UEC joga a vida no Canindé, e Prefeitura cobra PM sobre estacionamento do Sabiá
Executivo espera diálogo e propõe discussão ampla para evitar novos fechamentos em jogos do Verdão; enquanto isso, time encara decisão histórica contra a Portuguesa
Depois de meses de desgaste, de torcedor passando raiva e de uma intransigência difícil de engolir, finalmente a Prefeitura resolveu entrar na história do estacionamento do Parque do Sabiá em dias de jogos do Verdão.
Antes de tudo, vamos deixar claro: a dor de cabeça toda não é culpa da administração municipal e muito menos da SAF. A canetada pesada que vem prejudicando quem paga ingresso é da Polícia Militar.
Um ofício obtido de forma exclusiva pela equipe da TV Paranaíba, enviado ao Comandante da 9ª RISP, Cel. André Pedrosa do Rosário e assinado pelo prefeito Paulo Sérgio, pela secretária interina da SETTRAN Edina Franco Gouveia, e pelo diretor da FUTEL Edson Zanatta, escancara a falta de diálogo na tomada de decisões.
A PM adotou o fechamento do espaço depois da falta de organização na estreia do Mineiro contra o Tombense, quando tivemos mais de 10 mil pessoas no estádio. Na ocasião, muita gente estacionou de forma errada – pra variar – e bloqueou os acessos para as forças de segurança e ambulâncias. No estadual, a PM decidiu fechar tudo, e liberou parcialmente na Série D.
A gota d’água foi o jogo da ida contra a Portuguesa no sábado passado. Cerca de 60 torcedores do time visitante foram motivo para o alto comando da Polícia fechar todas as vagas, com a alegação de que havia alto risco de segurança. Oi?
Qual é a lógica de empurrar milhares de torcedores para os bairros vizinhos, obrigando famílias a caminharem pela Anselmo Alves dos Santos em meio ao trânsito pesado? Como bem destacou a própria Prefeitura no documento, essa restrição não traz segurança; apenas desloca o risco e espalha o conflito viário pelas ruas do entorno. E os flanelinhas, hein?
Lembram do show de Henrique & Juliano em maio, quando o estacionamento funcionou normalmente (e de forma paga)? Por que no futebol a torcida do Verdão precisa ser tratada como um transtorno a ser isolado?
A própria média de público de 5 mil torcedores nos jogos do UEC na temporada mostra que o bloqueio total é injustificável, inclusive porque não há nenhum histórico de confusão envolvendo nossa torcida. Qual a dificuldade de escoltar os poucos torcedores visitantes e garantir a segurança deles e dos nossos torcedores?
Muita gente desistiu de ir ao jogo do sábado passado ao saber que o estacionamento seria fechado. Poderíamos ter 15 mil pessoas tranquilamente.
Ainda em fevereiro, a PM pediu e SETTRAN e FUTEL acataram: as vagas de estacionamento no estádio foram pintadas pra evitar novos contratempos. Apenas a parte frontal do estádio estava sendo fechada a pedido dos militares.
A proposta enviada ao comando da PM é técnica e lógica: a criação de um protocolo operacional diferenciado para as partidas do Uberlândia, garantindo a liberação do estacionamento ou, no máximo, o isolamento restrito da área de segurança entre os portões 1 e 2. A bola agora está com a 9ª RISP, que tem o dever de dar uma satisfação ao poder público e, principalmente, ao torcedor.
Não adianta adotar protocolos iguais à capital BH ou a jogos de times gigantes com histórico de brigas entre organizadas. Nada razoável. Como será se subirmos pra Série C? Ou quando jogarmos contra grandes equipes, que é o desejo/sonho da cidade toda?
Dito isto: pra que existir então um estacionamento onde não se pode estacionar? Isso nunca aconteceu, em 44 anos de existência do estádio. E nada justifica tal medida agora.
A Polícia Militar, a quem devemos muito respeito, sabe muito bem que gestão de segurança se faz com planejamento e proporcionalidade, e não com medidas extremas. Chega de punir o torcedor com decisões unilaterais que, no fim, só jogam contra o Uberlândia.
ENQUANTO ISSO, DECISÃO CONTRA A LUSA PROMETE SER HISTÓRICA
Falando do duelo da volta das oitavas de final, amanhã 16h no Canindé – e que neste momento é o que importa, o Verdão chega em São Paulo para uma grande decisão neste sábado contra a Portuguesa. Eu inclusive estarei lá, cobrindo tudo para o Grupo Paranaíba.
O clima é de guerra para a Lusa, que vem há mais de dez anos lutando para voltar a ter relevância no cenário nacional. Internamente, o time do Canindé adotou uma estratégia de… esconder estratégia. Invicto dentro de seus domínios, o elenco de Ademir Fesan sentiu o golpe da derrota no Parque do Sabiá, e perdeu seu artilheiro Cadorini, expulso por uma agressão besta ao zagueiro Rayan ainda no primeiro tempo. A mudança de postura é cobrada duramente pela diretoria.
A Lusa não perde em São Paulo, como disse, mas o Uberlândia também está invicto longe do Parque do Sabiá. Só tomou dois gols fora de casa em toda a quarta divisão. E pela primeira vez, a expectativa é de Danilo contar com todo o elenco pra decisão deste sábado – inclusive Luis Felipe, que se lesionou contra o Rio Branco e está recuperado pro confronto.
Muitos perguntam o por quê de tanta expectativa pra essa partida, mesmo que ainda não valha o acesso.
A questão é que derrotar um dos maiores investimentos da Série D dá ao verde um estofo que será fundamental nas quartas, quando teremos a chance de garantir o acesso. Eliminar a Portuguesa, sabidamente uma SAF consolidada e que investiu pesado pra chegar à Série C, dá status de favorito pra nós diante de qualquer adversário que vier pela frente.
Lembrando: mesmo se perdermos nas quartas de final, teremos a chance de disputar um play-off que dará duas vagas extras pra terceira divisão do ano que vem.
Mas antes, o foco tem que ser no Canindé. O 2×0 conquistado em casa foi ótimo, incrível. Mas é muito perigoso, tendo em vista que a Lusa é um grande time e virá com tudo. Eles dificilmente vão cometer a burrice de ter um jogador expulso por um lance infantil, até porque seguimos com o VAR. O time deve inclusive abandonar a ideia de três zagueiros e partir pro abafa desde o começo.
O Verdão tem jogado um jogo bem e outro mal nos mata-matas até agora. É hora de descobrirmos se o problema é jogar em casa ou jogar com uma vantagem considerável conquistada no primeiro jogo.
Fica aqui também minha reverência aos quase 400 torcedores que prometem pegar a 050/Anhanguera pra torcer in loco. A promessa é de uma festa linda e histórica em São Paulo.