Amor sem fronteiras: a locutora de Uberlândia que encantou um sueco a 10 mil km; veja essa história
Uma transmissão de rádio em 1960 cruzou o oceano, uniu dois continentes e nasceu ali a história de amor entre a ex-locutora uberlandense Luzia Donato Olsson e o sueco Nils Åke Olsson; conheça esse amor de mais de 65 anos
-
Uma transmissão de rádio feita em Uberlândia mudou para sempre a vida de duas pessoas separadas por mais de 10 mil quilômetros. A história de amor entre a ex-locutora Luzia Donato Olsson e o sueco Nils Åke Olsson começou nos anos 1960, quando ele ouviu a voz dela na rádio Educadora FM, enviou uma carta para o programa e iniciou uma troca de correspondências que resultaria em casamento, filhos e quase seis décadas de vida juntos.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Muito antes da internet, das redes sociais e dos aplicativos de relacionamento, o casal construiu uma conexão baseada em cartas que levavam meses para atravessar o Atlântico. O que começou como uma amizade entre uma locutora brasileira e um ouvinte sueco se transformou em uma história que atravessou fronteiras e resistiu ao tempo.
Quando a voz da locutora de Uberlândia chegou à Suécia
Na década de 1960, Luzia trabalhava como locutora na Rádio Educadora de Uberlândia. Durante oito anos, apresentou o programa jovem “Os Brotos Comandam”, transmitido por ondas curtas.
Esse tipo de transmissão permitia que o sinal viajasse por milhares de quilômetros, alcançando ouvintes em diferentes países. Entre eles estava Nils, um jovem sueco apaixonado por rádio.
Na época, era comum que radioamadores e entusiastas europeus sintonizassem emissoras internacionais e mantivessem contato com locutores por meio de cartas.
Nils possuía um catálogo com endereços de rádios de diversos países e costumava escrever para as emissoras que conseguia captar. Foi assim que ele encontrou a Rádio Educadora.
“Ele ouviu meu programa, escreveu para a emissora e eu respondi. Depois perguntei se ele gostaria de se corresponder comigo”, relembra Luzia.
Cartas que cruzavam o oceano
Como nenhum dos dois falava o idioma do outro, a comunicação acontecia em inglês. Cada correspondência levava cerca de um mês para chegar ao destino e outro mês para retornar. Ainda assim, as cartas se tornaram frequentes.
Durante dez meses, os dois compartilharam histórias sobre a rotina, os costumes e os sonhos de vida. Foi então que Nils tomou uma decisão inesperada. Por carta, pediu Luzia em casamento.
Antes, porém, fez uma ponderação. “Ele escreveu para eu pensar bem porque nossas culturas eram diferentes. Mas eu não pensei nem um minuto. Respondi que sim”, conta Luzia.
O primeiro encontro no aeroporto
Após a resposta, Nils anunciou que viajaria ao Brasil. O encontro aconteceu no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Mas a chegada do sueco foi cercada de ansiedade. Ao procurar informações sobre o voo, Luzia chegou a ouvir que nenhuma aeronave da Suécia pousaria naquele horário. Mesmo assim, decidiu esperar.

Quando o avião finalmente aterrissou, ela conseguiu identificá-lo entre os passageiros. “Eu reconheci a roupa dele. Quando vi aquele monte de malas vindo na minha direção, gritei o nome dele”, lembra.
Nils se aproximou, abraçou Luzia pela primeira vez e deu um beijo em sua testa.
Ele permaneceu três meses no Brasil. Nesse período, o casal viajou, conheceu Brasília e oficializou o noivado. Depois, voltou a Suécia, mas a distância não diminuiu os planos dos dois.
Durante uma parada em Portugal, Nils enviou um cartão postal convidando Luzia para viver na Europa. Ela recusou. A resposta dele mudaria novamente o rumo da história. Se ela não iria para a Suécia, ele viria para o Brasil.
Determinando a construir uma vida ao lado da brasileira, Nils passou anos economizando dinheiro até conseguir retornar definitivamente.
Leia Mais: Dia dos Namorados deve aquecer comércio mineiro e impulsionar vendas online
Uma loja de discos e uma vida em comum
Em 1972, Nils se mudou para o Brasil. O casal apaixonado por música, decidiu investir em uma loja de discos.

Mais de cinco décadas depois, o estabelecimento continua permanece em atividade na região e faz parte da história da cidade. A música, aliás, sempre esteve presente no relacionamento.
Enquanto apresentava programas de rádio, Luzia era fã declarada de Elvis Presley. Nils costumava enviar discos e gravações de artistas suecos, enquanto ela retribuía com músicas brasileiras.
A história inusitada do casal ganhou destaque na imprensa brasileira e sueca no período da inauguração e chegou a mobilizar repórteres da Suécia, que vieram ao Brasil para acompanhar e registrar a trajetória de Luzia e Nils.
Um sueco com coração brasileiro
Hoje completamente integrado à cultura brasileira, Nils Åke Olsson de 81 anos, afirma que sua identidade já se confunde com o país onde construiu a vida. Torcedor do Flamengo e acompanhando o futebol nacional com frequência, ele diz que a base de sua trajetória não está apenas na adaptação cultural, mas na escolha afetiva que fez há quase seis décadas.
Para ele, a relação com Luzia Donato Olsson hoje com 82 anos, não foi fruto do acaso. Ao ouvir a voz da então locutora, lembra que já tomou uma decisão interna de encontrá-la, independentemente da distância ou das dificuldades.
“Quando ouvi a voz dela, eu já sabia que iria procurá-la. Se fosse preciso atravessar o oceano, eu atravessaria”, relata.
Nils reforça que a longevidade do relacionamento está ligada à reciprocidade construída desde o início da história.
“Ela é a minha vida. Se sente amor de verdade, precisa ir atrás. O amor é de duas vias; quando é de uma só, não funciona”, afirma.
Se na juventude ainda dividia simpatias no futebol, hoje a posição é definitiva: em um eventual confronto entre Brasil e Suécia, ele diz que torceria integralmente pelo Brasil, em reconhecimento à história que construiu ao lado de Luzia.
A história de Luzia e Nils prova que o amor pode surgir das formas mais improváveis e superar qualquer distância. Neste Dia dos Namorados, a data também é um convite para demonstrar carinho e gratidão à pessoa que faz parte da sua história. Se você ainda não sabe como começar a declaração, aqui vai uma sugestão: