Agora é buscar a taça: um raio-x do ABC, adversário do UEC na semi da Série D
Símbolo do futebol maltratado do nordeste, o alvinegro volta à Série C após um ano e teve um caminho mais tranquilo para o acesso em relação ao Verdão
Superado o êxtase do acesso, a caminhada continua. Sábado, às 17h, o Parque do Sabiá – que deve ter parte do estacionamento fechado, mas com áreas verdes no Complexo Virgílio Galassi liberadas – abre os portões para mais um capítulo de orgulho para o Uberlândia: a ida da semifinal da Série D contra o ABC. Vaga garantida na C? Sim. Mas camisa e história pedem mais, e o Verdão quer o título.
Para isso, é preciso entender exatamente quem está do outro lado. E o Alvinegro Potiguar traz coincidências marcantes. Assim como o Verde, o time de Natal é campeão nacional — ergueu a Série C em 2010 — e não pisa na elite do futebol brasileiro desde 1985, exatamente como o UEC. Em confrontos diretos, encaramos os caras apenas duas vezes na história, lá em 1978, com vitórias potiguares por 1×0.
Nos últimos anos, o ABC viveu uma verdadeira montanha-russa. Amargou rebaixamentos e acessos da B para a C, da C pra D e vice-versa. Ano passado, caiu da terceira divisão e voltou logo agora. É o maior campeão do Rio Grande do Norte, embora não erga a taça estadual desde 2022 e venha sendo batido pelo arquirrival América seguidas vezes no cenário local – porém o Dragão já emenda 10 anos na última divisão nacional.
Na Série D deste ano, eles lideraram o fácil Grupo A8, onde inclusive estava o próprio rival, e no mata-mata superou Altos, Águia de Marabá, Luverdense e Nacional-AM — em um chaveamento visivelmente mais suave do que as pedreiras encaradas pelo Verdão. Nas quartas, garantiram o acesso ao bater os amazonenses em Manaus e confirmaram o 1×0 em casa, gol do veterano Wallyson de pênalti, diante de um público absurdo de 31 mil pessoas.
Este é mais um time invicto jogando como mandante na quarta divisão — assim como era o CSA – mandando partidas entre o Frasqueirão e a Arena das Dunas, tendo somado apenas duas derrotas longe de Natal.
O grande nome já citei e dispensa apresentações: Wallyson, ídolo histórico de 38 anos com passagens por Cruzeiro, São Paulo, Botafogo e Athletico-PR. O homem tem mais de 260 jogos e 112 gols pelo clube – 3º maior artilheiro de sua história. Marcou inclusive o gol de pênalti do acesso no último domingo.
Além dele, destaco o atacante Igor Bahia, artilheiro do ano com 13 tentos ao lado do ídolo supracitado. Olho também no goleiro Matheus Alves, de 31 anos, no zagueiro Wellington Carvalho e no meia Rikelmi, ex-Botafogo.
À beira do gramado, uma figura conhecida do torcedor uberlandense: Waguinho Dias. Mais um que passou aqui e não deixou saudades.
Em 2021, ele assumiu o Verdão na vaga de Tuca Guimarães após um péssimo início de estadual, e não conseguiu fazer aquele elenco limitado engrenar — ficou em 9º no Mineiro e acabou demitido na Série D após empatar com o CAP em casa e cair para a Caldense fora. Ao sair, deixou o espaço para Chiquinho Lima bater na trave do acesso ao fim da quarta divisão.
Se por aqui não deixou saudades, Waguinho construiu rodagem pesada no futebol nacional: foi campeão da Série D pelo Brusque em 2019, campeão catarinense em 2022, levou taças estaduais com Marcílio Dias e Figueirense e, agora, faz o ABC voar após chegar à semifinal da Copa do Nordeste.
A briga no quesito arquibancada promete ser um show à parte. O ABC ostenta a maior média de público da Série D, na casa de 8 mil torcedores. O Uberlândia vem logo atrás, em 4º lugar. Se eles botaram 31 mil em Natal para celebrar o acesso, nós temos capacidade e futebol para colocar mais do que isso no Sabiá.
O acesso já está no bolso, a gestão SAF provou seu valor e a comissão técnica, liderada por Danilo e sem desfalques, tem a inteligência necessária para ler o jogo.
Sábado, às 17h, não tem conversa: o Parque do Sabiá tem que pulsar em uma linda festa para celebrar o Verdão e empurrá-lo à primeira decisão em nível nacional após 26 anos. Cancha temos para isso, e ânimo mais ainda.

