Retrato de Victor Albergaria, jornalista e colunista esportivo

Victor Albergaria

Análises e comentários sobre o que é assunto no esporte regional, nacional e internacional com Victor Albergaria. Mídia esportiva, resultados e a agenda de jogos com aquele toque de bom humor

Verdão vai decidir a Série D em casa; fora de campo, cenas horríveis e agressões

Time de Danilo sai atrás do ABC, mas usa suas maiores armas - o equilíbrio e Tomás Bastos - pra chegar à finalíssima da Série D. Infelizmente, brigas e ataque ao nosso torcedor se somaram fora de campo

, em Uberlândia

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Foi uma tarde escaldante de domingo muito feliz para o torcedor do Uberlândia. Mais uma vez sem se intimidar com um estádio adversário lotado, buscamos o empate com o ABC pra decidir a Série D pela primeira – e espero única – vez em sua história.

Na final, mais um adversário com três letras. Depois de derrubar CSA e ABC, agora vem o ASA de Arapiraca, que segurou a pressão do Gama e o empate por 0x0 para chegar a uma decisão composta apenas por times do interior de seus estados.

Infelizmente, o jogo no Bezerrão terminou com muita pancadaria e confusão. O melhor time da Série D até então não aguentou uma das regras básicas do futebol: saber perder.

E dois episódios tão graves quanto aconteceram em Natal. Mas antes, vamos falar do jogo.

O ABC entrou pressionado pelo resultado e pelas declarações ao longo da semana que minimizavam a vantagem do Uberlândia construída no Sabiá. Com os retornos do zagueiro Edson e do ídolo Wallyson, o alvinegro foi pressionado logo com 6 minutos num chutaço de fora da área de Bastos, e demorou a levar algum perigo à meta de Guilherme Nogueira.

O Verde, bom dizer, começou com Da Silva no lugar de Pablo Thomaz no comando de ataque. Normal.

No geral, o primeiro tempo foi muito truncado. No começo os mineiros foram mais eficazes, mas depois os potiguares assumiram o controle. A única chegada de perigo, porém, foi já nos acréscimos numa bobeada da defesa que exigiu grande defesa do nosso camisa 12.

O empate era ótimo, nos dava a vaga na grande decisão.

Mas fora de campo infelizmente as coisas correram mal. No intervalo, um gandula da Arena das Dunas agrediu um membro da comissão técnica do UEC. Começou então uma briga generalizada, e o diretor de futebol Bernardo Lage foi chutado e jogado no chão por um segurança do ABC completamente despreparado. Houve relatos inclusive de que a gerente de marketing, Mariana Veríssimo, foi agredida, mas apurei que não foi o caso.

Dedos na cara continuaram por vários minutos, com o presidente Fábio Mineiro exigindo providências. No fim, não deu em nada.

Voltando pro segundo tempo, logo o Verde foi pra cima. Aos 4, Calazans perdeu um gol na pequena área e assustou Matheus Alves. Aos 7, foi da Silva quem avançou sozinho mas chutou na Lua. Danilo então começou a mexer, colocando Luis Felipe no lugar do lesionado Nathan e Léo Reis no lugar do perdido Jhonatan Lima.

Mas justo quando era melhor, tomou o gol. Falta besta – mais uma nessa Série D – de Fumaça. Wallyson cruzou na área e Jhosefer, numa rara falha de marcação da defesa, fez 1×0 aos 13.

Mas o Uberlândia não se intimidou. Seguiu com cabeça fria e erguida pra correr novamente atrás do resultado que lhe interessava. Após mais mudanças, restou ao nosso craque guardar.

Chutando de muito longe, TB10 arriscou, e Matheus Alves aceitou. Falha feia do arqueiro aos 30.

A esperança voltava a ser nossa. Sem pressão e com uma confiança que parecia igual na torcida, levamos um gol impedido de Igor Bahia nos acréscimos, e Nogueira fez uma senhora defesa aos 47.

Fim de papo e a vaga na final é nossa. E o melhor: como a campanha do Uberlândia foi melhor que a do ASA, o jogo decisivo será aqui, provavelmente no dia 12 às 18h. Já na semana que vem, teremos a ida em Arapiraca.

Mas, ao fim da partida, o caso mais grave de todos. Rafael Guerra, o Loyde, torcedor símbolo do Uberlândia e que encarou dois dias e meio de ônibus pra ir a Natal e aumentar sua lista de loucuras pelo Uberlândia, foi cercado por seis bandidos com camisas do ABC, sendo espancado e roubado na saída da Arena das Dunas.

A mochila foi recuperada e pelo menos uma pessoa foi presa. O clube prestou todo o apoio a ele, o acompanhando inclusive na delegacia para o exame de corpo de delito e confecção do BO.

Deixo aqui toda a força pra esse guerreiro das arquibancadas.

No mais, mostramos mais do mesmo: o UEC sofre pressão, sai atrás, mas nunca se descontrola. Tomás Bastos nos salva mais uma vez, assume a vice-artilharia da Série D e se credencia a ser o craque da competição sem sombra de dúvidas.

Agora, a torcida é pra que ele erga a taça daqui menos de duas semanas no Parque do Sabiá lotado.