Em Natal, Uberlândia tenta mais uma glória em ano histórico
Os detalhes da decisão, enquanto no sábado ASA e Gama decidem o outro finalista. Além disso, dia promete ser histórico para a URT com a votação da venda da SAF
Passado o primeiro ato no Parque do Sabiá, voltamos a campo neste domingo 17h para os 90 minutos finais que valem vaga na grande decisão da Série D. Uma viagem iniciada na quinta rumo a Natal, onde o Verdão desembarca carregando um retrospecto de respeito: 5 jogos sem sofrer gols com a bola rolando — lembrando claro o gol sofrido de pênalti para a Portuguesa em São Paulo, jogo que inclusive foi nossa única derrota como visitante.
Lembrando: um empate basta pra chegar à decisão.
Sem desfalques por suspensão ou lesão, Danilo deve novamente preservar Kayke na etapa inicial, mantendo o atacante guardado como trunfo para o segundo tempo ou para uma eventual disputa de pênaltis. Assim, a grande dúvida é: quem será o nosso 9 na Arena das Dunas? A sustentação física de Da Silva ou o oportunismo de Pablo Thomaz?
Se nada mudar, o Verde deve ir a campo com Guilherme Nogueira; Samuel, Max Miller, Rayan e Nathan; Fumaça, Evanderson e Tomás Bastos; Jhonatan Lima, Calazans e o escolhido pra camisa 9.
Do outro lado, o clima é de decisão e confiança absolutas. O ABC já vendeu mais de 25 mil ingressos e caminha para quebrar o recorde de público da Série D de novo — contra o Nacional/AM, mais de 31 mil pessoas foram à Arena das Dunas. O discurso é reiterado desde o elenco até o técnico Waguinho Dias, muito pela invencibilidade jogando diante da própria torcida – cenário que o Verde já encarou contra Lusa e CSA nesse mata-mata.
Aliás, Waguinho tenta seu bicampeonato da Série D e terá dois importantes reforços: no lugar de Fabão na zaga, o retorno do experiente Edson — ex-Fluminense, Goiás e futebol árabe e que ficou no banco no Sabiá, além da presença confirmada do ídolo Wallyson, artilheiro do ano ao lado de Igor Bahia com 13 gols. Se com Bahia a vida da defesa quase impenetrável do Verdão já foi um inferno, imagina com ambos em campo.
Em entrevistas nesta semana, o ABC já reconheceu que o erro foi ter mais a bola em Minas. Fazendo o adversário se sentir a vontade, o Uberlândia aproveitava muito bem o contra-ataque para jogar nas falhas do alvinegro; foi assim que chegou no lance do pênalti sofrido por Pablo Thomaz e em descidas perigosas. Mas sabemos que Danilo sempre tem uma carta na manga: em cenário igual no Rei Pelé contra o CSA, a estratégia foi partir pra cima ainda no primeiro tempo e matar o placar.
Pro UEC, estar nessa final vai muito além de uma taça. Significa chancelar mais ainda o sucesso absoluto do modelo SAF implementado no clube há um ano. O Uberlândia não disputa um título nacional há 26 anos, e erguer esse troféu garante vaga direta na 3ª fase da Copa do Brasil, competição para a qual o clube hoje não tem calendário garantido. É a consolidação definitiva de um projeto que resgatou o orgulho da cidade.
Importante: sábado o ASA joga até por uma derrota de um gol contra o Gama no Bezerrão. Ida em Arapiraca: 2×0 para os alagoanos. O Gama é o time mais forte dessa fase, mas se complicou muito. Vale a pena acompanhar para saber como e onde os confrontos de uma possível final pro Uberlândia acontecerão.
URT caminha para virar SAF com proposta de 90 milhões
Os bastidores do futebol do interior mineiro seguem se movimentando e mais um time da região pode se tornar SAF. Depois de Uberlândia, Mamoré e Araxá (poderia contar o Uberaba, mas por lá a SAF fracassou e deixou um rombo enorme no clube), a URT vota nesta noite a proposta de R$ 90 milhões para aquisição do seu departamento de futebol por uma empresa de fertilizantes.
A companhia já patrocina o clube, e fará a oferta incluindo a cessão do Zama Maciel, da Vila Olímpica e até do ônibus que é de propriedade da associação. O valor será diluído ao longo de 20 anos em base, montagem de elenco profissional e fim do endividamento. Se o estádio e o CT não forem incluídos na venda pelo conselho, a proposta cai para R$ 60 milhões.
Se aprovada a venda, a associação manterá uma cadeira nos Conselhos de Administração e Fiscal, com preferência de recompra em negociações futuras.
Pensando no planejamento de 2027, que inclui a Série D e uma nova campanha surpreendente no Mineiro como foi neste ano, a Veterana faz o movimento na hora certa.
E este é um cenário cada vez mais realista para os times do interior. Neste ano, foram 9 SAFs entre os 12 clubes da elite estadual. Sem contar os clubes-empresa América e Tombense. O modelo associativo tem vida curta em Minas, vide as pavorosas gestões que jogaram clubes tradicionais e com grande potencial na bancarrota. O futuro, apesar de discordâncias aqui e ali, é a transformação em empresa.