Retrato de Victor Albergaria, jornalista e colunista esportivo

Victor Albergaria

Análises e comentários sobre o que é assunto no esporte regional, nacional e internacional com Victor Albergaria. Mídia esportiva, resultados e a agenda de jogos com aquele toque de bom humor

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Como vivi a festa no Canindé: torcida empurrou o UEC às quartas da Série D

Minha ida à sede da Lusa foi uma das melhores coisas que vivi em 15 anos de jornalismo. Agora, é brigar pelo acesso contra o CSA mantendo a humildade.

, em Uberlândia

Ir ao Canindé no sábado foi uma das maiores experiências profissionais destes meus 15 anos de jornalismo. Não valia o acesso, mas presenciar um espetáculo protagonizado pela torcida do Uberlândia vai ficar pra sempre marcado na minha carreira.

A viagem por si só foi uma loucura: sair daqui 3h da manhã, almoçar com o elenco e conhecer o histórico estádio do Canindé já valeria. Mas conversar com os homens e mulheres que pegaram a BR-050 pra não parar de cantar um minuto sequer encantou não só a mim, mas a todos que estiveram na sede da Portuguesa.

A derrota por 1×0 trouxe um lado interessante do que é a Série D: mesmo sendo pressionado desde o primeiro minuto, como previ nesta coluna na última sexta-feira, o Uberlândia não perdeu o controle mental da partida. É isso que vale num torneio pegado como esse. Era notório que a pressão era toda sobre os paulistas. Uma SAF bastante questionada, que tinha todo o favoritismo sobre si desde o início do Brasileiro, e cujo elenco teve de ser remontado graças à grande campanha no Paulistão.

O Verde teve poucas chances de verdade ao longo dos 90 minutos. Um chute isolado por Kayke – que aliás, está merecendo um banco – ainda no primeiro tempo, e um chute colocado de Tomás Bastos no início da etapa final. Nosso camisa 10, aliás, fez um pênalti que poderia mudar o astral da partida.

Tudo bem que a cobrança convertida por Toró inflamou a torcida rubro-verde nas arquibancadas, mas a organização esperada de quem precisa vencer não veio, nem depois do marcador aberto. Consciente e muito certeiro no sistema defensivo, o Verdão segurou a pressão para avançar às quartas de final.

O clima no pós-jogo era bipolar: do lado da marginal, a torcida mineira que tinha engolido a paulista o jogo inteiro, deu um show até a organização da partida desligar os refletores. Já a torcida da Lusa prometia guerra: lançou foguetes rumo ao gramado e em meio a choros e decepção, dizia ter sido enganada pela SAF e pelo time que foi avançando no Brasileiro sempre com gols achados e pouco futebol.

A humildade mineira engoliu o favoritismo e certo salto alto de alguns membros da comissão técnica adversária. No mais, nós da imprensa de Uberlândia fomos extremamente bem tratados – mas claro que tivemos de ser escoltados ao fim da partida para não sermos alvo da frustração portuguesa.

Depois da coletiva, fui ao vestiário e pude ver de perto a festa da turma. Conversei por bons minutos com Fábio Mineiro, que sincero e muito honesto nas palavras como sempre, seguiu pregando pés no chão pra buscar o acesso. Sentir a energia do staff e do elenco foi muito marcante.

A volta pra casa, logo depois do jogo, foi sob forte escolta policial até a saída de São Paulo. No ônibus em que estava junto de alguns membros dos bastidores e jogadores não relacionados, o clima era de muito alívio. Quando todos paramos para jantar em Americana, foi uma festa contagiante que seguiu no ônibus do time – no nosso, era a vontade de chegar logo em casa. Isso só foi acontecer às 5h30 da manhã, num cansaço extremo junto de uma alegria de ter vivido um dos grandes fins de semana da história do Uberlândia.

Aproveito para agradecer o convite da SAF para representar nossos jornalistas junto do amigo Gleudo Fonseca. Cada um no seu estilo de cobertura, mas ambos muito satisfeitos com o que vivemos numa tarde gelada na pauliceia desvairada.

Agora, vamos encarar o CSA. Time muito tradicional do Nordeste, comandado pelo mineiro Moacir Júnior e que eliminou outro time aqui de Minas no mata-mata – o Betim. O Azulão, que jogou a Série A em 2019, veio em queda livre e tenta se reabilitar no cenário nacional – olha só, assim como a Portuguesa.

Adversário difícil, claro. Mas como também disse na sexta por aqui, se conseguisse eliminar a Portuguesa, o Verdão se tornaria favorito contra quem viesse pelo caminho. E mantenho minha posição.

Jogo da ida dia 8 no Parque do Sabiá – que espero que esteja lotado e com estacionamento liberado. Volta dia 15 ou 16 no Rei Pelé, em Maceió.

E se tem um grande destaque pra mim dessa classificação história, com certeza é a nossa torcida apaixonada.

Agora, serão duas chances pra chegar à Série C. Sobem 6 times de 8. Nunca foi tão fácil, mas isso não deve ser motivo para acharmos que o acesso já veio. A humildade prevaleceu pra nós até agora, e é assim que deve seguir sendo.

DECEPÇÕES PRA REGIÃO NO MÓDULO II

Claro que esse subtítulo não se aplica ao Mamoré, que de forma surpreendente voltou a segurar o Uberaba, desta vez fora de casa, e vai disputar o acesso para a elite mineira de 2027. Mas que triste ver a bolinha que o próprio Colorado jogou na decisão em casa. Num gramado ridículo e muito mal cuidado no Uberabão, não tinha jogadas pra reverter a vantagem do Sapo conquistada em Patos de Minas, e mesmo tendo a melhor campanha caiu.

Sapo segura o mau futebol do Uberaba e está a dois jogos da elite de 2027 (Imagem: Instagram/EC Mamoré)

Outra decepção foi o Boa Esporte, que pra mim era muito favorito contra o Aymorés. Tudo bem que perdeu a vaga no 2×0 sofrido em Ubá, mas a postura do time no Coleto de Paula foi assustadora; a torcida até reclama de um suposto gol não marcado nos acréscimos, mas isso não tira de campo o fato de que jogou muito pouco pra merecer a vaga. Agora é pensar em 2027.

Já o Patrocinense… nada jogou de novo. Levou até um gol daqueles que Pelé não fez (veja abaixo) e perdeu de novo pro Democrata, desta vez em Sete Lagoas. Que a Águia se organize de uma vez e volte brigando pelo acesso no ano que vem.

Agora, o Sapo encara o Democrata – ida em Patos, volta na Arena do Jacaré. Na outra semifinal, duelo pesado entre Villa Nova e Aymorés. Se o Mamoré já surpreendeu todos até aqui sob o comando de Toninho Pesso, por que não manter essa sina e conquistar um acesso histórico?