unidades para os clientes que costumam comprar.

Segundo ela, a produção começou há cerca de um ano e meio. E, apesar do sucesso entre os clientes, Carmen faz questão de dizer que não existe nenhum segredo sofisticado por trás da receita.
“Não tem nada de especial. É feito com muito amor e muito queijo”, resume.
Trabalho com as próprias mãos
Também não há maquinário na cozinha de Carmen. O trabalho é praticamente todo feito à mão.
E é justamente aí que está uma das partes mais cansativas da produção: sovar bastante a massa para que ela fique no ponto certo e permita fazer os pequenos pães de queijo.
“O meu maquinário é o meu braço”, brinca Carmen.
O trabalho artesanal, que poderia ser visto apenas como uma limitação diante de uma produção maior, tornou-se parte da identidade do pão de queijo de Carminha.
História do pão de queijo
O pão de queijo é um dos maiores símbolos da culinária de Minas Gerais. Sua história se inicia durante o período colonial brasileiro.
Sua origem é associada às cozinhas das fazendas mineiras, no século 18, quando a farinha de trigo era pouco acessível e o polvilho, derivado da mandioca, passou a ser utilizado nas receitas.
Com isso, o queijo entrou na preparação para aproveitar a produção das fazendas na época colonial.
Projeto de Lei
O Projeto de Lei (PL) 4.002/2017, que declara o pão de queijo como patrimônio cultural e imaterial de Minas Gerais, continua em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e, segundo a situação registrada pela Casa, está pronto para entrar na ordem do dia do Plenário.
A proposta foi apresentada em fevereiro de 2017 pelo então deputado de Uberlândia Luiz Humberto Carneiro.
O texto original estabelece que o pão de queijo seja declarado patrimônio cultural e imaterial do Estado, com o objetivo de registrar, valorizar e preservar as práticas tradicionalmente relacionadas à sua fabricação e ao seu consumo.
Por enquanto, o modo artesanal de fazer o queijo já é reconhecido como patrimônio tombado pelo Iphan e pela Unesco. O pão de queijo segue o mesmo caminho. Independente de lei, já tem consolidado uma história e preferência na culinária mineira e nacional.
E pra você que chegou até aqui e ficou com água na boca, qual o melhor pão de queijo?
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