Manifestação de carregadores trava acessos da Ceasa e provoca lentidão no trânsito

Categoria protesta contra decisão judicial que pode alterar modelo de trabalho mantido há mais de quatro décadas no entreposto

, em Uberlândia

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Caminhões parados, trânsito lento e movimentação reduzida marcaram a manhã desta quinta-feira (11) na Ceasa de Uberlândia. Uma manifestação organizada por carregadores autônomos bloqueou temporariamente parte das atividades no entreposto e chamou a atenção de produtores, comerciantes e motoristas que circulavam pelo local.

O protesto foi realizado por trabalhadores ligados à Associação dos Carregadores Autônomos (Assocarga), que contestam uma decisão judicial relacionada à aplicação da Lei Federal nº 12.023/2009. Segundo a categoria, a medida pode mudar a forma como o serviço é prestado na Ceasa, onde os carregadores atuam há mais de 40 anos.

Apesar dos transtornos registrados durante a manhã, os manifestantes afirmaram que a intenção não era interromper o abastecimento da cidade, mas alertar autoridades e a sociedade sobre os impactos que a decisão pode gerar para trabalhadores, produtores e consumidores.

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“Não aceitamos ser intermediados”, diz representante dos carregadores

Segundo o representante dos carregadores, Rogério Pereira, a principal preocupação é que a atividade passe a ser enquadrada em um modelo que não corresponde à realidade do trabalho desenvolvido no entreposto.

De acordo com Rogério, os trabalhadores não participaram das discussões que resultaram na decisão judicial. Ele afirma que os carregadores atuam de forma autônoma e que a categoria rejeita qualquer tentativa de intermediação dos serviços. “Não aceitamos ser intermediados por um agenciador de emprego de forma alguma”, declarou durante a manifestação.

Os carregadores afirmam que a atividade vai além da simples movimentação de mercadorias e envolve classificação, seleção e triagem de produtos hortifrutigranjeiros, exigindo experiência e conhecimento técnico sobre qualidade e conservação dos alimentos.

Trabalhadores temem aumento de custos

Outro ponto levantado durante a manifestação é a possibilidade de intermediação obrigatória dos serviços por meio de entidade sindical.

Segundo a categoria, atualmente os carregadores negociam diretamente com produtores e comerciantes que utilizam a estrutura da Ceasa. A preocupação é que eventuais mudanças elevem os custos operacionais e acabem refletindo no preço final dos alimentos.

Os manifestantes afirmam que o novo modelo pode gerar impactos tanto para os trabalhadores quanto para os produtores rurais que dependem diariamente da movimentação de cargas no entreposto.

Manifestação de carregadores trava acessos da Ceasa e provoca lentidão no trânsito de Uberlândia
Carregadores autônomos realizaram manifestação na Ceasa de Uberlândia na manhã desta quinta-feira (11) – Crédito: Redes sociais/Reprodução

Carregadores pedem diálogo e audiência pública

Durante o protesto, a Assocarga informou que aproximadamente 130 famílias dependem diretamente da atividade desenvolvida na Ceasa de Uberlândia. A categoria defende a realização de uma audiência pública para discutir o tema e garantir a participação dos trabalhadores nas decisões relacionadas ao futuro da profissão.

Os manifestantes também pediram apoio do prefeito Paulo Sérgio Ferreira, vereadores e demais autoridades municipais para ampliar o diálogo entre as partes envolvidas.

Abastecimento foi mantido

Apesar da paralisação temporária e dos transtornos registrados no trânsito interno da Ceasa, os carregadores afirmaram que os serviços seriam retomados normalmente após o ato. Veja como ficou o trânsito:

A Ceasa de Uberlândia é um dos principais centros de distribuição de hortifrutigranjeiros do Triângulo Mineiro e abastece comerciantes e consumidores de diversas cidades da região.