Figura da bruxa no cinema é centro de mostra em Uberlândia
Mostra “Mulheres Mágicas” exibe filmes de diferentes épocas para discutir perseguição e representação feminina
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A mostra “Mulheres Mágicas: Reinvenções da Bruxa no Cinema” acontece no cinema da Universidade Federal de Uberlândia, no Campus Santa Mônica até esta sexta (22). O evento, que teve início nesta quarta (20), reúne uma seleção de 9 filmes, de clássicos infantis aos filmes de terror, e tem entrada gratuita. A curadoria busca convidar o público a revisitar os principais arquétipos que moldaram essa figura, da vilã das fantasias às perseguições históricas.

As sessões acontecem em horários variados, e os ingressos gratuitos devem ser retirados na plataforma Sympla. O projeto nasceu em 2022 e já circulou em algumas cidades do Brasil. Sua curadoria, assinada pelas pesquisadoras Carla Italiano e Juliana Gusman, reúne obras de diferentes períodos históricos e linguagens estéticas, organizadas em dois eixos temáticos que dialogam entre tradição e releituras críticas da figura da bruxa no cinema.
No primeiro eixo, “A bruxa através dos tempos: imagens clássicas”, o público é levado a revisitar arquétipos que ajudaram a construir essa personagem ao longo da história, desde representações fantasiosas até os episódios de perseguição às mulheres acusadas de bruxaria.
Já o segundo eixo, “Bruxas contemporâneas: corpos indomáveis, saberes ancestrais”, destaca produções que reinterpretam esse imaginário sob perspectivas feministas e questionadoras. Segundo a curadora Carla Italiano, essa parte da mostra volta o olhar para mulheres e sujeitos dissidentes que simbolizam formas de resistência contemporânea, especialmente em obras produzidas nas últimas três décadas, ampliando as representações femininas no “cinema magia” e promovendo um reencantamento do imaginário atual.
Bruxa no cinema
Segundo Carla Italiana, a mostra nasce de um desejo de pensar a figura da bruxa no cinema, como uma possibilidade de refletir sobre formas de representação das mulheres ao longo da história, em sua relação com seus corpos, seus conhecimentos e como forma de questionamento a partir da ambiguidade que cerca a figura.
“A figura da bruxa é escolhida por ela ser tão forte, tão popular, amada e odiada, e tão recorrente. Ela possibilitar uma espécie de chave para a gente pensar o cinema a partir de perspectivas feministas e de outras que estão sempre questionando, que estão apresentando maneiras mais libertárias de existir no mundo, em relação com a sociedade, com a sua comunidade, com seus próprios corpos e seus desejos”, explicou ao Paranaíba Mais.
Ainda de acordo com Italiana, a escolha dos filmes foi uma das partes mais difíceis. “A princípio, poderia abarcar todo tipo de filme (ficção, documentário, animação). Se a gente pega a ideia de mulheres mágicas, não só a representação clássica da bruxa, mas essas mulheres que carregam essas formas de se indagar, de encantar o mundo à sua volta, a gente tem um conjunto muito grande de possibilidades. Os filmes foram escolhidos a partir do que eles contribuem para esse tipo de reflexão”.
“Também queríamos trazer contrapontos em filmes realizados por mulheres, realizados por pessoas dissidentes, corpos dissidentes, e que estão questionando as regras, as normas, as normatividades dos nossos tempos de diferentes maneiras. Buscamos trazer perspectivas decoloniais, tirando a bruxa lá do lugar que foi colocado no imaginário muito europeu e trazendo para a América Latina, para perspectivas afrodiaspóricas, indígenas, como essas mulheres encantadas e que reencantam o mundo”, completou.
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Filmes selecionados
Juliana Gusman, outra curadora, explica que a seleção de filmes desta edição funciona como uma síntese da trajetória do projeto, que há quatro anos percorre diferentes cidades brasileiras, como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo ela, a proposta desta nova mostra é recuperar títulos que marcaram as programações realizadas entre 2022 e 2024, fortalecendo a memória dos debates e reflexões construídos ao longo desses encontros.
Entre os destaques da programação está A Paixão de Joana D’Arc, do cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Considerado um marco do cinema mudo, o longa utiliza a figura histórica de Joana d’Arc para abordar temas como perseguição e silenciamento de mulheres ao longo do tempo.
“O evento é voltado para um público muito amplo, de todas as idades, todos os gêneros, as identidades de gênero, de perspectivas raciais, então, não existe um público-alvo, existe uma série de reflexões, de pensamentos críticos que estão sendo trazidos com esses filmes, com os debates que acompanham os filmes”, convida Italiano.
Outro destaque é Orlando, Minha Biografia Política, que contará com comentários da curadora Carla Italiano e recursos de acessibilidade, como legenda descritiva e debate com tradução em Libras. Na produção, o escritor e ativista Paul B. Preciado reúne 26 pessoas trans e não binárias, entre 8 e 70 anos, que reinterpretam o protagonista da obra Orlando: Uma Biografia, escrita por Virginia Woolf.

“O debate acontece justamente alargando um pouco todas essas ideias do que se entende por mulheres, do que se entende por magia, essa possibilidade de transformação, de se tornar outra pessoa. O filme é dirigido por um ativista e pensador muito importante dos estudos queer, chamado Paul Preciado, que faz um filme que parte da sua própria experiência e compartilha com a experiência de outras pessoas trans e não-binárias que passaram por processos de transição”, explicou.
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Cronograma da mostra:
Quarta (20)
19h – A fada do repolho (Alice Guy, França, 1896 | 1900, 1) | Livre
O Mágico de Oz (Victor Fleming, 1939, EUA, 101) | Livre
Quinta (21)
17h – A Paixão de Joana D’Arc (Carl Theodor Dreyer, 1928, França, 82′) | 12 anos
19h – Orando, minha biografia politica (Paul B. Preciado, 2022, França, 98) | 14 anos
Sexta (21)
17h30 – Tramas do Entardecer (Maya Deren, 1943, EUA, 14′) | 12 anos
Amarração (Hariel Revignet, 2020, Brasil, 7) | Livre
Se eu tô aqui é por mistério (Clari Ribeiro, 2024, Brasil, 22′) | 14 anos
19h – Transformações (Barbara Hirschfeld, 1976, 1976, 9′) | Livre
A árvore de zimbro (Nietzchka Keene, 1990, EUA, 78) | 12 anos
Serviço
Mostra “Mulheres Mágicas: Reinvenções da Bruxa no Cinema”
Dias 20, 21 e 22 de maio
Cinema da UFU – Avenida João Naves de Ávila, 2121, Bloco 3C,
Biblioteca Central – Santa Mônica
Entrada gratuita, através da plataforma Sympla