Histórias por trás das avenidas de Uberlândia: você sabe quem deu nome às principais vias?
De antigos córregos e caminhos de trilhos a grandes corredores comerciais; saiba porque avenidas como Rondon Pacheco, Afonso Pena, João Naves e Getúlio Vargas ajudam a contar como Uberlândia cresceu e mudou ao longo das décadas
Você já conhece a história das ruas e avenidas por onde anda no dia a dia?
Quem circula diariamente por Uberlândia provavelmente já passou pela Avenida Rondon Pacheco, atravessou a Afonso Pena, enfrentou o movimento da João Naves de Ávila ou utilizou a Getúlio Vargas para chegar a diferentes regiões da cidade. Mas, por trás das placas que identificam essas vias, existe uma parte da história do município — e alguns nomes fazem referência a personagens que marcaram a política brasileira e mineira.
Avenida Rondon Pacheco ocupa hoje uma área que passou por profundas mudanças ao longo das décadas – Crédito: PMU/Reprodução
As principais avenidas de Uberlândia não surgiram todas no mesmo período, nem cumprem hoje a mesma função que tinham quando foram abertas. Algumas acompanham antigos cursos d’água, outras se relacionam à expansão urbana e aos antigos caminhos ferroviários. Os próprios nomes revelam diferentes momentos do desenvolvimento da cidade, que neste mês celebra mais um aniversário.
Rondon Pacheco: do córrego à vitrine gastronômica
Hoje associada a restaurantes, bares, hotéis, clínicas, empresas e intenso movimento de veículos, a Avenida Governador Rondon Pacheco ocupa uma área que teve uma paisagem bastante diferente no passado.
A via foi construída sobre o antigo leito e as margens do Córrego São Pedro. Antes da transformação urbana da região, havia ocupações de trabalhadores próximas ao curso d’água.
A grande avenida foi inaugurada em 1978 e passou a desempenhar papel importante na reorganização viária de Uberlândia. Atualmente, atravessa diferentes bairros e se tornou um dos principais corredores de circulação e de atividades econômicas do município.
O nome é uma homenagem a Rondon Pacheco, político mineiro nascido em Uberlândia que governou Minas Gerais entre 1971 e 1975. A escolha também conecta diretamente a história da cidade à trajetória política de um de seus moradores mais conhecidos.
João Naves de Ávila: expansão sobre os trilhos da Mogiana
A Avenida João Naves de Ávila homenageia um empresário, pecuarista e figura pública de destaque em Uberlândia. Nascido em Santa Juliana, ele se mudou ainda jovem para a cidade, onde abriu um açougue, trabalhou no transporte de gado e fundou a Charqueada Ômega, em 1929.
João Naves de Ávila, homenageado pela ACIUB, ao lado de Rondon Pacheco, em registro histórico – Crédito: Revista Flash, nº 24 de 1989/Reprodução
Ele também atuou como conselheiro municipal e chegou a assumir interinamente a Prefeitura na década de 1930.
A avenida ganhou força com a expansão urbana após a retirada dos trilhos da antiga Companhia Mogiana, na década de 1970. Hoje, é uma das principais ligações entre o Centro, a Zona Leste, o campus Santa Mônica da UFU, centros comerciais e bairros populosos.
Afonso Pena e Getúlio Vargas guardam as raízes da cidade
As origens mais antigas do núcleo urbano de Uberlândia aparecem ancoradas na Avenida Afonso Pena. Com traçados originados em caminhos de trilheiros que convergiam para a antiga linha do trem da Mogiana, a via serviu por longos anos como o principal palco para encontros políticos, desfiles cívicos e carnavais de rua tradicionais.
Avenida Afonso Pena em um registro histórico de Uberlândia, uma das principais vias do Centro e parte importante da formação urbana do município 0 Crédito: Arquivo Público de Uberlândia/Reprodução
Homenagem ao 17º Presidente do Brasil (1906–1909), a rua liga a região central a bairros tradicionais como Aparecida, Brasil e Umuarama.
Paralelamente, a Avenida Getúlio Vargas desenvolveu-se sobre o antigo leito do Córrego das Galinhas, conectando o Centro e o bairro Martins rumo ao Setor Oeste.
Marcada pela forte arborização, a via abriga equipamentos urbanos de relevância, como o Mercado Municipal, além de centros de saúde fundamentais para a comunidade.
O nome homenageia Getúlio Vargas, uma das figuras políticas mais importantes da história republicana brasileira. Vargas governou o país entre 1930 e 1945 e voltou à Presidência entre 1951 e 1954.
Na paisagem atual, a avenida é marcada pela arborização e pela presença de equipamentos e serviços importantes. Entre eles está o Mercado Municipal, um dos pontos tradicionais de Uberlândia.
Expansão que mudou o mapa de Uberlândia
O avanço planejado da cidade para além do miolo central e da antiga Vila Operária ganhou força na década de 1950, durante a gestão do prefeito Tubal Vilela.
Foi nesse período de expansão sobre antigos cerrados da região que nasceu a Avenida Brasil, adotando uma nomenclatura de caráter patriótico que reflete a euforia desenvolvimentista da época e sedimenta a integração de novas zonas residenciais ao cotidiano de Uberlândia.
Com mais de 750 mil moradores, a principal cidade do Triângulo Mineiro se transformou desde os tempos das sesmarias do século XIX e da dependência dos trilhos de trem.
Contraste entre o passado e a cidade atual revela as transformações na paisagem urbana e o crescimento do município ao longo das décadas – Crédito: Arquivo Público de Uberlândia/Reprodução
Hoje, o município é considerado como um dos maiores polos de logística, tecnologia e agronegócio do Brasil.
Quem transita pelas avenidas e pelas demais vias que carregam pedaços da história nacional, vislumbra a identidade de uma comunidade dinâmica, memorável e voltada para o desenvolvimento contínuo.
Essa é a segunda matéria da série especial “Uberlândia 138 anos”, que traz os bastidores e os fatos históricos que ajudaram a construir a nossa cidade.
Para ficar por dentro da cobertura de aniversário, continue acompanhando o Paranaíba Mais.