Fake News e irresponsabilidade: o clima de guerra inventado contra o Uberlândia
Tem influencer e jornalista alimentando mais mentiras para criar um ambiente perigoso no sábado; o certo é seguir com a cabeça fria e com a verdade. E logo mais, 11h30, tem Aeroverdão pra empurrar o time pro acesso.
Eu achei que as polêmicas do jogo de ida entre Uberlândia x CSA seriam findadas já no fim de semana. Mas tudo virou um show prolongado de falta de ética que mancham o futebol rotineiramente, e que agora atinge em cheio um jornalismo tão questionado – e não nego, muitas vezes com razão.
Tenho acompanhado com afinco as repercussões em parte da imprensa e de influencers – que se dizem comunicadores responsáveis – lá de Alagoas desde o confronto no Parque do Sabiá. Infelizmente, a grande minoria tem agido com a verdade.
O que está acontecendo é muito perigoso. Relatos falsos, que começaram com o técnico Moacir Junior alegando uma recepção violenta ao ônibus do CSA já na entrada do estádio. O que imagens postadas pelo próprio Azulão provam que é mentira.
Houve relatos de cortes de água e energia do vestiário do clube visitante, o que também já ficou comprovado ser uma bela fake news.
Mas o pior está nas acusações criminosas de que torcedores e diretores do CSA foram alvos de xenofobia. Isso é irreal: Uberlândia, uma cidade cosmopolita e erguida rumo ao seu progresso por justamente abraçar todas as regiões do país, não pode suportar isso calada.
Além disso, membros da diretoria do CSA saíram da cidade chorando as pitangas por terem sido agredidos e ameaçados, tendo sido forçados a passar no meio da torcida do Uberlândia no Parque do Sabiá. Que eu saiba, não existe outra forma de chegar aos camarotes e tribunas de imprensa se não for no meio das escadarias. E pior: as imagens e relatos da torcida do Verdão comprovam que na verdade, foram esses membros da diretoria que xingaram e atiraram objetos em quem assistia o jogo.
E o mais triste é que a grande maioria da imprensa alagoana comprou esse pacote de mentiras. E o que temos visto são alguns torcedores destemperados, que nem estavam aqui, ameaçando uma recepção até violenta ao time e à torcida por lá – baseados em, reitero, mentiras.
Se houve tanta violência e agressões, além de preconceito, cadê os BOs?
Foram poucos os relatos que abordaram o quanto o CSA foi limitado e jogou apenas para não perder, apesar de algumas poucas boas chegadas no início do segundo tempo ao gol de Guilherme Nogueira. Se o CSA é tão melhor que o Uberlândia e deve devolver na “mesma moeda”, por que isso não começa com uma atuação melhor?
A patuscada que está sendo protagonizada por gente que fala para as massas é um dos grandes motivos pelos quais o futebol brasileiro não tem como dar certo. Isso vai dos times grandes, reféns de mídia e de notas oficiais, até times que querem inflamar suas torcidas a troco de nada achando que isso é só parte do futebol. Muito errado. Provocar, xingar no calor do momento de um estádio, isso sim. Instigar violência, não.
Houve confusão? Houve. Entre uns poucos malucos que trocaram sopapos na própria torcida do Uberlândia, depois que um deles tentou provocar a torcida do CSA e foi contido. E no fim, a PM usando spray de pimenta para espantar a torcida e fazer com que a diretoria alagoana descesse pelas arquibancadas
E, de verdade caro leitor. Não é nada agradável para mim expor as rachaduras que nossa profissão, por meio de alguns irresponsáveis, enfrenta diariamente. Mas se não houver coragem de quem busca todo dia trabalhar com a responsabilidade para fazer isso, não conseguiremos diferenciar os bons dos maus profissionais. Não me permito ser jogado num balaio de que a imprensa é isso ou assado, e apontar o dedo a quem mancha uma profissão tão honrada e joga o esporte brasileiro na lama é dever de quem não se submete a rótulos.
No mais, o Verdão está embarcando agora pela manhã para Alagoas. Fará ambientação e adaptação à cidade antes do duelo decisivo por uma vaga na Série C no sábado, 17h. Há o convite pra quem quiser ir ao Aeroverdão: logo mais às 11h30, na entrada do novo aeroporto na avenida Sideral.
Agora, o certo é não cair na pilha errada e focar no que tem dado certo até agora: humildades e inteligência.
