O esporte e Odelmo: paixão, obras e incentivo aos jovens
O ex-prefeito de Uberlândia imortalizou sua figura apoiando inúmeras modalidades e mostrando que torcedor também sabe fazer gestão eficiente
-
Eu creio que todas as grandes características de homem público, estadista e político do ex-prefeito de Uberlândia já foram bastante dissecadas pelos meus colegas do Grupo Paranaíba de Comunicação. Mas como a minha função falar sobre esporte, eu entendo que é fundamental destacarmos o que Odelmo Leão fez pelo esporte da nossa cidade, e também pelo Brasil.
Não só isso. Odelmo era um adorador de todas as modalidades. Esteve presente em conquistas do Uberlândia. Foi gigantesco apoiador do paradesporto. Entregou os troféus para o time do Praia Clube nas Superligas de 2018 e 2020. E acima de tudo: era um homem que enxergava na construção social do esporte o grande arrimo para uma sociedade decente.
Odelmo, desde a tenra idade, era praticante da bola. Presença marcante nos “rachas” da velha guarda, o que só deixou de acontecer quando seus joelhos passaram a limitá-lo em suas condições motoras. Conheceu e frequentou o histórico trampolim do Praia, viveu intensamente os clubes Cajubá e Caça e Pesca (hoje Itororó) e fez de tudo pra que a cidade fosse referência no lazer e no esporte.
Apaixonado pelo Fluminense, também era torcedor do São Paulo. Ao começar sua vida pública em Uberlândia, foi frequentador assíduo do Juca Ribeiro e um dos grandes incentivadores do nosso Verdão. Sempre o ouvi lamentar a “baderna” na qual o clube vivia nas últimas décadas, e foi um dos maiores incentivadores da chegada da SAF comandada por Fábio Mineiro.
Aliás, seu último vídeo postado nas redes sociais, ontem à tarde, foi justamente sobre sua paixão pelo Uberlândia e celebrando a vaga nas quartas de final da Série D do Brasileirão.
Mas vamos voltar no tempo.
Em 2000, Odelmo foi o principal articulador para que o Ministério do Esporte, à época comandado pelo ex-deputado Carlos Melles, bancasse a ida do Brasil às paralimpíadas de Sidney. Foi aí que sua relação intrínseca com o paradesporto começou: incentivou profundamente a ampliação de vagas para esse público na estrutura municipal, e foi o nome que uniu a gestão municipal ao Praia Clube para que nossa cidade se tornasse um dos maiores celeiros de campeões e campeãs em inúmeras modalidades.
Já como prefeito, trabalhou arduamente para a construção da Arena Sabiazinho junto ao governo Aécio Neves, em 2007. Desde então, o espaço para 8 mil pessoas foi palco de importantes torneios do esporte brasileiro e mundial, com destaque para decisões da Superliga de vôlei em ambos os naipes, campeonatos sul-americanos e mundiais da mesma modalidade, torneios de futsal e etapas de competições paralímpicas como o campeonato brasileiro de Bocha. Também é usado para as cerimônias dos Jogos Escolares das Escolas Municipais e torneios organizados pela administração municipal.
Logo depois da inauguração do ginásio, Odelmo lutou para erguer um complexo de esportes aquáticos, o que só foi concluído na sua terceira gestão municipal, em junho de 2020. O Parque Aquático João Bittar foi entregue com uma ampla estrutura, que infelizmente ainda é pouco utilizada. Mas se não fosse seu esforço para que o espaço saísse do papel, nunca teríamos esse importante espaço no Complexo Virgílio Galassi.
Também foi figura central na modernização e ampliação dos espaços esportivos e da zeladoria no Parque do Sabiá. Já na sua última gestão, coordenou pessoalmente a ampliação das quadras, espaços esportivos para os esportes de areia e o tênis, e determinou por meio do diretor-geral da FUTEL Edson Zanatta que nosso cartão-postal fosse tratado como a joia da cidade. E isso conseguiu de forma inegável.
No estádio, arquitetou junto à ENGIE a troca por completo do sistema elétrico e de iluminação. Hoje, a cidade está apta a receber jogos de competições com a chancela da CONMEBOL. Já em 2023, deu sinal verde para que grandes jogos voltassem ao Parque – Palmeiras, Galo x Cruzeiro, Vasco e Flamengo foram algumas das grandes atrações por aqui.
Mas o impacto de Odelmo vai além: sua paixão pela bola o fez ser homenageado com o nome do Campeonato Rural de Uberlândia. Voltando ao paradesporto, coordenou a construção do CIE, no Jardim Europa, e negociou pessoalmente com o então governador Romeu Zema a construção de um novo ginásio no SESI Gravatás – que aliás, foi assumido pela prefeitura também em sua gestão, multiplicando o número de pessoas atendidas.
Odelmo fez com o UTC o que fez com vários espaços abandonados no período em que deixou a prefeitura, entre 2013 e 2016: reassumiu o espaço, revitalizou-o por completo e garantiu que se tornasse um centro de excelência na formação de jovens atletas. Hoje, o local abriga dezenas de modalidades e recebe milhares de crianças todos os dias.
E, para mim, o principal foi ampliar de forma exponencial o número de meninos e meninas que podem fazer uma modalidade, em qualquer canto da cidade. São 22 mil pequenos sonhadores atendidos diariamente em vários esportes, seja nos poliesportivos ou no Parque do Sabiá. No alto rendimento, então, nem se fala: temos uma campeã paralímpica em Uberlândia, diversos campeões mundiais e continentais seja no esporte tradicional ou no paradesporto. Todo fim de semana, celebramos dezenas de medalhas e troféus que só foram possíveis graças ao que Odelmo construiu diretamente desde 2004.
Certamente algo passou por mim ao escrever esta coluna em edição extraordinária. Mas creio que em linhas gerais, além de ter sido o maior prefeito de nossa história, Odelmo foi o homem público que mais se debruçou sobre o desenvolvimento do esporte de Uberlândia. Se somos hoje um polo de referência no esporte mundial, certamente devemos muito – ou tudo – a ele.





















Vá com Deus, Odelmo. Esperamos que muitas alegrias sejam noticiadas para que possa vibrar aí do céu com o sucesso de Uberlândia.
