Fotografia que transforma olhares em arte chega à Galeria Iolanda de Lima
Exposição coletiva reúne trabalhos inéditos produzidos no Primeiro Laboratório Fotográfico da Cultura e convida o público a repensar a fotografia como linguagem, documento e experiência social
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A Galeria Iolanda de Lima, no Centro Municipal de Cultura, abre ao público nesta quarta-feira (18), às 19h, a Mostra Coletiva resultado do trabalho desenvolvido em um laboratório de fotografia realizado em Uberlândia. A exposição reúne dez trabalhos inéditos produzidos por participantes do Primeiro Laboratório Fotográfico de Cultura e fica em cartaz de 19 de dezembro a 19 de janeiro de 2026, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h.

Mais do que exibir imagens, a mostra propõe um encontro entre arte e vida cotidiana. Os trabalhos transitam entre o documental e o poético e revelam múltiplos modos de ver a cidade, o corpo, a natureza e as relações sociais. Durante a exposição na Galeria Iolanda de Lima, o público é convidado a percorrer uma diversidade de narrativas visuais construídas a partir de experiências pessoais, mas atravessadas por questões coletivas, como violência, pertencimento e memória.
O Laboratório Fotográfico de Cultura é um projeto da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e marca o encerramento de um processo formativo que alia técnica, reflexão crítica e vivências. A curadoria, mediação e expografia são assinadas por Paulo Augusto, fotógrafo da Prefeitura de Uberlândia e responsável pelas oficinas.
O laboratório como experiência coletiva e formativa
Desenvolvido em dois módulos, o laboratório de fotografia em Uberlândia reuniu inicialmente cerca de 60 inscritos, chegando ao conjunto final de dez participantes que hoje ocupam a galeria como expositores. No primeiro momento, o foco esteve na base técnica da fotografia. No segundo, o debate se ampliou para as funções sociais da imagem e sua potência como articuladora de ideias.
Paulo Augusto destaca que a proposta foi provocar um deslocamento no modo de olhar. “A gente quis despertar as pessoas para as diversas funções sociais da fotografia e mostrar como as imagens produzem comportamento e condicionamentos sociais. Pensar que a fotografia é apenas um documento é uma limitação muito grande”, explica. Para ele, compreender a fotografia como um dispositivo social ajuda a entender seu papel político, cultural e simbólico.
Essa reflexão atravessa diretamente os trabalhos expostos na Galeria Iolanda de Lima e também a vivência dos alunos no espaço da galeria. “O primeiro desdobramento do laboratório é essa exposição coletiva, que leva pessoas comuns para a galeria e promove a dessacralização não só da arte, mas da própria fotografia”, completa o curador.
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Aprendizados que transformam o olhar
Entre os participantes está a psicóloga Orion Alves, que teve no laboratório de fotografia em Uberlândia seu primeiro contato estruturado com a prática. Ela relata que a experiência ampliou sua percepção sobre a imagem. “Aprendemos sobre composição, luz, história e função da fotografia. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi pensar a fotografia como ferramenta para outras áreas e como ela revolucionou a forma de produzir imagens”, disse.
O trabalho desenvolvido por Orion Alves, e apresentado na Galeria Iolanda de Lima, parte de sua formação em psicologia e aborda a relação entre seres humanos e natureza. “Foi muito enriquecedor. O Paulo criou um ambiente de compartilhamento entre nós, e isso fez toda a diferença. Hoje me sinto mais empoderada para me expressar por meio da fotografia”, diz.

Já a bióloga Vanessa Ribeiro conta que o laboratório de fotografia mudou completamente sua forma de fotografar. “Antes eu fazia fotos apenas descritivas, um simples registro. Agora busco detalhes e sentidos, tento provocar reflexão em quem observa”, relata. Seu trabalho exposto na Galeria Iolanda de Lima intitulado “Corpo Objeto”, utiliza a imagem de um manequim encontrado em área pública para criar um paralelo com a violência contra a mulher. “Quero que o público se sinta confrontado com uma realidade muitas vezes invisível e se pergunte o que pode ser feito para mudar isso”, explica.
Fotografia, cidade e diversidade de narrativas
Os trabalhos apresentados na Galeria Iolanda de Lima refletem também uma Uberlândia múltipla e polifônica, distante de imagens oficiais ou cartões postais. A cidade surge fragmentada, sensível e crítica, revelada a partir de experiências individuais que dialogam com questões sociais mais amplas. Esse conjunto reforça a proposta do laboratório de fotografia em Uberlândia como espaço de encontro, inclusão e produção artística coletiva.

Ao ocupar a Galeria Iolanda de Lima, a mostra reafirma o papel dos equipamentos públicos de cultura como locais de formação, fruição e acesso, aproximando novos públicos do universo da arte contemporânea e da fotografia enquanto linguagem viva e em constante transformação.
Serviço:
Mostra Coletiva do Primeiro Laboratório Fotográfico da Cultura
Visitação: 19 de dezembro a 19 de janeiro de 2026
Horário: de segunda a sexta feira, das 12h às 17h
Local: Galeria Iolanda de Lima, Centro Municipal de Cultura, Uberlândia
Entrada gratuita