Somos campeões!
Sem muita firula: a torcida deu um show e o time é um dos melhores da nossa história. O Verdão é dono da Série D com méritos.
Foi para quem nunca deixou de acreditar.
Quando a gente finca o pé e não abandona, uma hora o sucesso chega. E foi exatamente isso o que presenciamos no Parque do Sabiá. Cheguei cedo, por volta de 14h30, 15h, e vivi aquela atmosfera do meio da torcida. Vi o ônibus chegar, os atletas descendo, o show nas arquibancadas e um jogo pegado, com a tensão normal de uma grande decisão nacional.

Nem vale a pena perdermos tempo com uma análise tática engessada, mas o resumo do campo é simples: o ASA começou bem melhor e assustou ao abrir o placar com Michel Douglas aos 22. O fantasma do receio rondou por alguns minutos, até que a cobrança de escanteio de Tomás Bastos achou a cabeça de Calazans para deixar tudo igual.
Detalhe para a desastrosa arbitragem do quarteto catarinense. Mais uma atuação dos homens do apito pra um campeonato grande como é a Série D.
Ali o jogo assentou. A vantagem construída em Arapiraca com o 2×0 na ida fez o peso jogar a nosso favor. O ASA não levou mais perigo, o Uberlândia administrou e cada segundo que passava parecia uma eternidade. Mas o apito final veio. E com ele, a explosão de um grito engasgado.
Parabéns à torcida, que deu um espetáculo. Sem filas na entrada, sem confusões nas arquibancadas. Houve quem insistisse em querer se achar superior aos outros e indo com camisa de outros times. Além disso, um protesto necessário contra a poluição visual dos wind banners que davam uma atmosfera ruim ao estádio.
Nada, absolutamente nada manchou a festa.
Mais do que a taça, o título nos coloca na 3ª fase da Copa do Brasil de 2027 — garantindo uma bolada financeira gigante —, nos consolida como a terceira força de Minas Gerais para o próximo Estadual e carimba o passaporte entre os favoritos para a Série C.
A ficha vai demorar a cair. Só quem viveu 1984 – que não é o meu caso – deve saber mensurar o tamanho do que estamos passando 42 anos depois.
Foram 4 técnicos na temporada — e tomara que Danilo permaneça para 2027 —, mas o time encaixou na hora certa. Pelo caminho, o Verdão eliminou favoritos a rodo: Portuguesa, CSA, ABC e, agora, o ASA.
Fácil mesmo é torcer para Flamengo, Palmeiras ou Corinthians a milhares de quilômetros de distância. Quero ver encarar os piores momentos no interior, comer o pão que o diabo amassou e ter a paciência de esperar a glória chegar com o time da sua cidade.
Acompanho o Verdão na imprensa desde 2014 e comi muita poeira: jogos às 10h de domingo no Módulo II, viagens a estádios terríveis pelo interior, perseguição de diretorias e muito carinho da torcida. Quando só 800 pessoas iam no Sabiá, a gente estava lá cobrando melhorias. E nada na minha vida profissional se compara ao que eu vivi nesse domingo, que marcava 11 anos da morte de Vivinho, o autor do gols nas finais da Taça de Prata.